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Mastabas: o que são e como diferem das pirâmides

Publicado 23. julho 2025 Atualizado 26. junho 2026

O que são mastabas e como se diferenciam das pirâmides?

As mastabas são um dos tipos de túmulo mais antigos e característicos do Antigo Egito. Tratam-se de estruturas funerárias de planta retangular, com paredes inclinadas para o interior e topo plano, que serviram de sepultura sobretudo durante o Período Arcaico (Dinástico Inicial) e o Império Antigo. O termo, embora consagrado pela egiptologia, não é egípcio: deriva da palavra árabe mastaba ("banco"), atribuída pelos trabalhadores locais do século XIX que notaram a semelhança entre estes monumentos meio soterrados e os bancos de barro encostados às casas das aldeias. As mastabas são frequentemente descritas como as antepassadas diretas das pirâmides, e compreender a sua forma e função ajuda a explicar como a arquitetura funerária egípcia evoluiu até aos monumentos colossais de Gizé.

O que é uma mastaba

Uma mastaba é, na essência, um edifício de duas partes. À superfície ergue-se uma estrutura maciça e baixa, retangular, com lados em talude (inclinados) e cobertura horizontal, lembrando um tronco de pirâmide muito achatado. Por baixo, ou seja, no subsolo, situa-se a verdadeira câmara funerária, alcançada por um poço vertical escavado na rocha que era selado após o sepultamento.

Os primeiros exemplares, datados das primeiras dinastias, eram construídos em adobe (tijolos de barro do Nilo seco ao sol). Com o tempo, sobretudo a partir da III dinastia, passou a recorrer-se cada vez mais à pedra calcária, mais durável. O interior podia conter vários compartimentos: além da câmara do morto, existia muitas vezes uma capela com uma falsa porta, ponto simbólico de passagem por onde o espírito (o ka) recebia as oferendas, e um pequeno nicho fechado chamado serdab, onde se guardava uma estátua do defunto.

Para que serviam

As mastabas destinavam-se a garantir a sobrevivência do falecido no além. No Período Arcaico foram usadas inclusivamente para sepultar reis em Abido e em Saqqara, mas a partir do Império Antigo o seu uso real foi sendo substituído pelas pirâmides. Daí em diante, a mastaba tornou-se sobretudo o túmulo da elite não-real: altos funcionários, sacerdotes, nobres e membros da família real sem o estatuto de faraó. Muitas concentram-se em vastas necrópoles ordenadas junto às pirâmides reais, como em Gizé e Saqqara, formando autênticas "cidades dos mortos".

O valor destes monumentos para a história ultrapassa a arquitetura. As paredes das capelas de muitas mastabas estão cobertas de relevos e pinturas que retratam o quotidiano egípcio — agricultura, pesca, criação de gado, banquetes, artesãos no trabalho — constituindo uma das fontes mais ricas para conhecer a vida comum no Egito de há mais de quatro milénios.

Como surgiram as pirâmides a partir das mastabas

A ligação entre os dois tipos de monumento não é apenas conceptual: é literal e documentada. A Pirâmide Escalonada de Djoser, em Saqqara, concebida pelo arquiteto Imhotep por volta de 2650 a.C., começou por ser uma grande mastaba de pedra. Em sucessivas fases de construção, sobrepuseram-se mastabas cada vez menores umas sobre as outras, gerando uma estrutura em seis degraus. É geralmente considerada o primeiro grande edifício monumental em pedra da história e o elo de transição entre a mastaba e a pirâmide.

A partir daí, a evolução prosseguiu: das pirâmides escalonadas passou-se às tentativas de pirâmide de faces lisas (como a Pirâmide Romboidal e a Pirâmide Vermelha de Seneferu) e, finalmente, às pirâmides geometricamente perfeitas da IV dinastia, de que a Grande Pirâmide de Quéops, em Gizé, é o exemplo supremo. A pirâmide pode, assim, entender-se como o desenvolvimento vertical e idealizado de uma forma que nasceu horizontal e modesta.

Principais diferenças entre mastabas e pirâmides

  • Forma: a mastaba é retangular, baixa e de topo plano; a pirâmide tem base quadrada e ergue-se até um vértice, em degraus ou de faces lisas.
  • Altura e escala: as mastabas raramente ultrapassam alguns metros de altura; as grandes pirâmides atingem dezenas ou mais de cem metros.
  • Ocupante: as pirúmides do Império Antigo eram reservadas a faraós; as mastabas, após esse período, serviam sobretudo a nobres e funcionários.
  • Cronologia: a mastaba é a forma mais antiga e antecede a pirâmide, embora ambas tenham coexistido durante séculos.
  • Simbolismo: a forma piramidal, sobretudo a de faces lisas, é frequentemente associada aos raios solares e à ascensão do rei ao céu, uma carga simbólica que a mastaba não possui de igual modo.

Importa sublinhar que a fronteira nem sempre é nítida. Existem monumentos híbridos, como a chamada Mastabat al-Fir'aun ("o banco do faraó"), o gigantesco túmulo em forma de mastaba do faraó Chepseskaf, da IV dinastia, com cerca de 99 metros de comprimento, que demonstra que mesmo um rei pôde, em certos casos, optar por esta forma.

Descobertas recentes

As mastabas continuam no centro da investigação arqueológica em 2026. Em Saqqara e na vizinha Abusir, as escavações dos últimos anos têm trazido novidades relevantes: a missão checa prosseguiu os trabalhos na mastaba do dignitário Ptahchepses, e em 2025 avançaram as escavações associadas ao túmulo do faraó Chepseskaf. Equipas internacionais, incluindo missões egípcio-japonesas, identificaram em Saqqara novos túmulos da II e III dinastias, alguns deles mastabas de tijolo de barro. Estas descobertas reforçam o papel de Saqqara como uma das mais importantes necrópoles do mundo e mostram que muito do solo egípcio permanece por explorar.

Perguntas frequentes

O que significa a palavra "mastaba"?

Deriva do árabe mastaba, que significa "banco". O nome foi dado no século XIX pelos trabalhadores egípcios, pela semelhança entre estes túmulos baixos e retangulares e os bancos de barro encostados às casas.

As mastabas são mais antigas do que as pirâmides?

Sim. A mastaba é a forma de túmulo monumental mais antiga e antecede a pirâmide. A Pirâmide Escalonada de Djoser nasceu, de facto, do empilhamento de mastabas, marcando a transição entre os dois tipos.

Quem era sepultado em mastabas?

Nos primeiros tempos serviram também reis, mas a partir do Império Antigo passaram a ser sobretudo túmulos da elite não-real: altos funcionários, sacerdotes e nobres, muitas vezes dispostos em necrópoles junto às pirâmides reais.

Onde se encontram as principais mastabas?

As maiores concentrações situam-se em Saqqara, Gizé e Abido, no Egito. Saqqara, em particular, continua a revelar novas mastabas em escavações realizadas até 2026.

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