Macaco-narigudo: o primata de nariz pendente de Bornéu
O macaco-narigudo (Nasalis larvatus) é um primata endémico da ilha de Bornéu, no Sudeste Asiático, e um dos mais facilmente reconhecíveis do mundo graças ao seu nariz excepcionalmente grande e pendente — sobretudo nos machos adultos. Pertence à família Cercopithecidae e é o único representante do género Nasalis. Classificado como Em Perigo pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), enfrenta pressão crescente devido à destruição continuada do seu habitat natural.
Taxonomia e nome científico
O nome científico Nasalis larvatus foi atribuído pelo zoólogo Peter Simon Pallas em 1780. O epíteto larvatus deriva do latim e significa "mascarado", numa referência ao padrão de coloração facial da espécie. Em inglês é conhecido como proboscis monkey, sendo "probóscide" o termo técnico para nariz ou apêndice nasal longo. Em português, os termos macaco-narigudo e macaco-de-nariz-comprido são ambos utilizados, embora o primeiro seja o mais corrente.
Características físicas
O macaco-narigudo apresenta um acentuado dimorfismo sexual: os machos são consideravelmente maiores do que as fêmeas. Os machos adultos podem atingir entre 66 e 76 centímetros de comprimento corporal e pesar entre 16 e 30 quilogramas; as fêmeas medem entre 53 e 62 centímetros e pesam entre 7 e 12 quilogramas. A pelagem do dorso é de tom laranja-avermelhado ou castanho, enquanto os membros, a cauda e as partes ventrais tendem para o cinzento-claro. O rosto é glabro e de cor rosada. As patas são parcialmente palmadas, o que confere à espécie uma capacidade natatória notável entre os primatas.
O nariz como sinal sexual e acústico
O nariz do macaco-narigudo macho é a sua característica mais marcante. Nos machos adultos pode atingir os 18 centímetros, sobressaindo claramente do plano do rosto e chegando mesmo a dobrar para baixo quando o animal está em repouso. Nas fêmeas o nariz também é mais proeminente do que na maioria dos primatas, mas substancialmente menor do que no macho.
Investigações publicadas na revista Science Advances e confirmadas por estudos posteriores, incluindo artigos de 2024 na Scientific Reports e de 2025 no PMC, demonstraram que o nariz ampliado serve como sinal audiovisual: é visualmente atraente para as fêmeas — que preferem machos com narizes maiores — e funciona simultaneamente como ressonador acústico que amplifica e modifica os chamamentos vocais, tornando-os mais graves e audíveis nas densas florestas tropicais. Machos com narizes maiores tendem a formar grupos de fêmeas mais numerosos e apresentam correlações positivas com o tamanho dos testículos, sugerindo que o nariz é um indicador honesto de aptidão reprodutiva.
Habitat e distribuição geográfica
O macaco-narigudo é endémico de Bornéu, a terceira maior ilha do mundo, partilhada entre a Malásia (estados de Sabah e Sarawak), o Brunei e a Indonésia (região de Kalimantan). Não existe em mais nenhum lugar do planeta.
Dentro de Bornéu, a espécie habita principalmente:
- Florestas de mangal (mangais costeiros), onde encontra abrigo e alimento;
- Florestas ribeirinhas e de planície aluvial, ao longo de rios e estuários;
- Florestas de turfeira e florestas mistas de dipterocárpicas nas zonas de transição.
O macaco-narigudo raramente se afasta mais de um quilómetro de um curso de água. Esta dependência de habitats húmidos e costeiros é uma das razões pelas quais a espécie é particularmente vulnerável à desflorestação e à conversão de terrenos para a agricultura. As maiores populações remanescentes concentram-se em Kalimantan, com populações menores e mais fragmentadas em Sabah, Sarawak e Brunei.
Comportamento social
Os macacos-narigudos vivem em grupos sociais estruturados. A unidade básica é o grupo uni-macho, composto por um macho adulto dominante e várias fêmeas — geralmente entre duas e dez — com as respetivas crias. Existem também grupos exclusivamente masculinos, compostos por machos jovens e subadultos que ainda não estabeleceram o seu próprio grupo reprodutor.
Estes grupos menores agregam-se frequentemente em comunidades multiníveis que podem contar com dezenas de indivíduos. À noite, vários grupos reúnem-se nas copas das árvores mais próximas da água, o que proporciona proteção contra predadores terrestres. A espécie é arborícola mas desce com frequência ao solo ou à superfície da água; é considerada uma das primatas não humanas com maior capacidade natatória, sendo capaz de atravessar rios a nado, por vezes em posição bípede, auxiliada pela palmação parcial das patas traseiras.
Alimentação
O macaco-narigudo é primariamente folívoro, alimentando-se sobretudo de folhas jovens, sementes e frutos não maduros. A dieta baseada em folhas exige um aparelho digestivo especializado: o estômago multicompartimentado, semelhante ao dos ruminantes, permite fermentar e digerir celulose e neutralizar compostos vegetais tóxicos. Esta adaptação implica que os macacos-narigudos não possam ingerir açúcares simples em grande quantidade — frutos muito maduros ou alimentos açucarados podem provocar fermentação fatal. Este facto explica por que a espécie raramente sobrevive em cativeiro e está praticamente ausente dos jardins zoológicos do mundo. A alimentação ocorre principalmente ao início da manhã e ao final da tarde.
Reprodução
A época de reprodução estende-se aproximadamente de fevereiro a novembro, com um pico de nascimentos nos primeiros meses do ano. A gestação dura cerca de 166 dias (aproximadamente 5,5 meses) e cada fêmea dá à luz normalmente uma única cria. Os recém-nascidos apresentam face de coloração azulada, que se transforma gradualmente ao longo dos primeiros meses de vida. As crias são amamentadas durante cerca de seis a sete meses. A maturidade sexual é atingida por volta dos quatro a cinco anos nas fêmeas e entre os cinco e os sete anos nos machos.
Estado de conservação e ameaças
O macaco-narigudo está classificado como Em Perigo (Endangered) na Lista Vermelha da IUCN, com uma tendência populacional decrescente. A espécie está igualmente listada no Apêndice I da CITES, que proíbe o comércio internacional. Estima-se que a população global tenha diminuído mais de 50% ao longo das últimas três a quatro décadas.
As principais ameaças são:
- Desflorestação para a agricultura, nomeadamente para plantações de palma de óleo e de borracha, que destruíram vastas extensões de floresta tropical em Bornéu;
- Conversão de mangais em aquaculturas, arrozais e infraestruturas costeiras;
- Fragmentação do habitat, que isola as populações e reduz a diversidade genética;
- Caça furtiva, ainda que a espécie seja legalmente protegida em toda a extensão de Bornéu.
Estudos publicados em 2025 no International Journal of Primatology confirmam tendências preocupantes: diminuição no tamanho médio dos grupos, populações muito reduzidas em habitats fragmentados e menos de metade dos habitats disponíveis totalmente protegidos por lei. A espécie é protegida por legislação nacional na Malásia, no Brunei e na Indonésia. O Santuário de Macacos-Narigudos de Labuk Bay, em Sabah, é um dos principais centros de conservação e ecoturismo dedicados à espécie.
Curiosidades
- O macaco-narigudo é o primata emblemático do estado de Sabah, na Malásia.
- As populações locais de Bornéu apelidaram-no de monyet belanda ("macaco holandês"), numa referência jocosa ao nariz proeminente dos colonizadores neerlandeses.
- Apesar do seu porte, é capaz de nadar a velocidades surpreendentes, cruzando regularmente rios largos para se deslocar entre manchas de floresta.
Perguntas frequentes
Porque é que o macaco-narigudo tem um nariz tão grande?
O nariz grande dos machos é um sinal de aptidão sexual. Funciona simultaneamente como sinal visual — as fêmeas preferem machos com narizes maiores — e como ressonador acústico que amplifica os chamamentos vocais, tornando-os mais graves e audíveis na floresta densa.
Onde vive o macaco-narigudo?
É endémico de Bornéu, habitando principalmente florestas de mangal, florestas ribeirinhas e zonas de floresta tropical húmida. Está presente na Malásia (Sabah e Sarawak), no Brunei e na Indonésia (Kalimantan).
O macaco-narigudo está em vias de extinção?
Está classificado como "Em Perigo" pela IUCN, com a população a diminuir mais de 50% nas últimas quatro décadas, sobretudo por causa da desflorestação, da conversão de mangais e da fragmentação do habitat.
O que come o macaco-narigudo?
A sua dieta é sobretudo folívora, baseada em folhas jovens, sementes e frutos não maduros. O seu estômago multicompartimentado permite digerir celulose, mas impede-o de consumir alimentos muito açucarados, o que dificulta extremamente a sua sobrevivência em cativeiro.
O macaco-narigudo consegue nadar?
Sim, é um dos primatas não humanos com maior capacidade natatória. As patas parcialmente palmadas facilitam a natação, e a espécie atravessa regularmente rios a nado, por vezes em posição bípede.