Petra: localização e história da antiga cidade nabateia
Petra é uma das cidades antigas mais notáveis do mundo, escavada na rocha de arenito rosado e outrora capital de um poderoso reino comercial. Situada no atual território da Jordânia, esta cidade perdida permaneceu desconhecida do mundo ocidental durante séculos, até ser redescobrida no século XIX. Em 2026, Petra continua a ser um dos destinos arqueológicos mais visitados do planeta e um símbolo incontornável da civilização nabateia.
Localização geográfica
Petra encontra-se no sudoeste da Jordânia, encaixada entre o Mar Vermelho e o Mar Morto, numa região de montanhas e desfiladeiros do planalto de Edom. A cidade dista aproximadamente 240 quilómetros a sul de Amã, a capital jordana, e cerca de 120 quilómetros a norte de Aqaba, o principal porto do país no golfo homónimo.
O sítio arqueológico desenvolve-se ao longo do vale de Wadi Musa — literalmente "Vale de Moisés" em árabe —, uma linha de água que atravessa a cidade de leste para oeste. Este vale está rodeado por paredes de arenito multicolorido, com tonalidades que variam entre o rosa, o vermelho, o ocre e o creme, o que valeu a Petra a designação informal de «Cidade Rosa». A altitude média do sítio ronda os 900 metros acima do nível do mar, proporcionando um clima relativamente mais ameno do que o das planícies desertas circundantes.
O acesso ao núcleo da cidade faz-se principalmente através do Siq, um desfiladeiro natural formado por uma profunda fissura nas rochas de arenito, com extensão de cerca de 1,2 quilómetros e largura que, em alguns pontos, não ultrapassa os três metros. Este corredor geológico, cujas paredes podem atingir 80 metros de altura, desemboca diretamente na fachada mais famosa de Petra, o Khazneh, ou Tesouro, entalhado na rocha viva.
A civilização nabateia e a fundação de Petra
Embora a região seja habitada desde a Pré-História — havendo vestígios de ocupação humana que remontam a cerca de 7000 a.C. —, foi com os nabateus que Petra atingiu o seu auge. Os nabateus eram um povo árabe, originalmente nómada, que se estabeleceu progressivamente na região e transformou Petra na capital do seu reino, provavelmente já no século IV a.C. A primeira referência histórica segura data de 312 a.C., quando a cidade resistiu a um ataque dos sucessores de Alexandre Magno.
Dotados de um extraordinário engenho comercial e técnico, os nabateus posicionaram Petra como ponto nevrálgico das rotas caravaneiras que ligavam a Arábia ao Mediterrâneo. Por ali passavam especiarias da Índia, incenso e mirra da Arábia Feliz, seda da China e mercadorias do Egito. O controlo deste tráfego gerou uma riqueza considerável, que se refletiu nas monumentais fachadas esculpidas na rocha, nos templos, nos teatros e no sofisticado sistema hidráulico que sustentava uma população estimada entre 10 000 e 30 000 habitantes no período de maior prosperidade.
Os nabateus desenvolveram igualmente uma engenharia de captação e armazenamento de água notável para uma região árida: represas, cisternas e aquedutos permitiram abastecer a cidade mesmo nos períodos de seca prolongada, tornando possível a fixação de uma grande comunidade num ambiente naturalmente hostil.
Domínio romano e declínio
Em 106 d.C., o imperador romano Trajano integrou o reino nabateu no Império Romano, criando a Provincia Arabia Petraea, com Petra como capital. A cidade manteve a sua importância comercial e administrativa durante os séculos II e III d.C., tendo sido enriquecida com novos edifícios de estilo romano, como a Rua das Colunas, as termas e o Nymphaeum.
O declínio de Petra foi gradual e resultou de vários fatores combinados: a deslocação das principais rotas comerciais para o norte e para o mar, a crescente instabilidade política no final do Império Romano e, em particular, um devastador sismo em 551 d.C. que destruiu grande parte da infraestrutura da cidade. Após este cataclismo, a população abandonou progressivamente o sítio. Durante o período dos Cruzados, no século XII, foi brevemente reocupada como posto avançado, mas voltou ao esquecimento pouco depois.
A redescoberta ocidental
Ao longo de vários séculos, Petra permaneceu conhecida apenas pelas tribos beduínas locais, que habitavam as suas grutas e sepulturas escavadas na rocha. Foi o explorador e orientalista suíço Johann Ludwig Burckhardt quem, em 1812, se tornou o primeiro europeu da era moderna a visitar e documentar o sítio. Disfarçado de peregrino árabe para não levantar suspeitas, Burckhardt percorreu o Siq e ficou deslumbrado com as ruínas que encontrou. O seu relato despertou o interesse do mundo ocidental e abriu caminho a expedições arqueológicas subsequentes.
Reconhecimento patrimonial e situação atual
Em 6 de dezembro de 1985, a UNESCO inscreveu Petra na Lista do Património Mundial, reconhecendo o seu valor universal excecional enquanto conjunto arqueológico e arquitetónico único. Em 2007, foi eleita uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo numa iniciativa de votação popular global, o que ampliou ainda mais a sua notoriedade internacional.
Atualmente, Petra é gerida pela Autoridade da Região de Petra para o Desenvolvimento e Turismo (PDTRA), da Jordânia. O sítio recebe anualmente centenas de milhares de visitantes de todo o mundo e constitui uma das principais fontes de receitas turísticas do país. Em maio de 2025, cheias provocadas por chuvas intensas obrigaram à evacuação de centenas de turistas, recordando a vulnerabilidade do sítio face a fenómenos meteorológicos extremos — um desafio crescente no contexto das alterações climáticas.
As escavações arqueológicas continuam em curso, com equipas internacionais a revelar progressivamente novas estruturas sob a areia e os escombros. Estima-se que apenas uma pequena fração do sítio tenha sido até agora explorada, o que alimenta expectativas de descobertas futuras de grande relevância histórica.
Perguntas frequentes
Em que país se encontra a antiga cidade de Petra?
Petra situa-se na Jordânia, no sudoeste do país, a cerca de 240 quilómetros a sul da capital Amã e a 120 quilómetros a norte de Aqaba.
Quem construiu Petra?
Petra foi construída e desenvolvida pelos nabateus, um povo árabe que fez da cidade a capital do seu reino a partir do século IV a.C. A cidade atingiu o seu apogeu entre os séculos I a.C. e I d.C., como centro nevrálgico das rotas comerciais entre a Arábia, o Mediterrâneo e a Índia.
Como se acede a Petra?
O acesso principal ao núcleo arqueológico de Petra faz-se através do Siq, um desfiladeiro natural com cerca de 1,2 quilómetros de comprimento e paredes que atingem 80 metros de altura. A entrada para o Siq fica junto à localidade moderna de Wadi Musa.
Petra é Património da Humanidade?
Sim. Petra foi inscrita na Lista do Património Mundial da UNESCO em 1985 e foi eleita uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo em 2007.
Porque é que Petra é chamada a «Cidade Rosa»?
A designação deve-se à cor do arenito local, que apresenta tonalidades de rosa, vermelho e ocre. Como a maior parte das estruturas da cidade foi esculpida diretamente na rocha, a cor dominante de todo o conjunto é rosada, especialmente à luz do sol nascente ou poente.