Donald Trump: quem é e como influencia o mundo em 2026
Donald John Trump é o 47.º presidente dos Estados Unidos da América, cargo que ocupa desde 20 de janeiro de 2025, após ter exercido também a presidência entre 2017 e 2021 como 45.º presidente. Empresário, figura mediática e político republicano, Trump tornou-se uma das personalidades mais polarizadoras da história recente, com um impacto profundo na política interna norte-americana e na ordem internacional. Em 2026, com 80 anos de idade, lidera um segundo mandato marcado por medidas económicas protecionistas, conflitos militares no Médio Oriente e uma reconfiguração das alianças ocidentais.
Origens e formação
Donald Trump nasceu a 14 de junho de 1946 em Queens, Nova Iorque, quarto de cinco filhos de Fred Trump, um próspero promotor imobiliário de origem germânica, e de Mary Anne MacLeod, imigrante escocesa. Cresceu num ambiente de abastança e foi educado em colégios privados, tendo frequentado a Academia Militar de Nova Iorque durante a adolescência. Completou os dois primeiros anos de estudos superiores na Universidade Fordham e transferiu-se posteriormente para a Wharton School da Universidade da Pensilvânia, onde concluiu uma licenciatura em economia em 1968.
Carreira empresarial
Após a conclusão dos estudos, Trump ingressou na empresa familiar, a Trump Management, especializando-se na gestão de imóveis residenciais no bairro do Queens e do Brooklyn. Em 1971 assumiu a liderança do grupo, que viria a ser renomeado como The Trump Organization em 1973. O seu primeiro grande projeto em Manhattan foi a requalificação do Grand Hyatt Hotel, em 1978, junto ao Grand Central Terminal, operação que o projetou para o primeiro plano dos meios imobiliários nova-iorquinos.
Em 1983 inaugurou o Trump Tower, um edifício luxuoso de 58 pisos na Quinta Avenida que se tornou tanto sede do seu império empresarial como símbolo da sua marca pessoal. Nas décadas seguintes, expandiu a sua atividade para cassinos, hotéis, campos de golfe e licenciamento do nome "Trump" a múltiplos projetos. Contudo, o percurso não foi linear: a organização apresentou seis pedidos de proteção contra falência entre os anos 1990 e a primeira metade dos anos 2000, sobretudo nos negócios de casinos em Atlantic City.
Entre 2004 e 2015, Trump conduziu o programa de televisão The Apprentice, emitido pela NBC, que o transformou numa figura omnipresente da cultura popular norte-americana e reforçou a sua imagem de empresário de sucesso junto do grande público.
Percurso político e ascensão à presidência
Ao longo das décadas, Trump manifestou por diversas vezes interesse em candidatar-se à presidência, mas foi apenas em 2015 que formalizou a sua entrada na corrida republicana. A sua candidatura, inicialmente menosprezada pela classe política tradicional, ganhou terreno através de uma retórica populista, crítica da imigração ilegal e do establishment de Washington, e da promessa de "Make America Great Again" (MAGA). Em novembro de 2016, derrotou a candidata democrata Hillary Clinton e foi eleito 45.º presidente dos Estados Unidos, tomando posse a 20 de janeiro de 2017.
O primeiro mandato ficou marcado por reduções de impostos, desregulação, renegociação de acordos comerciais, confronto com a China, saída do Acordo de Paris sobre o clima e tensões permanentes com os aliados europeus na NATO. Em 2021, após a derrota nas eleições de novembro de 2020 para o democrata Joe Biden, Trump recusou durante semanas reconhecer os resultados eleitorais. A 6 de janeiro de 2021, uma multidão de apoiantes invadiu o Capitólio dos EUA, num episódio que marcou profundamente a democracia americana. Trump foi objeto de dois processos de destituição (impeachment) pelo Congresso — o segundo relacionado com os eventos de 6 de janeiro — mas em nenhum dos casos foi removido do cargo pelo Senado.
Após quatro anos fora da Casa Branca, durante os quais enfrentou múltiplas acusações criminais em diversos tribunais, Trump regressou às eleições em 2024 e venceu o candidato democrata, assegurando um segundo mandato sem precedentes na história americana recente.
Segundo mandato presidencial (2025–2029)
Trump tomou posse como 47.º presidente a 20 de janeiro de 2025. Desde então, o seu segundo mandato tem-se caracterizado por uma aceleração das políticas já anunciadas durante a campanha. Até abril de 2026, assinou 254 ordens executivas, 59 memorandos e 136 proclamações presidenciais, um ritmo legislativo por decreto sem paralelo na era moderna.
A peça legislativa mais relevante do primeiro ano foi a One Big Beautiful Bill Act, promulgada a 4 de julho de 2025, que reuniu num único diploma a reforma fiscal, medidas de segurança fronteiriça e imigração, investimento na defesa, produção de energia e ajustamentos a programas sociais como o SNAP e o Medicaid.
Influência na economia mundial: tarifas e guerra comercial
Uma das marcas mais visíveis da presidência Trump tem sido a adoção de uma política comercial profundamente protecionista. Em fevereiro e abril de 2025, o governo norte-americano impôs tarifas elevadas sobre produtos chineses, desencadeando uma guerra comercial que rapidamente se alargou a outros parceiros. Os níveis tarifários atingiram os mais altos desde a Lei Arancelária Smoot-Hawley de 1930, injetando incerteza nos mercados globais e perturbando as cadeias de abastecimento internacionais.
A consultora Oxford Economics estimou que, em caso de tarifas de 25% sobre produtos europeus com retaliação proporcional, o PIB dos EUA e da Europa poderia crescer cerca de um ponto percentual abaixo do esperado, com a economia mundial a abrandar de forma significativa. Em maio de 2026, a inflação nos EUA atingiu o nível mais elevado em três anos e a confiança dos consumidores tocou mínimos históricos, em parte agravados pela instabilidade no Médio Oriente.
Política externa e conflitos no Médio Oriente
Em matéria de política externa, o segundo mandato de Trump aprofundou os traços já presentes entre 2017 e 2021: uso coercivo de instrumentos económicos, primazia do poder sobre as normas do direito internacional e uma leitura clássica da geopolítica assente no controlo do espaço e dos recursos.
O governo norte-americano aumentou o apoio militar a Israel na guerra em Gaza e lançou ataques contra alvos dos Houthis no Iémen entre março e maio de 2025. Em junho de 2025, durante o chamado conflito de doze dias, os EUA participaram em ataques às instalações nucleares iranianas. Em fevereiro de 2026, Trump ordenou uma operação militar de larga escala contra o Irão em conjunto com Israel, com o objetivo declarado de mudança de regime — incluindo o assassínio do líder supremo Ali Khamenei —, o que desencadeou a crise do Estreito de Ormuz de 2026 e uma crise energética com impacto global nos preços do petróleo.
Relação com a NATO e a Europa
A relação de Trump com os aliados europeus tem sido de tensão permanente. A sua narrativa de que a NATO serve para os países europeus "subcontratarem" a sua defesa aos EUA questionou, pela primeira vez desde 1945, o carácter incondicional das garantias de segurança norte-americanas à Europa. Especialistas em relações internacionais classificam esta mudança como uma das mais profundas transformações estratégicas do Ocidente desde o fim da Guerra Fria.
A disputa em torno da Gronelândia — território autónomo dinamarquês que Trump expressou interesse em incorporar —, bem como as ameaças de tarifas sobre produtos europeus, colocaram a União Europeia sob pressão para desenvolver uma maior autonomia estratégica e industrial. Em resposta, vários países europeus aceleraram o aumento das despesas de defesa para cumprir as metas de 2% do PIB exigidas pela NATO.
Perspetivas para o resto do mandato
O ano de 2026 é considerado um ponto de inflexão para o legado do segundo mandato. As eleições intercalares (midterms) de novembro de 2026 constituem um teste crucial ao apoio popular, com a situação económica — inflação, desemprego, impacto das tarifas — a condicionar as perspetivas do Partido Republicano. Em paralelo, as repercussões da crise do Estreito de Ormuz e os desenvolvimentos no conflito com o Irão continuam a dominar a agenda internacional. Estava igualmente prevista uma visita a Pequim para uma cimeira com o presidente chinês Xi Jinping, refletindo a centralidade da relação sino-americana nos próximos anos.
Perguntas frequentes
Quantos mandatos presidenciais teve Donald Trump?
Donald Trump exerceu dois mandatos presidenciais: o primeiro entre 2017 e 2021, como 45.º presidente, e o segundo a partir de 20 de janeiro de 2025, como 47.º presidente, com mandato previsto até 2029. A Constituição dos EUA proíbe um terceiro mandato.
O que é a política de tarifas de Trump e qual o seu impacto?
Trump impôs tarifas alfandegárias elevadas sobre produtos chineses e de outros países, com o objetivo declarado de proteger a indústria norte-americana e reduzir o défice comercial. O impacto incluiu uma guerra comercial com a China, tensões com a União Europeia e um aumento da inflação nos EUA, que em maio de 2026 atingiu o nível mais alto em três anos.
O que é o movimento MAGA?
MAGA é o acrónimo de Make America Great Again ("Tornar a América Grande Outra Vez"), slogan adotado por Trump desde a campanha de 2016. Refere-se a um movimento político populista e nacionalista que defende o protecionismo económico, o controlo da imigração e uma postura cética em relação às instituições multilaterais e aos acordos internacionais.
Como é que Trump influencia a NATO e a defesa europeia?
Trump tem questionado sistematicamente o compromisso incondicional dos EUA com a defesa da Europa, pressionando os aliados a aumentarem as suas despesas militares para 2% do PIB. Esta postura levou vários países europeus a acelerar o investimento em defesa e relançou o debate sobre uma maior autonomia estratégica europeia face aos EUA.
Quais são as principais polémicas do percurso político de Trump?
Trump foi alvo de dois processos de destituição (impeachment) pelo Congresso, em 2019 e 2021, sem que em nenhum dos casos tenha sido removido do cargo pelo Senado. Após as eleições de 2020, recusou reconhecer a vitória de Biden, e a invasão do Capitólio por apoiantes seus a 6 de janeiro de 2021 tornou-se um dos episódios mais graves da democracia americana recente. No seu regresso ao poder em 2025-2026, gerou nova controvérsia com ações militares no Irão e uma política económica que agravou a inflação.