ADHD vs ADD: Quais São as Principais Diferenças
A confusão entre os termos «ADHD» e «ADD» é frequente, mas tem uma explicação simples: na prática clínica atual, em 2026, deixou de existir uma distinção formal entre os dois. O «ADD» (Attention Deficit Disorder) é um termo antigo, abandonado pelos manuais de diagnóstico há mais de três décadas, enquanto o «ADHD» (Attention Deficit Hyperactivity Disorder) é a designação atual e abrangente. Em português europeu, esta perturbação é habitualmente referida como PHDA — Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção. Compreender por que razão estes termos coexistem na linguagem corrente exige perceber a história do diagnóstico e a forma como a ciência reorganizou estes conceitos.
ADD e ADHD: uma questão de terminologia, não de doenças diferentes
Ao contrário do que muita gente pensa, «ADD» e «ADHD» não designam duas perturbações distintas. Trata-se de duas designações sucessivas da mesma condição, separadas no tempo. A diferença não está no doente, mas na evolução da nomenclatura médica.
O termo «ADD» foi introduzido em 1980, na terceira edição do Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM-III), da Associação Americana de Psiquiatria. Nessa altura, distinguiam-se duas variantes: «ADD com hiperatividade» e «ADD sem hiperatividade». Em 1987, com a revisão do manual (DSM-III-R), a designação passou a «ADHD», unificando as duas formas sob um único rótulo. Desde então, «ADD» tornou-se um termo obsoleto do ponto de vista clínico, embora tenha persistido na linguagem popular para descrever quem tem dificuldades de atenção sem agitação física evidente.
O que diz o diagnóstico atual
O DSM-5, publicado em 2013, e a sua revisão DSM-5-TR consolidaram definitivamente o conceito único de PHDA. A Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial de Saúde, na sua 11.ª edição (CID-11), seguiu o mesmo caminho, adotando igualmente a designação ADHD e substituindo as antigas categorias da CID-10. Por outras palavras, nem o manual americano nem o sistema internacional reconhecem hoje o «ADD» como diagnóstico autónomo.
A justificação científica para esta unificação é clara: a desatenção e a hiperatividade não são perturbações separadas, mas manifestações diferentes do mesmo quadro neurológico de base. Muitas pessoas, ao longo da vida, transitam entre umas e outras — daí a opção por um único diagnóstico com várias formas de apresentação.
As três apresentações da PHDA
Em vez de doenças distintas, o DSM-5 reconhece três apresentações (anteriormente chamadas «subtipos») da mesma perturbação. É precisamente aqui que se situa aquilo que, no passado, separava o «ADD» do «ADHD».
- Apresentação predominantemente desatenta: corresponde ao que muitos ainda chamam «ADD». Caracteriza-se por dificuldade em manter a atenção, erros por descuido, problemas de organização, esquecimento de tarefas diárias, tendência a perder objetos e distração fácil — sem agitação física marcada. É uma forma mais discreta, frequentemente subdiagnosticada, sobretudo em raparigas e mulheres.
- Apresentação predominantemente hiperativa-impulsiva: domina a agitação motora, a dificuldade em permanecer sentado, o falar em excesso, o interromper os outros e o agir sem pensar nas consequências. A desatenção não é o traço dominante.
- Apresentação combinada: reúne sintomas significativos de desatenção e de hiperatividade-impulsividade. É a forma mais comum nas crianças encaminhadas para avaliação.
Assim, quando alguém usa hoje o termo «ADD», está geralmente a referir-se à apresentação predominantemente desatenta da PHDA. A diferença entre «ADHD» e «ADD», na linguagem do dia a dia, traduz sobretudo a presença ou ausência de hiperatividade visível.
Critérios e diagnóstico
O DSM-5 enumera nove sintomas de desatenção e nove de hiperatividade-impulsividade. Para o diagnóstico, é necessária a presença de pelo menos seis sintomas de um dos grupos (ou de ambos) nas crianças, número que desce para cinco em adolescentes mais velhos e adultos. Os sintomas devem estar presentes antes dos 12 anos, manifestar-se em mais do que um contexto — por exemplo, em casa e na escola ou no trabalho — e causar prejuízo real no funcionamento.
Um aspeto importante é que as apresentações não são fixas. Uma criança diagnosticada com a forma combinada ou hiperativa pode, à medida que cresce, ver a agitação física diminuir e evoluir para um quadro predominantemente desatento na idade adulta. Esta fluidez reforça a lógica de um diagnóstico único e flexível, em vez de categorias rígidas e separadas.
Por que persiste a confusão
A permanência do termo «ADD» na linguagem comum deve-se a vários fatores. Por um lado, gerações inteiras foram diagnosticadas com «ADD» antes de 1987 e continuam a usar a designação com que cresceram. Por outro, o termo é útil de forma intuitiva para distinguir quem é sonhador, distraído e introspetivo de quem é agitado e impulsivo. Os meios de comunicação, as redes sociais e mesmo alguns profissionais continuam a empregar «ADD» informalmente. Tecnicamente, porém, a designação correta em 2026 é PHDA (ou ADHD), com a indicação da apresentação predominante.
Perguntas frequentes
O ADD ainda existe como diagnóstico?
Não. Desde 1987, com o DSM-III-R, o termo «ADD» deixou de ser um diagnóstico oficial. Atualmente fala-se em PHDA (ou ADHD), e o que antigamente se chamava «ADD» corresponde à apresentação predominantemente desatenta da perturbação.
Qual é a principal diferença entre ADD e ADHD?
A diferença está na presença de hiperatividade. O termo «ADD» era usado para casos sem agitação física evidente, marcados sobretudo pela desatenção, enquanto «ADHD» inclui também a hiperatividade e a impulsividade. Hoje, ambos fazem parte do mesmo diagnóstico.
Como se chama esta perturbação em Portugal?
Em português europeu, a designação habitual é PHDA — Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção. É o equivalente direto do termo internacional ADHD.
Uma pessoa pode mudar de apresentação ao longo da vida?
Sim. As apresentações da PHDA são fluidas. É comum que a hiperatividade diminua com a idade, levando uma pessoa diagnosticada na infância com a forma combinada a apresentar, em adulta, um quadro predominantemente desatento.