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Chefchaouen: a cidade da famosa medina azul de Marrocos

Publicado 7. junho 2025 Atualizado 28. junho 2026

A cidade marroquina que abriga a famosa medina azul é Chefchaouen (também grafada Chaouen ou Xexuão, em transliterações mais antigas), situada no noroeste de Marrocos, encravada nas montanhas do Rif. Conhecida como a «Pérola Azul de Marrocos», deve a sua fama mundial às ruas, paredes, escadarias e portas pintadas em incontáveis tons de azul, que transformaram o seu casco histórico num dos cenários mais fotografados do norte de África. Apesar de existirem outras localidades com apontamentos azuis, é Chefchaouen que detém, sem rival, o título de «cidade azul».

Onde fica Chefchaouen

Chefchaouen localiza-se na região de Tânger-Tetuão-Alhucemas, a cerca de 600 metros de altitude, aos pés de dois cumes das montanhas do Rif. O próprio nome remete para esta geografia: deriva de uma expressão berbere que evoca os «cornos» ou picos gémeos que dominam a paisagem por cima da povoação. A cidade fica relativamente próxima do estreito de Gibraltar e das cidades de Tetuão e Tânger, o que a torna acessível a quem chega do sul de Espanha. A sua população ronda os 40 mil habitantes, na sua maioria de origem berbere, numa zona montanhosa rodeada de natureza, trilhos e fontes de água.

Origem histórica da cidade

Chefchaouen foi fundada em 1471 como uma pequena praça fortificada, organizada em torno de uma kasbah. A iniciativa coube a Moulay Ali ibn Rashid al-Alami, que ergueu o reduto como parte das defesas montadas para resistir à presença portuguesa e, mais tarde, espanhola no litoral norte-africano. A localização recolhida, entre montanhas de difícil acesso, conferiu à cidade um carácter fechado durante séculos.

Ao longo da Idade Moderna, Chefchaouen acolheu vagas de população muçulmana e judaica expulsa da Península Ibérica, sobretudo de Al-Andalus, após a Reconquista. Esse legado andaluz e sefardita marcou profundamente a arquitetura, a gastronomia e os costumes locais, e está na raiz de várias explicações para o azul que viria a celebrizar a medina.

Porque é que a medina é azul?

Não existe uma resposta única e consensual: a identidade azul de Chefchaouen resulta provavelmente da sobreposição de várias influências ao longo do tempo. As principais hipóteses são as seguintes:

  • Tradição judaica sefardita. A explicação mais difundida atribui o hábito à comunidade judaica. Para esta, o azul representava o céu e o divino — a mesma simbologia presente no fio azul tecido nos xailes de oração, destinado a recordar a presença de Deus. Segundo o testemunho dos mais velhos, durante muito tempo o azul limitou-se ao bairro judeu, o mellah, havendo memória de uma medina outrora quase totalmente branca. A prática terá ganho expressão sobretudo a partir da década de 1930, com a chegada de judeus que fugiam da perseguição na Europa.
  • Razões práticas. Há quem defenda que o azul ajudava a repelir mosquitos e a manter as casas mais frescas durante o calor do verão.
  • Simbologia da água e do mar. Para alguns residentes, o azul evoca o Mediterrâneo ou a importância da cascata de Ras el-Maa, fonte de água potável da cidade — e, por extensão, da própria vida numa região árida e montanhosa.

Seja qual for a origem, é hoje consensual que o turismo desempenha um papel decisivo na manutenção do fenómeno: as paredes são repintadas com regularidade, uma a duas vezes por ano, preservando a aparência que atrai visitantes de todo o mundo.

O que ver na cidade azul

O coração de Chefchaouen é a sua medina, uma das mais pequenas e melhor preservadas de Marrocos. As ruelas labirínticas, em tons de azul-celeste, azul-cobalto e turquesa, convidam a passear sem rumo definido. Entre os pontos de maior interesse contam-se:

  • A Praça Uta el-Hammam, centro social da medina, ladeada por cafés e pela kasbah.
  • A kasbah, fortaleza de paredes avermelhadas que alberga um museu etnográfico dedicado à história e aos costumes locais, além de jardins e de uma torre com vistas panorâmicas.
  • A Grande Mesquita, com o seu minarete octogonal de traça invulgar.
  • A cascata e o ribeiro de Ras el-Maa, à entrada da medina, onde tradicionalmente se lavava roupa.
  • A mesquita espanhola, num miradouro acima da cidade, ponto privilegiado para observar o casario azul ao pôr do sol.

A região é também conhecida pelo artesanato local, em particular tecidos de lã, mantas e artigos em pele, bem como por produtos como o queijo de cabra das montanhas do Rif.

Outras «cidades azuis» e a singularidade de Chefchaouen

Embora Chefchaouen seja a referência incontornável, o azul não é exclusivo desta localidade. Outras vilas marroquinas têm bairros ou apontamentos azulados, e o próprio Marrocos é frequentemente associado a paletas cromáticas fortes consoante a cidade — como o tom ocre de Marraquexe ou o branco-azul de algumas povoações costeiras. Ainda assim, é a extensão e a intensidade do azul em Chefchaouen, aplicado de forma sistemática a toda a medina, que tornam esta cidade única e justificam o seu estatuto de cartão de visita do turismo no norte de Marrocos em 2026.

Perguntas frequentes

Qual é a cidade da medina azul em Marrocos?

É Chefchaouen, situada nas montanhas do Rif, no noroeste de Marrocos. É mundialmente conhecida como a «cidade azul» ou «Pérola Azul de Marrocos» devido à sua medina pintada em vários tons de azul.

Porque é que Chefchaouen é pintada de azul?

Não há uma causa única. As explicações mais aceites apontam para a tradição judaica sefardita, que associava o azul ao céu e ao divino, mas também se referem razões práticas (afastar mosquitos e refrescar as casas) e simbólicas (a água e o Mediterrâneo). Atualmente, o turismo ajuda a manter a prática de repintar as paredes.

Quando foi fundada Chefchaouen?

A cidade foi fundada em 1471, como praça fortificada erguida por Moulay Ali ibn Rashid al-Alami para resistir à presença portuguesa e espanhola no norte de África.

Como se pronuncia e escreve o nome da cidade?

Escreve-se habitualmente Chefchaouen, surgindo também as formas Chaouen e, em transliterações antigas em português, Xexuão. O nome deriva de uma expressão berbere que evoca os dois picos montanhosos sobre a cidade.

Fontes: VagaMundos, NiT, AFAR, Much Better Adventures.

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