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Principais mercados de diamantes na Europa: cidades e centros

Publicado 13. novembro 2024 Atualizado 28. junho 2026

Quais cidades da Europa são os principais mercados de diamantes?

A Europa ocupa um lugar central no comércio mundial de diamantes, concentrando cerca de 27 % do mercado global e sendo palco de alguns dos mais importantes centros de negociação, lapidação e comércio de pedras preciosas do mundo. Desde hubs de transação de diamantes em bruto até mercados de luxo orientados para joias de alta joalharia, o continente europeu alberga uma rede de cidades especializadas com papéis distintos e complementares na cadeia de valor dos diamantes. Em 2026, esse ecossistema atravessa um período de ajustamento marcado pela proibição dos diamantes russos, pela concorrência crescente dos diamantes sintéticos e por sinais iniciais de recuperação.

Antuérpia: a capital mundial do diamante

Antuérpia, na Bélgica, é, sem contestação, o maior centro de comércio de diamantes do mundo e o mais importante da Europa. A cidade lida com cerca de 85 % dos diamantes em bruto transacionados globalmente, 50 % dos diamantes polidos e 40 % dos diamantes industriais. O volume de envios processados em 2024 ultrapassou os 225 milhões de quilates, distribuídos por mais de 75 000 expedições de diamantes.

O Distrito do Diamante de Antuérpia, situado perto da Estação Central, concentra quatro bolsas de diamantes reconhecidas internacionalmente, centenas de comerciantes, lapidadores e empresas de certificação. O organismo regulador do setor, o Antwerp World Diamond Centre (AWDC), representa os interesses da indústria e publica dados periódicos sobre o desempenho do mercado.

Em termos financeiros, o valor total do comércio de diamantes em Antuérpia atingiu os 19,1 mil milhões de dólares em 2025 — uma quebra significativa face ao pico de 2022, quando as exportações e importações rondavam os 9 mil milhões apenas nos primeiros onze meses do ano. Esta retração deveu-se a vários fatores: a proibição dos diamantes russos em vigor desde 1 de janeiro de 2024 (que eliminou cerca de 35 % das importações de diamante em bruto), a queda da procura de diamantes polidos e a acumulação de inventários excedentários no setor. Apesar disso, o primeiro trimestre de 2026 registou um crescimento de quase 20 % em volume face ao mesmo período do ano anterior, sinalizando uma possível recuperação, ainda que os preços tenham caído 27 % em termos homólogos devido à pressão dos diamantes cultivados em laboratório.

Londres: Hatton Garden e a Bolsa de Diamantes

Londres é o segundo polo europeu de maior relevância no comércio de diamantes. O bairro de Hatton Garden, no centro da cidade, é historicamente o coração do setor de joalharia e pedras preciosas britânico, albergando a London Diamond Bourse, a única sala de negociação de diamantes do Reino Unido. Fundada como clube privado de membros, a bolsa londrina é membro ativo da World Federation of Diamond Bourses (WFDB) — organização que reúne as cerca de 30 bolsas de diamantes ativas no mundo — e exige que todos os seus membros cumpram o Processo de Kimberley e forneçam certificação anual para o comércio de diamantes em bruto.

O papel de Londres vai além da negociação direta: a cidade funciona como centro financeiro e de seguros para transações de alto valor, e a sua rede de advogados, banqueiros e auditores especializados em commodities de luxo torna-a um nó indispensável na estrutura global do setor. O mercado de leilões de alta joalharia em Londres — com casas como Sotheby's e Christie's — contribui igualmente para a sua posição de destaque no segmento de diamantes raros e de coleção.

Amesterdão: berço histórico da lapidação de diamantes

Amesterdão é conhecida como a "cidade dos diamantes" há mais de 400 anos. Foi aqui que se fundou a indústria moderna de lapidação de diamantes e que se desenvolveu o corte brilhante redondo, ainda hoje o formato mais popular no mundo. Durante os séculos XVII e XVIII, a cidade neerlandesa era o centro incontestado do comércio global de diamantes, beneficiando das rotas comerciais da Companhia das Índias Orientais.

Embora o seu peso relativo tenha diminuído com o crescimento de Antuérpia e de mercados asiáticos, Amesterdão mantém uma indústria de joalharia ativa. A empresa Gassan Diamonds, fundada em 1945, é o principal representante da tradição local, combinando atividades de lapidação, polimento e venda ao público em instalações históricas no centro da cidade. O turismo joalheiro — visitas a ateliers de lapidação — permanece parte integrante da oferta cultural da cidade.

Genebra: o mercado da alta joalharia e dos diamantes de luxo

Genebra, na Suíça, ocupa um nicho diferente dos demais centros europeus: em vez de se especializar no comércio de grandes volumes de diamantes em bruto ou polidos, a cidade posiciona-se como capital europeia da alta joalharia e dos diamantes de coleção. O seu mercado de pedras preciosas remonta ao século XVII e caracteriza-se por um elevado grau de discrição e exclusividade.

A cidade é sede de grandes maisons de joalharia e relojoaria — entre as quais Chopard e Piaget — e acolhe anualmente a Jewellery Geneva, uma exposição de acesso restrito por convite, frequentada pelos compradores mais influentes do setor mundial de joalharia fina. Em abril de 2026, a edição do evento contou com 35 marcas de alta joalharia, confirmando o estatuto da cidade como plataforma de eleição para diamantes de valor excecional. Os leilões realizados pelas casas Sotheby's e Christie's em Genebra são igualmente reconhecidos como eventos de referência para diamantes raros, pedras coradas e joias históricas.

Outros centros de relevância secundária

Além dos quatro polos principais, outras cidades europeias contribuem para o ecossistema do setor. Valência e Madrid servem de plataforma para o mercado ibérico e latino-americano de joalharia. Vicenza, em Itália, acolhe a Vicenzaoro, considerada a mais importante feira europeia de ouro e joias, que inclui uma componente dedicada a pedras preciosas e diamantes. Munique alberga a GemWorld Munich, uma das maiores plataformas europeias para minerais, gemas e joias no contexto da Munich Expo.

Desafios e tendências em 2026

O mercado europeu de diamantes enfrenta em 2026 três pressões estruturais simultâneas. A primeira é o impacto persistente da proibição dos diamantes russos, que reconfigurou as rotas de abastecimento e reduziu a oferta de diamantes em bruto disponíveis nos canais ocidentais. A segunda é o crescimento acelerado dos diamantes cultivados em laboratório (também chamados lab-grown diamonds), que os consumidores europeus adotam crescentemente por razões de sustentabilidade e preço — estimando-se que a preferência por sustentabilidade afete as escolhas de 40 % dos compradores europeus. A terceira é a compressão de preços: apesar da recuperação de volume em Antuérpia no início de 2026, os preços dos diamantes em bruto recuaram 27 % no primeiro trimestre face ao mesmo período de 2025.

Simultaneamente, o mercado de luxo — representado por Genebra e Londres — mantém-se mais resiliente, dado que os diamantes raros e as peças de alta joalharia respondem a uma procura menos sensível ao preço e mais orientada para o valor intrínseco e a raridade da pedra.

Perguntas frequentes

Qual é a cidade europeia com maior volume de comércio de diamantes?

Antuérpia, na Bélgica, é a cidade com maior volume de comércio de diamantes da Europa e do mundo. Em 2024 processou mais de 225 milhões de quilates em mais de 75 000 expedições, representando cerca de 85 % dos diamantes em bruto transacionados globalmente.

Qual é o papel de Genebra no mercado de diamantes?

Genebra especializa-se no segmento de alta joalharia e diamantes de coleção. A cidade acolhe exposições exclusivas como a Jewellery Geneva e leilões de prestígio das casas Sotheby's e Christie's, sendo uma referência mundial para diamantes raros e de valor excecional.

Amesterdão ainda é um centro importante de diamantes?

Amesterdão tem relevância histórica como berço da lapidação moderna e do corte brilhante, mas o seu peso comercial atual é menor do que o de Antuérpia ou Londres. A empresa Gassan Diamonds mantém viva a tradição local, com atividade de lapidação e venda ao público.

Porque é que o comércio de diamantes em Antuérpia diminuiu nos últimos anos?

A quebra deve-se à combinação de três fatores: a proibição dos diamantes russos (que representavam 35 % das importações em bruto), a queda da procura de diamantes polidos a nível global e a concorrência crescente dos diamantes cultivados em laboratório, que pressionam os preços em baixa.

O que é o Processo de Kimberley e como afeta o comércio europeu de diamantes?

O Processo de Kimberley é um sistema internacional de certificação criado em 2003 para impedir que diamantes de conflito (chamados "diamantes de sangue") entrem nos mercados legais. As bolsas europeias, incluindo a de Londres e as de Antuérpia, exigem que os seus membros cumpram este processo como condição de participação.

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