O que é um pogrom e qual o seu impacto na sociedade
Um pogrom é um surto de violência coletiva, geralmente organizado ou tolerado pelas autoridades, dirigido contra um grupo étnico ou religioso minoritário — historicamente, e de forma quase emblemática, contra as comunidades judaicas. A palavra entrou nas línguas europeias a partir do russo pogrom (de gromit, "destruir, devastar") e descreve não um simples motim espontâneo, mas um ataque caracterizado por assassínios, espancamentos, violações, pilhagem e destruição de casas, lojas e locais de culto. O conceito tornou-se central para compreender a história do antissemitismo na Europa e, em 2026, a sua atualidade volta a ser discutida perante a maior vaga de violência contra judeus registada em décadas.
Origem e significado do termo
O termo difundiu-se internacionalmente no final do século XIX, associado aos ataques contra judeus no Império Russo. Embora a palavra seja russa, o fenómeno que descreve é muito mais antigo: episódios de violência de multidões contra judeus ocorreram repetidamente na Europa medieval e moderna, frequentemente ligados a acusações falsas — como o "libelo de sangue" (a calúnia de que judeus usariam sangue de crianças cristãs em rituais) — ou desencadeados em períodos de peste, crise económica ou tensão religiosa.
O que distingue um pogrom de outras formas de violência é a sua dimensão coletiva e a cumplicidade, ativa ou passiva, do poder. Em muitos casos, a polícia e o exército não intervinham, chegando mesmo a incitar ou proteger os agressores. Esta tolerância oficial transformava o ódio popular num instrumento político, usado para canalizar descontentamento social e desviá-lo para um "bode expiatório".
Os grandes pogroms da história
Os primeiros pogroms em larga escala no Império Russo ocorreram em 1881-1882, na sequência do assassínio do czar Alexandre II, atribuído falsamente a uma conspiração judaica. Seguiram-se vagas sucessivas, sobretudo entre 1903 e 1906, num clima de nacionalismo e propaganda antissemita.
O caso mais célebre é o pogrom de Kishinev, em 1903 (na atual Moldávia), em que dezenas de judeus foram mortos e centenas feridos, com bairros inteiros saqueados. A comoção internacional que se seguiu marcou um ponto de viragem: contribuiu para o crescimento do movimento sionista e para a emigração maciça de judeus da Europa de Leste rumo aos Estados Unidos, à Europa Ocidental e à Palestina.
Já no contexto nazi, a Noite de Cristal (Kristallnacht), em novembro de 1938, é frequentemente descrita como um pogrom organizado pelo Estado: em poucas horas, foram destruídas centenas de sinagogas e milhares de lojas judaicas em toda a Alemanha e Áustria. Constituiu um prenúncio do Holocausto, em que cerca de seis milhões de judeus seriam assassinados. Importa notar que o conceito não se aplica apenas a judeus: a lógica do pogrom — violência coletiva contra uma minoria com conivência do poder — descreve igualmente massacres dirigidos a outros grupos étnicos e religiosos ao longo da história.
Qual é o impacto de um pogrom na sociedade
O impacto de um pogrom ultrapassa largamente as vítimas imediatas e as perdas materiais. Os seus efeitos prolongam-se por gerações e moldam sociedades inteiras.
Trauma e memória coletiva
Para a comunidade atingida, o pogrom deixa um trauma duradouro, transmitido de geração em geração. A perceção de que o Estado não protege — ou até participa — destrói a confiança no contrato social e cria uma sensação permanente de insegurança. A memória destes episódios tornou-se um pilar da identidade judaica moderna e da forma como muitas minorias avaliam a sua própria vulnerabilidade.
Deslocação populacional e demografia
Os pogroms provocaram migrações em massa que redesenharam a geografia das comunidades. A fuga de milhões de judeus da Europa de Leste entre 1881 e a Primeira Guerra Mundial reconfigurou as populações judaicas dos Estados Unidos, do Reino Unido e de outros países, com efeitos culturais, económicos e políticos sentidos até hoje.
Radicalização e normalização da violência
Quando a violência contra uma minoria fica impune, cria-se um precedente perigoso: o ódio deixa de ser tabu e passa a ser tolerado. Historicamente, os pogrons funcionaram como antecâmara de genocídios, ao desumanizar progressivamente as vítimas e ao testar os limites da indiferença social. A passagem da Noite de Cristal para a "Solução Final" ilustra esta escalada.
Coesão social e instituições
A médio prazo, sociedades que viveram pogroms tendem a desenvolver mecanismos de resposta — legislação contra o ódio, políticas de memória, educação e instituições de proteção das minorias. O reconhecimento histórico destes crimes tornou-se parte integrante da construção de democracias europeias no pós-guerra.
O conceito de pogrom em 2026
Embora a palavra esteja ligada ao passado, o seu significado regressou ao debate público. Dados do Eurobarómetro de janeiro de 2026 indicam que mais de metade dos europeus considera o antissemitismo um problema no seu país, e cerca de 47% acreditam que aumentou nos últimos cinco anos. A hostilidade no espaço público, os grafítis antissemitas e o ódio em linha figuram entre as formas mais assinaladas.
A componente violenta também ressurgiu. Segundo um relatório anual da Universidade de Telavive divulgado em 2026, a violência antissemita em 2025 causou o maior número de judeus mortos em mais de três décadas — 20 vítimas em quatro ataques. Na Europa, registaram-se vários atentados com engenhos explosivos em março de 2025, incluindo junto a uma sinagoga em Liège (Bélgica), um incêndio numa sinagoga em Roterdão (Países Baixos) e uma explosão perto de uma escola judaica em Amesterdão. Embora estes ataques difiram dos pogroms clássicos — não envolvem multidões nem cumplicidade do Estado —, reativaram o vocabulário histórico do medo e da perseguição.
Perguntas frequentes
Qual é a diferença entre um pogrom e um genocídio?
Um pogrom é um surto de violência coletiva, geralmente localizado e de curta duração, contra uma minoria. Um genocídio é a tentativa sistemática e planeada de eliminar um grupo inteiro. Os pogroms precederam e prepararam genocídios, como aconteceu com a Noite de Cristal antes do Holocausto.
De onde vem a palavra "pogrom"?
Deriva do russo, com a raiz gromit, que significa "destruir" ou "devastar". Difundiu-se internacionalmente no final do século XIX, ao descrever os ataques contra comunidades judaicas no Império Russo.
O termo aplica-se apenas a judeus?
Historicamente está sobretudo associado à perseguição de judeus, mas o conceito — violência de multidões contra uma minoria, com tolerância do poder — também é usado para descrever ataques a outros grupos étnicos ou religiosos.
Ainda ocorrem pogroms atualmente?
Pogroms no sentido clássico, com multidões e conivência estatal, são hoje raros nas democracias. Contudo, em 2026 registou-se um aumento acentuado da violência e do ódio antissemitas na Europa, o que recoloca o tema na atualidade.