Salario minimo em Portugal 2026: valor bruto, liquido e subsidios
O salário mínimo nacional em Portugal subiu a 1 de janeiro de 2026 para 920 euros brutos, mais 50 euros do que o valor em vigor em 2025. Em termos líquidos, o trabalhador recebe 818,80 € por mês, depois do desconto de 11% para a Segurança Social, mantendo-se isento de IRS. Subsídios de férias, Natal, alimentação e ajudas de custo são pagos à parte. O acordo tripartido em vigor prevê novas subidas até aos 1.020 € em 2028.
Esta atualização afeta cerca de 1 em cada 4 trabalhadores em Portugal, define o teto para muitas prestações sociais e mexe com contratos coletivos, contribuições e benefícios fiscais. Este guia explica em pormenor como se calcula o salário líquido, o que conta e o que não conta para o mínimo, o impacto nas pensões e o calendário de subidas até 2028.
Valor do salário mínimo em 2026
A retribuição mínima mensal garantida (RMMG), ou salário mínimo nacional, é fixada anualmente por decreto-lei após acordo na Concertação Social. Em 2026:
- Bruto mensal: 920 €.
- Bruto anual (14 meses): 12.880 €.
- Aumento face a 2025: 50 € (5,7%).
A subida acima da inflação esperada (cerca de 2-2,5%) traduz-se em ganho real do poder de compra. Aplica-se a todos os trabalhadores por conta de outrem com horário completo, no continente, ilhas, com adaptações na Madeira e nos Açores (estes têm acréscimos regionais).
Quanto fica o salário líquido
O cálculo é direto, porque o trabalhador com salário mínimo está isento de IRS:
- Salário bruto: 920 €.
- Desconto Segurança Social (11%): 101,20 €.
- Salário líquido: 818,80 € por mês.
A entidade patronal paga ainda 23,75% sobre o bruto para a Segurança Social (parte patronal), pelo que o custo total do trabalhador para a empresa é de 1.138,50 € por mês, ou cerca de 15.939 € por ano (incluindo subsídios de férias e Natal).
IRS e mínimo de existência
A reforma do IRS criou um mínimo de existência que isenta totalmente rendimentos anuais até 12.880 € (em 2026). Como o salário mínimo anual (920 € × 14 meses) é exatamente 12.880 €, o trabalhador a tempo inteiro com o salário mínimo não paga IRS.
Em situações de trabalho a tempo parcial ou de salários acima do mínimo, o cálculo é diferente: aplicam-se as tabelas de retenção na fonte do IRS conforme escalão, número de dependentes e situação familiar.
O que conta e o que não conta para o salário mínimo
Conta como remuneração-base
- Vencimento mensal fixo definido em contrato.
Não conta (pagam-se à parte)
- Subsídio de alimentação (em 2026, isento de impostos até 6 €/dia em dinheiro ou 10,20 €/dia em cartão).
- Subsídio de transporte.
- Diuturnidades.
- Ajudas de custo.
- Trabalho suplementar (horas extras).
- Prémios e gratificações.
- Comissões variáveis.
- Subsídio de férias e de Natal (mesmo quando pagos em duodécimos).
- Isenção de horário.
Por isso, um trabalhador com salário mínimo e subsídio de refeição em cartão recebe, na prática, cerca de 1.040 € líquidos por mês contando os 22 dias úteis × 10,20 €.
Subsídios de férias e de Natal
O trabalhador tem direito a 14 meses de retribuição por ano: 12 mensalidades + subsídio de férias + subsídio de Natal. Ambos os subsídios correspondem ao valor de um mês de salário-base.
- Subsídio de férias: pago habitualmente até ao início do gozo das férias (geralmente verão).
- Subsídio de Natal: pago até 15 de dezembro.
Desde 2025 muitas empresas optam por pagar os subsídios em duodécimos (parcela mensal de 1/12 ao longo do ano), com acordo do trabalhador. Mesmo nesse caso, contam separadamente do salário-base.
Impacto noutras prestações
O salário mínimo é referência para várias prestações sociais e legais:
- Indexante dos Apoios Sociais (IAS): o IAS de 2026 ficou em 522,50 €, atualizado em paralelo.
- Pensão social mínima: indexada ao salário mínimo ou ao IAS.
- Complemento solidário para idosos: limites de rendimento atualizados.
- Penhoras de salário: o salário mínimo é geralmente impenhorável.
- Apoios à habitação: alguns programas exigem rendimento até x vezes o salário mínimo.
Pensão e segurança social
Os descontos de 11% do trabalhador e 23,75% da entidade patronal sobre o salário mínimo fazem ano a ano contribuição para a futura pensão. Para 2026, alguém que tenha contribuído toda a vida apenas pelo salário mínimo terá uma pensão estimada de cerca de 580-650 € (dependendo da carreira contributiva e da idade da reforma), valor reforçado pelo complemento solidário se for caso disso.
Calendário de subidas até 2028
O acordo tripartido entre Governo, confederações patronais e UGT prevê, no quadro atual:
- 2026: 920 € (em vigor).
- 2027: 970 € previstos.
- 2028: 1.020 € previstos.
O patamar dos mil euros, durante anos um símbolo político e sindical, será atingido em 2028. A CGTP-IN tem reclamado uma trajetória mais rápida, com 1.000 € já em 2027.
Diferenças nas regiões autónomas
- Madeira: o salário mínimo regional em 2026 é 966 € (5% acima do continental, por decreto regional).
- Açores: 952,20 € (3,5% acima).
Estas atualizações decorrem da autonomia política das regiões e do reconhecimento de custos de vida acrescidos pelo carácter insular.
Cuidado com fraudes ao salário mínimo
É ilegal:
- Pagar abaixo do valor mensal, mesmo com acordo do trabalhador.
- Compensar o salário-base com subsídios variáveis.
- Reduzir o vencimento a pretexto de gratificações ou prémios anuais.
- Não pagar férias, Natal e descanso semanal.
A Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) inspeciona e tem aplicado coimas consideráveis. O trabalhador pode denunciar online em act.gov.pt, mantendo o anonimato.
Salário mínimo a tempo parcial
Quem trabalha a tempo parcial tem direito a valor proporcional. Por exemplo, contrato de 20 horas semanais (50% do tempo completo) implica salário mínimo de 460 € brutos. Subsídios de férias e Natal também são proporcionais.
Empresas: impacto e apoios
Para empresas, sobretudo PME e setores com salários mais baixos (restauração, comércio, agricultura, têxtil), a subida tem impacto direto nos custos. O Estado tem aplicado mecanismos de compensação:
- Redução de 0,2 a 0,5 pontos percentuais da Taxa Social Única (TSU) patronal para trabalhadores ao salário mínimo, durante períodos definidos.
- Programas de formação cofinanciados pelo IEFP.
- Linhas de crédito para tesouraria em setores afetados.
Simulação prática
Trabalhador solteiro, sem dependentes, sem isenção de horário, com subsídio de refeição em cartão:
- Salário bruto: 920 €.
- Segurança Social: 101,20 €.
- Líquido em salário: 818,80 €.
- Subsídio de refeição (22 dias × 10,20 €): 224,40 € líquidos.
- Total líquido por mês: 1.043,20 €.
- 14 meses + subsídios + alimentação: aproximadamente 14.155 € líquidos por ano.
Perguntas frequentes
Qual é o salário mínimo em Portugal em 2026?
920 € brutos por mês, ou 818,80 € líquidos. Anualmente, 12.880 € em 14 meses.
Quem ganha o salário mínimo paga IRS?
Não. O mínimo de existência isenta totalmente rendimentos anuais até 12.880 €, valor exato do salário mínimo anual em 2026.
O subsídio de alimentação conta para o salário mínimo?
Não. Salário mínimo refere-se à remuneração-base. O subsídio de refeição é pago à parte e isento até 6 €/dia em dinheiro ou 10,20 €/dia em cartão.
Quanto sobe o salário mínimo em 2027?
Previsto subir para 970 €, segundo o acordo tripartido em vigor.
O que é o IAS e quanto está em 2026?
O Indexante dos Apoios Sociais é o valor de referência para cálculo de prestações sociais. Em 2026 ficou fixado em 522,50 €.
Como denunciar quando uma empresa paga abaixo do salário mínimo?
Pode apresentar queixa anónima à Autoridade para as Condições do Trabalho em act.gov.pt, na linha 215 803 700, ou nas delegações distritais.