História de Palau: das origens pré-coloniais à independência
Palau é um arquipélago do Pacífico Ocidental composto por mais de 340 ilhas que, ao longo de milénios, foi palco de sucessivas vagas migratórias, colonizações europeias, ocupação japonesa e batalhas sangrentas durante a Segunda Guerra Mundial. A 1 de outubro de 1994, tornou-se formalmente uma república independente em livre associação com os Estados Unidos da América, encerrando um percurso histórico singular marcado por constantes mudanças de soberania.
Origens e período pré-colonial
Os primeiros habitantes de Palau chegaram às ilhas há cerca de 3 000 anos, com origens que as análises genéticas apontam para a ilha de Morotai, no arquipélago das Molucas do Norte (atual Indonésia). Por volta do século VI d.C., os assentamentos humanos estendiam-se já por todo o arquipélago. A sociedade palauana era — e em grande medida continua a ser — estruturada de forma matrilinear, com linhagens femininas a deter autoridade política e económica.
O primeiro contacto documentado com o mundo exterior foi acidental: em dezembro de 1696, um grupo de palauanos naufragou na ilha filipina de Samar. O missionário checo Paul Klein entrevistou os sobreviventes e elaborou o primeiro mapa aproximado do arquipélago, com base nos seus relatos e num esquema desenhado com seixos na praia.
Primeiro contacto europeu
O primeiro europeu a visitar Palau de forma documentada foi o capitão inglês Henry Wilson, cujo navio Antelope naufragou junto à ilha de Ulong em 1783. O alto-chefe local, Ibedul, acolheu Wilson e a sua tripulação e enviou mesmo o seu filho, o príncipe Lee Boo, para Inglaterra com a expedição de regresso. O jovem príncipe morreu em Londres pouco depois, vítima de varíola, mas o episódio gerou uma atenção europeia crescente sobre o arquipélago e inaugurou uma era de interesse colonial.
Período espanhol (1885–1899)
As potências europeias — Espanha, Grã-Bretanha e Alemanha — disputaram a soberania sobre Palau na segunda metade do século XIX. Em 1885, a controvérsia foi submetida à arbitragem do Papa Leão XIII, que reconheceu as pretensões espanholas, concedendo ao mesmo tempo concessões económicas a britânicos e alemães. As ilhas foram integradas nas Índias Orientais Espanholas. A presença espanhola foi, no entanto, relativamente discreta, concentrada sobretudo na evangelização católica.
Período alemão (1899–1914)
A derrota espanhola na Guerra Hispano-Americana de 1898 precipitou a venda das ilhas à Alemanha em 1899. Sob administração alemã, Palau conheceu uma transformação económica assinalável: foram criadas empresas mineiras, estabelecidas plantações de copra e lançadas as bases de uma infraestrutura administrativa moderna. A Alemanha incorporou as ilhas na colónia da Nova Guiné Alemã.
Período japonês (1914–1945)
Com o início da Primeira Guerra Mundial em 1914, o Japão — aliado das potências da Entente — ocupou militarmente as ilhas carolinas, onde Palau se inclui. Em 1920, a Liga das Nações formalizou o controlo japonês através de um mandato sobre os Mares do Sul (Nan'yō-chō). Koror tornou-se a capital administrativa deste vasto território e o Japão investiu fortemente na construção de infraestruturas, na expansão da indústria de copra e no desenvolvimento de instalações militares estratégicas.
Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial no Pacífico, Palau ganhou uma importância estratégica decisiva. O confronto mais significativo travado no arquipélago foi a Batalha de Peleliu (setembro–novembro de 1944), enquadrada na campanha das ilhas Marianas e Palau. As forças norte-americanas e japonesas combateram durante mais de dois meses pelo controlo do aeródromo de Peleliu, considerado indispensável para proteger as operações nas Filipinas. A batalha ficou registada na história militar americana como o assalto anfíbio com a maior taxa de baixas de toda a campanha do Pacífico: dos cerca de 28 000 soldados envolvidos, aproximadamente 40% foram mortos ou feridos, num total de cerca de 9 800 baixas.
Tutela americana e caminho para a independência (1947–1994)
Após o fim da guerra, as Nações Unidas estabeleceram, em 1947, o Território Fiduciário das Ilhas do Pacífico, entregue à administração dos Estados Unidos e abrangendo as ilhas Carolinas, Marianas (exceto Guam) e Marshall. Palau integrou este território.
Em 1978, quando as restantes ilhas votaram a favor de uma federação — os futuros Estados Federados da Micronésia —, Palau optou por um caminho distinto e aprovou uma constituição própria. A 1 de janeiro de 1981, foi proclamada a República de Palau. Em 1982, foi assinado um Pacto de Livre Associação com os Estados Unidos, mas a sua ratificação revelou-se um processo longo e conturbado: o documento exigia uma maioria qualificada de 75% em referendo popular, enquanto a constituição palauana proibia a presença de armas nucleares no território — cláusula incompatível com os termos do pacto americano. Foram necessários oito referendos ao longo de uma década, bem como uma emenda constitucional aprovada em 1992, para que o Pacto fosse finalmente ratificado em 1993.
A 1 de outubro de 1994, o Pacto entrou em vigor e Palau tornou-se um Estado soberano de pleno direito, sendo admitido como membro das Nações Unidas em dezembro do mesmo ano. Nos termos do acordo, os Estados Unidos continuam responsáveis pela defesa do território e providenciam apoio financeiro e acesso a serviços sociais federais.
Palau contemporâneo
Desde a independência, Palau consolidou um sistema republicano presidencialista com parlamento bicameral — o Congresso Nacional de Palau (Olbiil Era Kelulau). Em 2006, a capital oficial foi transferida de Koror para Ngerulmud, na ilha de Babeldaob, tornando-se uma das capitais nacionais menos populosas do mundo. O país distinguiu-se internacionalmente pela sua política de conservação ambiental, nomeadamente com a criação, em 2015, do Santuário Marinho Nacional de Palau, que proíbe a pesca comercial em 80% das suas águas territoriais, e pela introdução do "Compromisso de Palau", um juramento de respeito ambiental assinado por cada visitante à chegada. Em 2026, a presidência é exercida por Surangel Whipps Jr., eleito em novembro de 2020.
Perguntas frequentes
Quando é que Palau se tornou independente?
Palau tornou-se formalmente independente a 1 de outubro de 1994, quando entrou em vigor o Pacto de Livre Associação com os Estados Unidos, após a sua ratificação pelo povo palauno em 1993. O país foi admitido nas Nações Unidas em dezembro de 1994.
Quais foram os países que colonizaram Palau?
Palau foi sucessivamente administrada pela Espanha (a partir de 1885), pela Alemanha (1899–1914), pelo Japão sob mandato da Liga das Nações (1914–1945) e pelos Estados Unidos como Território Fiduciário das Nações Unidas (1947–1994).
O que foi a Batalha de Peleliu?
A Batalha de Peleliu foi um confronto travado entre forças norte-americanas e japonesas entre setembro e novembro de 1944, na ilha palauana de Peleliu. Ficou registada como o assalto anfíbio com a maior taxa de baixas americanas de toda a Segunda Guerra Mundial no Pacífico, com cerca de 9 800 baixas num contingente de 28 000 soldados.
Qual é a capital de Palau?
A capital oficial de Palau é Ngerulmud, na ilha de Babeldaob, desde 2006, quando substituiu Koror. Ngerulmud é uma das capitais nacionais menos populosas do mundo.
Qual é o sistema político de Palau?
Palau é uma república presidencialista. O presidente é simultaneamente chefe de Estado e chefe de Governo, eleito por sufrágio universal a cada quatro anos. O poder legislativo pertence ao Congresso Nacional de Palau, composto por um Senado e uma Câmara dos Delegados.