Velocidade de um foguete em km/h: valores e comparações
A velocidade de um foguete varia enormemente consoante a fase do voo, o destino e o tipo de missão. Não existe um único valor fixo: um foguete acelera progressivamente desde o lançamento até atingir a velocidade necessária para o seu objetivo — seja orbitar a Terra, viajar até à Lua ou escapar completamente da gravidade terrestre. Em termos gerais, para colocar um satélite em órbita baixa, um foguete tem de atingir cerca de 28 000 km/h; para abandonar a influência gravitacional da Terra, são necessários cerca de 40 320 km/h. Já o objeto mais rápido alguma vez construído pelo ser humano — a sonda Parker Solar Probe da NASA — chegou a atingir 692 000 km/h.
Do chão ao espaço: as fases de aceleração
Ao contrário do que a palavra "foguete" pode sugerir, estes veículos não partem instantaneamente em alta velocidade. No momento do lançamento, a velocidade é zero. Nos primeiros segundos, o foguete sobe lentamente, vencendo a gravidade e a resistência do ar denso das camadas inferiores da atmosfera. À medida que a altitude aumenta, o ar rarefeita, a resistência aerodinâmica diminui e os motores continuam a queimar combustível, o que permite uma aceleração progressiva e constante.
Numa missão típica de colocação de satélites em órbita baixa terrestre (LEO, do inglês Low Earth Orbit), o foguete demora entre 8 e 10 minutos a atingir a velocidade orbital. Nesse momento, os motores desligam-se e o veículo entra em órbita, mantendo-se em trajetória circular graças ao equilíbrio entre a gravidade e a velocidade tangencial.
Velocidade orbital: os ~28 000 km/h
A órbita baixa terrestre situa-se entre os 200 e os 2 000 quilómetros de altitude. Para um satélite ou estação espacial se manter nessa faixa sem cair de volta à Terra nem se afastar para o espaço, tem de se deslocar a aproximadamente 27 000 a 28 000 km/h (cerca de 7,8 km/s). A Estação Espacial Internacional (ISS), por exemplo, orbita a cerca de 408 km de altitude e viaja a aproximadamente 27 600 km/h, completando uma órbita completa à volta da Terra em apenas 92 minutos.
Para missões em órbitas mais elevadas, como a órbita geoestacionária (a cerca de 35 786 km), a velocidade orbital necessária é menor — cerca de 11 000 km/h — porque a distância ao centro da Terra é muito maior e a força gravitacional que "puxa" o satélite é, proporcionalmente, mais fraca.
Velocidade de escape: os ~40 320 km/h
A velocidade de escape é o valor mínimo que um objeto tem de atingir para se libertar permanentemente da gravidade terrestre sem qualquer propulsão adicional. Para a Terra, esse valor é de 11,2 km/s, equivalente a cerca de 40 320 km/h. É a velocidade a que missões como as do programa Apollo — rumo à Lua — ou as sondas interplanetárias têm de ser lançadas para não regressarem à Terra.
A título de comparação: um avião comercial de longa distância voa a cerca de 900 km/h e uma bala de pistola pode atingir entre 1 000 e 1 800 km/h. Um foguete em velocidade de escape é, portanto, cerca de 40 a 45 vezes mais rápido do que um avião de passageiros.
Foguetes notáveis e as suas velocidades máximas
Diferentes foguetes foram concebidos para diferentes fins, e isso reflete-se diretamente nas velocidades que conseguem alcançar:
- Saturn V (NASA, programa Apollo): o foguete mais poderoso já utilizado com sucesso até à data, o Saturn V acelerou as naves Apollo até cerca de 40 000 km/h para que pudessem escapar da gravidade terrestre e viajar até à Lua.
- Falcon 9 (SpaceX): o foguete mais utilizado no mundo em 2026, coloca cargas em órbita baixa a cerca de 28 000 km/h. A primeira fase é recuperada e reutilizável, pousando de forma autónoma poucos minutos após o lançamento.
- Starship (SpaceX): o maior foguete alguma vez construído, com 121 metros de altura, o Starship atingiu velocidade orbital durante os seus testes em 2024 e 2025. Em voos de missão completa, está dimensionado para atingir igualmente os ~28 000 km/h em órbita baixa, com capacidade para missões lunares e marcianas que requerem velocidades de escape.
- Ariane 6 (ESA): o foguete europeu de acesso ao espaço, operacional a partir de 2024, coloca cargas em órbita geoestacionária com velocidades na ordem dos 10 000 a 11 000 km/h na fase final da missão.
- New Glenn (Blue Origin): foguete pesado americano que realizou o seu primeiro voo em 2025, projetado para orbitar a Terra a velocidades semelhantes às do Falcon 9.
O recorde absoluto: a sonda Parker Solar Probe
Quando se fala do objeto mais rápido construído pela humanidade, o título pertence à Parker Solar Probe da NASA, uma sonda científica lançada em 2018 para estudar a coroa solar. A sonda não é tecnicamente um "foguete" no sentido habitual — é uma nave sem tripulação que usa assistências gravitacionais de Vénus para acelerar progressivamente —, mas foi lançada por um foguete (Delta IV Heavy) e continua a ser o resultado direto da propulsão por foguete.
Em dezembro de 2024, a Parker Solar Probe estabeleceu um novo recorde mundial ao atingir 692 000 km/h (cerca de 192 km/s) durante a sua aproximação mais próxima ao Sol, a apenas 6,1 milhões de quilómetros da superfície solar. Este recorde foi igualado em novas passagens próximas em março, junho e setembro de 2025. A velocidade foi possível graças à atração gravitacional do Sol: quanto mais perto, mais rápida se torna a sonda.
Para contextualizar: a 692 000 km/h, a sonda percorreria a distância entre Lisboa e o Porto (cerca de 300 km) em menos de dois segundos.
Porque é que os foguetes têm de ir tão rápido?
A velocidade elevada não é um capricho de engenharia — é uma necessidade física. Para que um objeto permaneça em órbita, tem de se mover suficientemente depressa para que a curvatura da sua trajetória corresponda à curvatura da Terra. Abaixo dessa velocidade, a gravidade puxa o objeto de volta ao solo; acima dela, o objeto afasta-se progressivamente. A órbita é, em sentido estrito, um estado de queda livre permanente em que o objeto "cai" continuamente mas a Terra "curva" igualmente por baixo dele.
Esta exigência de velocidade é também a razão pela qual o lançamento ao espaço consome tanta energia e combustível. A maior parte da massa de um foguete no momento do lançamento é precisamente propelente — até 90 % do peso total —, sendo a carga útil (satélite, cápsula ou astronautas) uma fração relativamente pequena do conjunto.
Perguntas frequentes
A que velocidade viaja um foguete em km/h?
Depende da missão. Para atingir a órbita baixa terrestre, um foguete tem de chegar a cerca de 28 000 km/h. Para sair completamente da gravidade da Terra e viajar para a Lua ou outros planetas, são necessários aproximadamente 40 320 km/h. Sondas interplanetárias como a Parker Solar Probe podem atingir velocidades muito superiores — o recorde atual é de 692 000 km/h.
Qual é o foguete mais rápido do mundo em 2026?
Em termos de foguetes de lançamento, o Saturn V da NASA continua a ser o que acelerou uma carga útil tripulada à maior velocidade — cerca de 40 000 km/h. Entre os foguetes ativos em 2026, o Starship da SpaceX e o Falcon 9 atingem velocidades orbitais de cerca de 28 000 km/h. O objeto mais rápido lançado por um foguete é a sonda Parker Solar Probe, com 692 000 km/h.
Qual é a velocidade de escape da Terra em km/h?
A velocidade de escape da Terra é de 11,2 km/s, o que equivale a aproximadamente 40 320 km/h. Abaixo deste valor, qualquer objeto lançado sem propulsão adicional acaba por regressar à Terra.
Um foguete é mais rápido do que um avião?
Sim, muito mais. Um avião comercial voa entre 800 e 950 km/h. Um foguete em velocidade orbital atinge cerca de 28 000 km/h, ou seja, aproximadamente 30 a 35 vezes mais rápido do que um avião de passageiros.
Quanto tempo demora um foguete a atingir a velocidade orbital?
Numa missão típica de colocação de satélites em órbita baixa, o foguete demora entre 8 e 10 minutos desde o lançamento até atingir a velocidade orbital de cerca de 28 000 km/h. Durante esse período, os motores queimam continuamente, consumindo a maior parte do combustível a bordo.