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Ligamento ou menisco roto no cão: sintomas e tratamento

Publicado 2. novembro 2024 Atualizado 28. junho 2026

O que fazer se meu cachorro romper ligamento ou menisco?

A rotura do ligamento cruzado cranial (LCC) é uma das lesões ortopédicas mais frequentes em cães e a principal causa de claudicação do membro posterior. O menisco medial do joelho é frequentemente afetado em simultâneo: estudos indicam que até 53% dos cães com rotura completa do LCC apresentam também lesão meniscal. Reconhecer os sinais precocemente e agir com rapidez pode fazer a diferença entre uma recuperação completa e o desenvolvimento de osteoartrite crónica.

O que são estas lesões e porque ocorrem

O ligamento cruzado cranial estabiliza a articulação do joelho (articulação femorotibiopatelar), impedindo o deslizamento da tíbia para a frente em relação ao fémur. A sua rotura pode ser aguda — causada por um movimento brusco, uma queda ou uma torção — ou degenerativa, quando o ligamento se vai deteriorando progressivamente ao longo do tempo, processo mais comum em raças predispostas como o Labrador Retriever, o Rottweiler, o Boxer e o Bulldog.

Os meniscos são lâminas de fibrocartilagem que absorvem o impacto dentro do joelho. Quando o ligamento cruzado rompe e a articulação se torna instável, o menisco medial fica sujeito a forças anormais e pode rasgar. Uma lesão meniscal isolada, sem envolvimento do ligamento, é menos comum mas possível.

Sintomas a reconhecer

Os sinais variam consoante a gravidade da lesão e a fase em que se encontra:

  • Claudicação súbita de um dos membros posteriores, muitas vezes após exercício ou brincadeira
  • Recusa em apoiar o membro no chão ou apoio apenas com a ponta dos dedos
  • Inchaço e calor na articulação do joelho
  • Dor à palpação ou à extensão/flexão da perna
  • Estalidos ou crepitações ao movimentar o joelho — sinal frequente de lesão meniscal
  • Atrofia muscular da coxa, observável nas lesões crónicas
  • Claudicação intermitente, que piora após repouso ou após exercício prolongado, nas roturas parciais

Nas roturas degenerativas, o tutor pode notar que o cão começa a mancar de forma progressiva, sem episódio traumático evidente. Em alguns casos, a claudicação alivia momentaneamente com anti-inflamatórios, o que atrasa o diagnóstico correto.

O que fazer imediatamente

Perante uma claudicação súbita ou a suspeita de lesão articular, as medidas iniciais são simples mas importantes:

  • Restringir o movimento do animal — evitar corridas, saltos e subida de escadas
  • Consultar um veterinário com urgência, idealmente nas primeiras 24 a 48 horas
  • Não administrar anti-inflamatórios ou analgésicos de uso humano sem prescrição veterinária — substâncias como o ibuprofeno são tóxicas para cães
  • Transportar o animal de forma confortável, minimizando o apoio no membro afetado

Como o veterinário faz o diagnóstico

O diagnóstico baseia-se num conjunto de avaliações complementares:

  • Exame físico ortopédico: o veterinário realiza o teste da gaveta (drawer test) e o teste de compressão tibial, que permitem detetar a instabilidade característica da rotura do LCC
  • Radiografia: permite avaliar o grau de artrose existente, a presença de efusão articular e excluir outras patologias ósseas
  • Ressonância magnética (RM): o exame mais sensível para avaliar o estado do ligamento e dos meniscos, embora exija sedação
  • Artroscopia: procedimento minimamente invasivo que permite visualizar diretamente o interior da articulação e confirmar ou excluir lesão meniscal; pode ser diagnóstica e terapêutica em simultâneo

Opções de tratamento

Tratamento conservador

O maneio conservador — repouso estrito, anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) prescritos pelo veterinário, controlo de peso e fisioterapia — pode ser considerado em cães de pequeno porte (<15 kg) com roturas parciais ou em animais com contraindicações cirúrgicas por razões de saúde. Contudo, na maioria dos casos, esta abordagem não elimina a instabilidade articular e resulta num agravamento progressivo da artrose. A presença de lesão meniscal torna o tratamento conservador ainda menos adequado, uma vez que o menisco roto continua a causar dor e a deteriorar a cartilagem.

Tratamento cirúrgico

A cirurgia é o tratamento de eleição para a generalidade dos cães, especialmente os de médio e grande porte, e oferece taxas de sucesso entre 90% e 95%. Existem várias técnicas:

  • TPLO (Tibial Plateau Leveling Osteotomy): considerada o padrão de referência (gold standard). Modifica a geometria do plateau tibial através de uma osteotomia, neutralizando o deslizamento cranial da tíbia independentemente do ligamento. É a técnica mais utilizada em cães de médio e grande porte.
  • TTA (Tibial Tuberosity Advancement): avança a tuberosidade tibial para alterar a direção do tendão patelar, estabilizando funcionalmente o joelho. Utilizada sobretudo em cães de médio porte com roturas parciais.
  • Técnicas extracapsulares (sutura lateral): colocação de um fio de sutura sintético fora da cápsula articular para substituir funcionalmente o ligamento. Indicada principalmente em cães de pequeno porte.

Quando existe lesão meniscal associada, o cirurgião procede simultaneamente à meniscectomia parcial (remoção do fragmento danificado) ou, em casos selecionados, à sutura meniscal. Ao contrário do ligamento, o menisco não deve ser gerido de forma conservadora: a porção lesada continua a causar dor intensa e degradação articular.

Recuperação e reabilitação

A recuperação após cirurgia exige disciplina e acompanhamento próximo. De forma geral:

  • Primeiras 2 semanas: repouso quase absoluto, saídas curtas e controladas apenas para necessidades fisiológicas, medicação para a dor e inflamação
  • Semanas 3 a 8: início gradual de marcha controlada em trela curta; a maioria dos cães começa a apoiar o membro progressivamente
  • Semanas 8 a 16: reintrodução faseada de exercício de maior intensidade; nesta fase o osso já consolidou na maioria dos protocolos de TPLO
  • A partir dos 4-6 meses: retorno tendencial à atividade normal, embora varie com a idade, o peso e a presença de artrose pré-existente

A fisioterapia e reabilitação veterinária — que inclui hidroterapia em passadeira subaquática, eletroestimulação, massagem e exercícios específicos — acelera a recuperação e melhora o resultado funcional a longo prazo. O controlo de peso é igualmente determinante: o excesso de massa corporal aumenta significativamente a carga sobre a articulação e piora o prognóstico.

Importa ainda saber que cerca de 40 a 60% dos cães com rotura do LCC num membro virão a desenvolver a mesma lesão no membro contralateral nos dois a três anos seguintes — o que torna a prevenção, o peso saudável e o exercício moderado ainda mais relevantes após a recuperação.

Perguntas frequentes

Um cão pode recuperar da rotura do ligamento cruzado sem cirurgia?

Em cães de pequeno porte com roturas parciais, o tratamento conservador (repouso, anti-inflamatórios, fisioterapia e controlo de peso) pode proporcionar uma qualidade de vida aceitável. Contudo, a instabilidade articular persiste e a artrose progride. Em cães de médio e grande porte, a cirurgia é fortemente recomendada, pois sem ela o prognóstico a longo prazo é significativamente pior.

Quanto tempo dura a recuperação após cirurgia de TPLO?

A consolidação óssea ocorre tipicamente entre as 8 e as 12 semanas. O retorno à atividade normal e irrestrita demora habitualmente entre 4 e 6 meses, dependendo da idade do animal, do seu peso e da presença de artrose associada. A fisioterapia encurta este período e melhora o resultado funcional.

Como distinguir uma lesão de ligamento de uma lesão de menisco?

Clinicamente, as duas lesões sobrepõem-se frequentemente — ambas causam claudicação e dor no joelho. A presença de estalidos ou crepitações audíveis ao mover a articulação sugere lesão meniscal. O diagnóstico definitivo é feito por artroscopia ou ressonância magnética. Em cerca de metade dos casos de rotura completa do ligamento cruzado cranial existe lesão meniscal associada.

Que raças têm maior predisposição para esta lesão?

Raças de grande porte como o Labrador Retriever, o Rottweiler, o Boxer, o Bulldog Americano, o Golden Retriever e o Mastim são as mais afetadas. A predisposição tem componente genética, mas fatores como obesidade, sedentarismo alternado com exercício intenso e a conformação anatómica do joelho também contribuem.

O outro joelho pode vir a ser afetado?

Sim. Estima-se que entre 40% e 60% dos cães com rotura do ligamento cruzado cranial num membro desenvolvam a mesma lesão no membro oposto nos dois a três anos seguintes. Manter o peso ideal e introduzir exercício regular e moderado após a recuperação ajuda a reduzir este risco.

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