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Cataratas Vitória: onde ficam e o que as torna únicas

Publicado 19. agosto 2025 Atualizado 24. junho 2026

Cataratas de Vitória
Cataratas de Vitória · Hans Hillewaert · CC BY-SA 3.0 · Wikimedia

As Cataratas Vitória — conhecidas localmente como Mosi-oa-Tunya, expressão da língua kololo que significa "o fumo que troveja" — estão situadas na fronteira entre o Zimbabué e a Zâmbia, no sul de África. Formadas pelo rio Zambeze, constituem a maior cortina de água em queda do planeta, combinando uma largura excecional com uma altura considerável, e foram classificadas como Património Mundial pela UNESCO em 1989. Em 2026, continuam a ser um dos destinos naturais mais visitados de África e um símbolo incontornável do continente.

Localização exata

As cataratas encontram-se no rio Zambeze, a cerca de 1300 quilómetros da foz deste rio no oceano Índico. A fronteira internacional entre o Zimbabué (a sul e a oeste) e a Zâmbia (a norte e a leste) corre precisamente pelo meio da queda de água, o que as torna geograficamente partilhadas por dois países soberanos.

Do lado zimbabueano, a cidade de Victoria Falls fica a menos de dez quilómetros das cataratas e é o principal ponto de entrada para a maioria dos visitantes internacionais. Do lado zambiano, a cidade de Livingstone — batizada em honra do explorador escocês David Livingstone — situa-se a cerca de 10 a 15 quilómetros a norte e serve como porta de acesso ao Parque Nacional de Mosi-oa-Tunya. As duas cidades estão ligadas pela Ponte das Cataratas Vitória, construída em 1905, que atravessa o desfiladeiro do Zambeze imediatamente a jusante das quedas.

Dimensões e grandeza

O que distingue as Cataratas Vitória de outras quedas de água famosas, como as do Niágara ou o Salto Ángel, é a conjugação de largura e altura num único paredão contínuo. A queda tem aproximadamente 1708 metros de largura e uma altura máxima de cerca de 108 a 128 metros, dependendo do ponto medido. Este conjunto resulta na maior lâmina de água em queda do mundo, superando em volume qualquer outra catarata quando o Zambeze atinge o seu caudal máximo.

Durante a época de cheias — que se verifica tipicamente entre fevereiro e maio, com pico em abril —, o rio despeja mais de 500 milhões de metros cúbicos de água por minuto para o desfiladeiro. O spray resultante eleva-se a mais de 400 metros de altitude e pode ser avistado a mais de 50 quilómetros de distância, como uma coluna de vapor permanente — daí a designação local. Em contrapartida, na estação seca (agosto a outubro), o caudal reduz-se drasticamente, expondo as rochas e permitindo até caminhar em certas secções do leito.

O rio Zambeze e o contexto geográfico

O Zambeze é o quarto maior rio de África, com cerca de 2574 quilómetros de extensão. Nasce na Zâmbia, percorre Angola, volta à Zâmbia, atravessa o Zimbabué e Moçambique, e desagua no oceano Índico. A plataforma plana de basalto que o rio atravessa antes das cataratas cede abruptamente a uma série de desfiladeiros em ziguezague, criados por falhas geológicas antigas. São estas fraturas no basalto que deram origem às quedas e ao labirinto de gargantas que se estendem por mais de 100 quilómetros a jusante.

A região insere-se na África Austral, numa zona de savana tropical com estações secas e chuvosas bem definidas. O planalto circundante situa-se a cerca de 900 metros de altitude acima do nível do mar, o que confere ao clima local temperaturas amenas no inverno austral (junho a agosto) e calor intenso no verão (novembro a janeiro).

Descoberta e nome europeu

As populações locais conheciam as cataratas há séculos, mas o explorador e missionário escocês David Livingstone foi o primeiro europeu a descrevê-las detalhadamente, em novembro de 1855. Livingstone chegou às quedas por canoa, vindo do norte, guiado por homens do povo lozi. Ficou tão impressionado que batizou o local de "Victoria Falls" em honra da rainha Vitória I do Reino Unido, que então reinava. A descrição de Livingstone, publicada na Europa, tornou as cataratas mundialmente conhecidas e impulsionou a exploração colonial da África Central.

Estatuto de Património Mundial e proteção ambiental

Em 1989, a UNESCO inscreveu o sítio Mosi-oa-Tunya / Cataratas Vitória na lista do Património Mundial, reconhecendo o seu valor natural excecional. A área protegida abrange o Parque Nacional de Mosi-oa-Tunya (Zâmbia) e o Parque Nacional das Cataratas Vitória (Zimbabué), que juntos preservam a floresta ribeirinha húmida gerada pelo spray permanente, habitat único para espécies como o papagaio cinzento africano, o elefante e o hipopótamo.

A pressão turística e os impactos das alterações climáticas têm sido motivo de preocupação nos últimos anos. Estudos indicam que a variabilidade climática crescente está a intensificar os extremos sazonais — cheias mais violentas e secas mais prolongadas —, com consequências visíveis nas cataratas. Em anos de seca severa, como aconteceu em 2019, uma parte significativa da queda ficou praticamente seca, gerando cobertura mediática internacional.

Acesso e turismo em 2026

Em 2026, as Cataratas Vitória continuam acessíveis por voo direto para o Aeroporto Internacional de Victoria Falls (Zimbabué) e para o Aeroporto Internacional Harry Mwanga Nkumbula, em Livingstone (Zâmbia), a partir de várias capitais africanas e de hubs como Joanesburgo, Nairóbi e Adis Abeba. Ligações intercontinentais diretas permanecem limitadas, sendo Joanesburgo o principal ponto de transbordo.

Cerca de 75% da vista panorâmica das cataratas é obtida a partir do lado zimbabueano, onde um trilho ao longo do desfiladeiro oferece múltiplos miradouros. O lado zambiano, embora com uma perspetiva mais restrita, permite maior proximidade física à queda e inclui a famosa "piscina do diabo" — uma poça natural no bordo da catarata onde é possível nadar durante a estação seca, com a queda a precipitar-se metros abaixo.

Para além da contemplação das cataratas, a região oferece atividades como bungee jumping a partir da Ponte das Cataratas, passeios de barco ao pôr do sol, safáris fotográficos nos parques nacionais adjacentes e voos panorâmicos de helicóptero ou ultraleve sobre as quedas — conhecidos localmente como o "voo do anjo".

Perguntas frequentes

Em que países ficam as Cataratas Vitória?

As Cataratas Vitória situam-se na fronteira entre o Zimbabué e a Zâmbia, na África Austral, sendo formadas pelo rio Zambeze. A fronteira internacional corre pelo meio da queda de água, pelo que ambos os países partilham o sítio.

Qual é o melhor período para visitar as Cataratas Vitória?

Depende do objetivo. Entre fevereiro e maio, o caudal está no máximo e o espetáculo visual é mais impressionante, mas o spray intenso pode limitar a visibilidade. Entre julho e setembro, a estação seca permite ver melhor a formação rochosa e praticar atividades como a natação na "piscina do diabo", no lado zambiano.

As Cataratas Vitória são as maiores do mundo?

Dependem do critério utilizado. As Cataratas Vitória são consideradas a maior cortina de água em queda do mundo pela combinação de largura (cerca de 1708 metros) e altura (até 128 metros). O Salto Ángel, na Venezuela, é mais alto, e as Cataratas do Iguaçu têm um caudal comparável em época de cheias, mas nenhuma outra queda combina estas duas dimensões de forma tão expressiva.

O que significa "Mosi-oa-Tunya"?

"Mosi-oa-Tunya" é o nome dado pelas populações kololo da região e significa "o fumo que troveja". Refere-se ao enorme spray de vapor e ao som ensurdecedor produzidos pela queda de água, visíveis e audíveis a dezenas de quilómetros de distância.

As Cataratas Vitória são Património Mundial da UNESCO?

Sim. O sítio Mosi-oa-Tunya / Cataratas Vitória foi inscrito na Lista do Património Mundial da UNESCO em 1989, reconhecendo o seu valor natural excecional, que inclui a geologia única, a floresta ribeirinha húmida gerada pelo spray e a biodiversidade associada.

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