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Geleiras: o que são, como funcionam e por que importam

Publicado 30. novembro 2024 Atualizado 25. junho 2026

O que são geleiras e qual a sua importância para o planeta?

As geleiras são massas de gelo de grande dimensão formadas pela compactação e recristalização de neve acumulada ao longo de séculos ou milénios. Presentes nos pólos e nas cadeias montanhosas de todos os continentes habitados, constituem um dos elementos mais decisivos do sistema climático da Terra. Em 2025, a ONU declarou o Ano Internacional da Preservação das Geleiras, reconhecendo o papel crítico destas formações para a estabilidade ambiental e hídrica do planeta — uma urgência que se mantém em 2026, com os dados de degelo a revelarem tendências cada vez mais preocupantes.

O que são as geleiras

Uma geleira forma-se quando a neve que cai num determinado local não derrete completamente durante o verão, acumulando-se ano após ano. Com o tempo, a pressão das camadas superiores compacta a neve em firn (neve granular) e, posteriormente, em gelo glaciário — uma forma cristalina de densidade superior à do gelo comum. Para se considerar uma geleira, a massa de gelo tem de ser suficientemente espessa para fluir lentamente sob o seu próprio peso, ao contrário de um simples campo de neve estático.

Existem hoje mais de 275 000 geleiras no mundo, cobrindo uma área de cerca de 700 000 km² e armazenando aproximadamente 170 000 km³ de gelo. Este volume corresponde a cerca de 70% de toda a água doce disponível na superfície terrestre — excluindo os grandes mantos de gelo da Gronelândia e da Antártida, que por si só representam reservas muito superiores.

Tipos de geleiras

As geleiras classificam-se principalmente em dois grandes grupos:

  • Geleiras de vale ou de montanha: formam-se em regiões de altitude elevada e deslocam-se ao longo de vales pré-existentes, esculpindo a paisagem com o seu avanço. São as mais visíveis nos Alpes, nos Himalaias, nos Andes ou nas Montanhas Rochosas.
  • Calotes e mantos de gelo: cobrem grandes superfícies de terreno independentemente do relevo subjacente. O manto da Gronelândia e o da Antártida são os maiores exemplos, contendo a esmagadora maioria do gelo existente na Terra.

A distinção tem importância prática: enquanto as geleiras de montanha funcionam como reservatórios de água doce para populações a jusante, os mantos polares têm impacto direto sobre o nível dos oceanos à escala global.

A importância das geleiras para o planeta

Reservatórios de água doce

As geleiras funcionam como reservatórios naturais: acumulam precipitação no inverno sob a forma de neve e libertam-na gradualmente no verão através do degelo. Esta regulação sazonal abastece rios, lagos e aquíferos em períodos de menor precipitação. Segundo dados das Nações Unidas, mais de dois mil milhões de pessoas dependem, em maior ou menor grau, da água proveniente de geleiras e de neve acumulada em altitude. Regiões como o sul da Ásia, os Andes peruanos e o planalto tibetano recebem grande parte do seu fornecimento hídrico a partir deste mecanismo. Estima-se que 55 a 60% dos caudais anuais de água doce a nível global provêm de zonas de montanha.

Regulação do clima e efeito albedo

As superfícies de gelo e neve refletem entre 80% e 90% da radiação solar incidente, num fenómeno designado por efeito albedo. Esta capacidade de reflexão contribui para moderar a temperatura do planeta, impedindo a absorção excessiva de calor pela superfície terrestre. Quando as geleiras recuam, expõem solo escuro ou oceano, que absorvem muito mais radiação — criando um ciclo de retroalimentação positiva que acelera o próprio aquecimento. As geleiras influenciam ainda os padrões de precipitação regionais e a circulação de massas de ar, desempenhando um papel regulador nos microclimas das zonas montanhosas.

Nível do mar

O degelo das geleiras é atualmente uma das principais causas de subida do nível do mar. À medida que o gelo continental funde e escorre para os oceanos, o volume de água aumenta progressivamente. Embora cada geleira de montanha contribua de forma modesta individualmente, o efeito somado de centenas de milhares de geleiras é significativo. Os mantos da Gronelândia e da Antártida, se degelassem completamente, elevariam o nível médio dos oceanos em dezenas de metros — um cenário catastrófico para as zonas costeiras densamente habitadas.

Biodiversidade e ecossistemas

As geleiras sustentam ecossistemas únicos. A água de degelo, fria, oxigenada e com características minerais específicas, alimenta habitats de elevada biodiversidade em rios de montanha. Espécies de insetos, anfíbios e peixes altamente especializados dependem destas condições. A retração das geleiras altera a temperatura e o caudal destes cursos de água, ameaçando populações de organismos sem capacidade de adaptação rápida às novas condições ambientais.

O estado atual: degelo acelerado

Os dados científicos disponíveis em 2026 apontam para uma aceleração sem precedentes na perda de massa glaciar. Em 2025, as geleiras de todo o mundo perderam cerca de 408 gigatoneladas de gelo — o sexto ano mais negativo desde que os registos sistemáticos tiveram início, em 1975. A última década apresenta perdas anuais quase quatro vezes superiores às registadas no final do século XX.

Os números regionais são igualmente expressivos: as geleiras do oeste do Canadá, dos Estados Unidos e da Suíça perderam 12% do seu volume entre 2001 e 2024. Na Patagónia, a taxa de perda ronda as 26,5 mil milhões de toneladas de gelo por ano ao longo das últimas duas décadas. No Árctico, o gelo marinho atingiu em março de 2026 a sua menor extensão máxima de inverno registada, com 14,22 milhões de km².

Projeções publicadas na revista Nature Climate Change indicam que o número de geleiras que desaparece anualmente pode atingir um pico de cerca de 4 000 por ano entre 2041 e 2055, dependendo das trajetórias de emissões de gases com efeito de estufa. Um terço dos locais com geleiras poderá desaparecer até 2050.

Resposta internacional

O reconhecimento institucional da crise glaciar tem crescido. As Nações Unidas declararam 2025 o Ano Internacional da Preservação das Geleiras, co-facilitado pela UNESCO e pela Organização Meteorológica Mundial, e instituíram o Dia Mundial das Geleiras a 21 de março de cada ano. Foi ainda proclamada a Década de Ação para as Ciências da Criosfera (2025–2034), liderada pela UNESCO, com o objetivo de reforçar a investigação, a monitorização, a educação e as políticas de resposta às alterações da criosfera. Em 2026, estas iniciativas continuam a mobilizar governos, cientistas e organizações da sociedade civil para travar o degelo evitável e adaptar as populações mais vulneráveis às perdas que se afiguram inevitáveis.

Perguntas frequentes

Quantas geleiras existem no mundo?

Existem mais de 275 000 geleiras no mundo, cobrindo uma área de cerca de 700 000 km². Armazenam aproximadamente 70% de toda a água doce disponível na superfície terrestre, excluindo os grandes mantos de gelo polares da Gronelândia e da Antártida.

Porque é que as geleiras são importantes para a água potável?

As geleiras funcionam como reservatórios naturais que acumulam neve no inverno e libertam água no verão, abastecendo rios e aquíferos em períodos de menor precipitação. Mais de dois mil milhões de pessoas dependem, em alguma medida, desta água para consumo humano, agricultura e uso industrial.

A que ritmo estão as geleiras a derreter?

Em 2025, as geleiras perderam cerca de 408 gigatoneladas de gelo, um dos valores mais negativos desde 1975. A última década regista perdas quase quatro vezes superiores às do final do século XX, refletindo o impacto do aquecimento global acelerado.

O que acontece se todas as geleiras derreterem?

Se os mantos de gelo da Gronelândia e da Antártida degelassem por completo, o nível do mar subiria dezenas de metros, inundando vastas zonas costeiras e ilhas. Mesmo um degelo parcial e acelerado comprometeria o abastecimento de água de milhares de milhões de pessoas e destruiria ecossistemas aquáticos de montanha únicos.

O que é o efeito albedo e qual a sua relação com as geleiras?

O efeito albedo é a capacidade de uma superfície refletir a radiação solar. As geleiras refletem entre 80% e 90% da luz solar, contribuindo para arrefecer o planeta. Quando o gelo recua e expõe solo escuro ou oceano, estas superfícies absorvem muito mais calor, acelerando o aquecimento global num ciclo de retroalimentação que agrava o próprio degelo.

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