Quantidade de Purina no Achocolatado: Valores e Riscos
O achocolatado em pó, vulgarmente usado para preparar bebidas de chocolate ou polvilhar sobremesas, é frequentemente questionado por pessoas com hiperuricemia ou gota, uma vez que estas condições exigem atenção ao teor de purinas dos alimentos. Ao contrário do que muitos pensam, o achocolatado industrial não é equiparável ao cacau puro em termos de composição, e o seu teor de purinas é geralmente considerado baixo a moderado, dependendo da percentagem de cacau presente na fórmula.
O que são as purinas e porque são relevantes
As purinas são compostos naturais presentes nas células de praticamente todos os alimentos de origem animal e vegetal. Quando o organismo as metaboliza, produz ácido úrico como subproduto. Em pessoas saudáveis, o excesso de ácido úrico é eliminado pelos rins sem problemas, mas em quem sofre de hiperuricemia ou gota, a acumulação deste composto pode levar à formação de cristais nas articulações, causando dor e inflamação. Por isso, as dietas de controlo da gota costumam classificar os alimentos consoante o seu teor de purinas em baixo (inferior a 50 mg por 100 g), moderado (entre 50 e 150 mg por 100 g) ou elevado (acima de 150 mg por 100 g).
Quanto de purina tem o achocolatado
O cacau em pó puro, sem adição de açúcar ou outros ingredientes, apresenta um teor de purinas que ronda os 70 mg por 100 g, valor que o coloca na categoria moderada. No entanto, o achocolatado comercial vendido em embalagens de supermercado é, na prática, uma mistura em que o cacau representa apenas uma pequena fração do produto final, o restante sendo composto por açúcar, amido, aromas e, por vezes, leite em pó. Como resultado, o teor real de purinas por 100 g de achocolatado pronto a consumir é consideravelmente inferior ao do cacau puro, situando-se geralmente na faixa baixa, próxima ou inferior a 20-30 mg por 100 g, consoante a marca e a percentagem de cacau utilizada na formulação.
Esta diluição explica por que motivo a maioria das tabelas nutricionais usadas em contexto clínico classifica o chocolate e o achocolatado como alimentos de purina insignificante ou baixa, colocando-os ao lado de produtos como café, chá, óleos ou refrigerantes, em contraste com alimentos de purina elevada como vísceras, marisco ou extratos de carne.
Achocolatado, cacau puro e chocolate negro: diferenças a considerar
É importante distinguir os diferentes produtos derivados do cacau, uma vez que a quantidade de cacau concentrado influencia diretamente tanto o teor de purinas como o de outros compostos, como a teobromina. Em termos aproximados, 40 g de chocolate de leite contêm cerca de 70 mg de teobromina, enquanto a mesma quantidade de chocolate negro ou de cacau em pó puro pode conter até 250 mg. Como o achocolatado se aproxima mais do perfil do chocolate de leite, tanto o seu teor de purinas como o de teobromina tendem a ser mais moderados do que os do cacau concentrado ou do chocolate negro com elevada percentagem de cacau.
O achocolatado é seguro para quem tem gota ou ácido úrico elevado
Segundo a evidência científica disponível, o principal risco dietético para quem sofre de gota não está no cacau ou no chocolate, mas sim no consumo de carnes vermelhas, marisco, bebidas alcoólicas (sobretudo cerveja) e bebidas açucaradas ricas em frutose. Uma dieta equilibrada contém, em média, entre 600 e 1000 mg de purinas por dia, enquanto nos casos mais graves de gota se recomenda restringir a ingestão diária a cerca de 100-150 mg. Dado que o achocolatado contribui com uma quantidade relativamente pequena de purinas por porção habitual (geralmente uma a duas colheres de sopa, ou seja, 10 a 20 g), o seu consumo moderado não costuma representar um problema significativo para o controlo do ácido úrico.
Ainda assim, especialistas recomendam moderação, sobretudo devido ao elevado teor de açúcar de muitos achocolatados comerciais, que pode contribuir indiretamente para o aumento do ácido úrico através do metabolismo da frutose, um fator de risco reconhecido para a gota, independentemente do teor direto de purinas do produto.
Perguntas frequentes
O achocolatado tem muita purina?
Não. O achocolatado comercial, por conter uma percentagem reduzida de cacau diluída em açúcar e outros ingredientes, apresenta um teor de purinas geralmente baixo, muito inferior ao do cacau puro em pó.
Quem tem gota pode beber achocolatado?
Em quantidades moderadas, sim. O chocolate e os seus derivados não são considerados um dos principais fatores de risco dietético para a gota, ao contrário de carnes vermelhas, marisco e álcool, especialmente cerveja.
Qual a diferença entre achocolatado e cacau puro em termos de purinas?
O cacau em pó puro tem um teor de purinas moderado, próximo de 70 mg por 100 g, enquanto o achocolatado, por ser maioritariamente açúcar, apresenta valores bastante mais baixos por 100 g de produto.
O açúcar do achocolatado afeta o ácido úrico?
Sim, indiretamente. O excesso de açúcar, sobretudo frutose, pode contribuir para o aumento do ácido úrico, pelo que a moderação no consumo de achocolatados açucarados é aconselhável mesmo não sendo estes ricos em purinas.
Quanto tempo de dieta hipopurínica é necessário para reduzir o ácido úrico?
A resposta varia por pessoa, mas melhorias na dieta associadas a acompanhamento médico costumam mostrar efeitos na redução do ácido úrico ao longo de várias semanas de manutenção consistente do plano alimentar.