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Como os Pinguins Mergulham para se Alimentar

Publicado 23. maio 2026 Atualizado 26. junho 2026

Como os pinguins mergulham para se alimentar?

Os pinguins são aves marinhas que perderam a capacidade de voar mas converteram as asas em barbatanas, tornando-se nadadores e mergulhadores de exceção. Toda a sua alimentação depende daquilo que conseguem capturar debaixo de água: peixe, krill e lulas. Para o fazer, executam mergulhos repetidos e altamente controlados, em que cada espécie ajusta a profundidade, a duração e a técnica àquilo que persegue e às condições do oceano. O mergulho de um pinguim não é um salto às cegas — é um comportamento de caça medido, sustentado por adaptações fisiológicas extremas e por uma eficiência energética notável.

O corpo de um mergulhador

A forma do pinguim resolve um problema central: deslocar-se depressa num meio mil vezes mais denso do que o ar. O corpo fusiforme reduz a resistência ao avanço, as asas rígidas funcionam como remos que geram impulso tanto na descida da batida como na subida, e os pés e a cauda servem de leme. A propulsão vem quase toda das asas, ao contrário de muitas aves aquáticas que remam com as patas.

Por baixo desta hidrodinâmica está uma fisiologia adaptada à apneia prolongada. Os pinguins possuem concentrações elevadas de hemoglobina no sangue e de mioglobina nos músculos, dois pigmentos que armazenam oxigénio e permitem continuar a trabalhar quando deixam de respirar. Durante o mergulho, o ritmo cardíaco abranda drasticamente — um fenómeno chamado bradicardia — e o fluxo sanguíneo é redirecionado para os órgãos essenciais, poupando oxigénio. A estrutura óssea, relativamente flexível e densa, e a capacidade de tolerar pressões dezenas de vezes superiores à atmosférica completam o equipamento que torna possível descer a centenas de metros.

Até onde e por quanto tempo mergulham

A profundidade varia enormemente entre espécies. O pinguim-imperador (Aptenodytes forsteri) é o recordista absoluto: alimenta-se sobretudo entre os 150 e os 250 metros, mas é capaz de mergulhos de caça que vão dos 100 aos 500 metros. O mergulho mais profundo alguma vez registado num pinguim-imperador atingiu cerca de 565 metros, e a imersão mais longa documentada prolongou-se por aproximadamente 22 minutos. Em condições normais de alimentação, porém, cada mergulho dura tipicamente entre 3 e 6 minutos.

As espécies mais pequenas operam noutra escala. O pinguim-azul ou pinguim-pequeno (Eudyptula minor), o mais pequeno do mundo, faz mergulhos curtos e pouco profundos, geralmente de poucas dezenas de metros e de segundos a um ou dois minutos. O pinguim-rei (Aptenodytes patagonicus) ocupa uma posição intermédia, mergulhando regularmente a mais de cem metros atrás de peixe-lanterna. Esta diversidade reflete diferenças de tamanho corporal — quanto maior o animal, mais oxigénio armazena e mais fundo pode ir — e também do tipo de presa que cada espécie explora.

A técnica do mergulho de caça

Um mergulho de alimentação tem normalmente três fases. Na descida, o pinguim nada com força para vencer a flutuabilidade do corpo, que no início está aumentada pelo ar retido na plumagem e nos sacos aéreos. Na fase de fundo, onde decorre a captura, persegue e engole as presas. Na subida, aproveita a flutuabilidade do ar comprimido que se expande à medida que a pressão diminui, deixando-se por vezes impulsionar quase passivamente para a superfície e economizando energia.

Os pinguins distinguem-se em dois grandes estilos de procura de alimento. Os mergulhos pelágicos decorrem em pleno mar aberto, capturando cardumes ou enxames de krill suspensos na coluna de água. Os mergulhos bentónicos dirigem-se ao fundo, onde a ave rasteja ou procura junto ao substrato — comportamento documentado, por exemplo, em pinguins-saltarrochas. Muitas espécies alternam entre os dois conforme a presa disponível.

A captura faz-se à vista. Os pinguins têm boa visão subaquática e caçam preferencialmente em períodos e profundidades com luz suficiente para detetar as presas. O bico, em algumas espécies guarnecido de pequenas estruturas viradas para dentro na boca e na língua, ajuda a segurar animais escorregadios como o peixe, que é engolido inteiro, normalmente de cabeça para baixo.

Caçar com eficiência energética

Cada mergulho é um investimento: gasta-se oxigénio e energia para obter alimento. Por isso, o comportamento de caça dos pinguins está fortemente otimizado para o rendimento. A investigação sobre pinguins-imperadores mostrou que existe uma relação entre a profundidade e a eficiência do mergulho — descer mais fundo custa mais, pelo que a ave só o faz quando a recompensa o justifica. Em pinguins-de-adélia, estudos verificaram que a frequência de mergulhos de alimentação prevê o ganho de massa corporal: cada mergulho adicional por hora correspondia, em média, a cerca de 170 gramas de peso ganho, e a frequência explicava perto de metade da variação na massa dos animais.

Esta otimização também é flexível. Trabalhos recentes, de 2024 e 2025, sobre pinguins-rei e pinguins-de-fiordland (tawaki) mostraram que os animais ajustam ativamente a estratégia às condições do mar e à disponibilidade de presa: dirigem-se a estruturas oceanográficas previsíveis onde o alimento se concentra e variam entre mergulhos mais profundos e rápidos ou mais superficiais e lentos, conforme o que rende mais em cada ano. Um estudo biomecânico de 2024 sobre o pinguim-azul analisou a locomoção subaquática a partir de dados de mergulhos livres, relacionando a forma de nadar com o sucesso na captura de presas.

O gelo e o oxigénio como limites

Nas espécies antárticas, o mergulho está condicionado pelo gelo marinho. Os pinguins precisam de superfícies abertas — fendas ou orifícios na banquisa — para respirar entre séries de mergulhos, e a distância até esses pontos influencia a duração de cada imersão. Estudos em pinguins-de-adélia mostraram que, em mar livre de gelo, as aves capturavam mais krill por unidade de tempo e encurtavam os mergulhos, libertas da necessidade de encontrar aberturas para respirar. Por isso, a extensão e a estabilidade do gelo afetam diretamente o sucesso da alimentação e, em última análise, o sucesso reprodutor das colónias — uma ligação que torna estas aves particularmente sensíveis às alterações climáticas.

Perguntas frequentes

Qual é o pinguim que mergulha mais fundo?

O pinguim-imperador é o recordista. Alimenta-se normalmente entre os 150 e os 250 metros, mas pode atingir 500 metros num mergulho de caça. O mergulho mais profundo já registado chegou a cerca de 565 metros.

Quanto tempo consegue um pinguim ficar debaixo de água?

Na maioria dos mergulhos de alimentação, entre 3 e 6 minutos. Em casos extremos, um pinguim-imperador foi documentado a permanecer submerso cerca de 22 minutos.

Como é que os pinguins conseguem aguentar tanto tempo sem respirar?

Graças a elevadas reservas de oxigénio na hemoglobina do sangue e na mioglobina dos músculos, ao abrandamento do ritmo cardíaco (bradicardia) durante o mergulho e à redistribuição do sangue para os órgãos vitais.

De que se alimentam os pinguins quando mergulham?

Sobretudo de peixe, krill e lulas. As espécies antárticas, como o pinguim-imperador, exploram muito o krill e o peixe-prata-antártico; as presas exatas variam com a espécie e a região.

Os pinguins usam as patas ou as asas para nadar?

Usam as asas, transformadas em barbatanas rígidas que geram impulso. Os pés e a cauda servem essencialmente de leme para controlar a direção.

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