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Cataratas Vitória: a maior cortina de água do mundo em África

Publicado 2. maio 2025 Atualizado 24. junho 2026

Cataratas de Vitória
Cataratas de Vitória · Hans Hillewaert · CC BY-SA 3.0 · Wikimedia

As Cataratas Vitória são uma das mais impressionantes maravilhas naturais do planeta. Localizadas no rio Zambeze, na fronteira entre a Zâmbia e o Zimbabué, formam a maior cortina de água contínua do mundo, com 1 708 metros de largura e quedas que atingem os 108 metros de altura. Conhecidas localmente pelo nome Mosi-oa-Tunya — expressão da língua kololo que significa "A Fumaça que Troveja" —, as cataratas estão classificadas como Património Mundial da UNESCO desde 1989 e integram a lista das Sete Maravilhas Naturais do Mundo moderno.

Localização e enquadramento geográfico

As Cataratas Vitória situam-se no sul de África, precisamente no ponto em que o rio Zambeze atravessa a fronteira entre a Zâmbia, a norte, e o Zimbabué, a sul. O Zambeze percorre cerca de 2 574 quilómetros desde a sua nascente, também na Zâmbia, até à foz no oceano Índico, e as cataratas encontram-se aproximadamente a meio desse percurso. A cidade zambiana de Livingstone e a cidade zimbabueana de Vitória, situadas nas margens opostas do rio, são os principais centros urbanos de acesso à área.

O rio precipita-se para uma garganta estreita conhecida como o Desfiladeiro de Batoka, com apenas 50 a 75 metros de largura em determinados troços, o que concentra o caudal e amplifica o efeito visual e sonoro da queda. A névoa resultante é visível a mais de 50 quilómetros de distância em dias de caudal elevado, e a coluna de vapor pode elevar-se até 400 metros acima do nível das cataratas.

Dimensões e recordes

Com 1 708 metros de largura e alturas de queda entre 80 e 108 metros, as Cataratas Vitória são consideradas a maior cascata do mundo em termos de folha de água contínua — superando tanto as Cataratas do Iguaçu (mais largas) como as Quedas de Tugela (mais altas). São a única queda de água no planeta com mais de cem metros de altura e mais de um quilómetro de comprimento simultaneamente.

O caudal varia de forma acentuada ao longo do ano. No período de cheias, habitualmente entre fevereiro e maio, podem cair mais de 500 milhões de litros de água por minuto sobre a garganta. O registo histórico mais elevado foi registado em 1958, com cerca de 700 milhões de litros por minuto. Durante a época seca, entre setembro e novembro, o caudal reduz-se drasticamente e algumas secções da cascata chegam a secar por completo, em especial do lado zambiano.

Geologia e formação

A origem das Cataratas Vitória remonta a um período de intensa atividade vulcânica ocorrida há cerca de 150 a 180 milhões de anos, durante o qual enormes erupções cobriram o sul de África com espessas camadas de basalto. À medida que a lava arrefeceu, formou-se uma rede de fendas e falhas no interior da rocha. Ao longo de milhões de anos, o rio Zambeze foi aproveitando as linhas de menor resistência neste basalto e escavando progressivamente o seu leito.

Abaixo das cataratas atuais, é possível identificar oito desfiladeiros sucessivos escavados ao longo dos últimos dois milhões de anos. Cada um desses desfiladeiros corresponde a uma posição anterior das cataratas, que foram recuando para montante à medida que a erosão avançava. Este processo continua em curso: estima-se que as cataratas recuem alguns centímetros por século, moldando lentamente a paisagem ao longo dos cerca de 150 quilómetros de basalto do Zambeze a jusante.

História e descoberta europeia

Os povos africanos que habitavam a região conheciam as cataratas há dezenas de milénios. Instrumentos de pedra encontrados nas imediações datam de há cerca de 50 000 anos, e a história oral dos povos San, Tonga e Makololo documentam a presença humana na área ao longo de gerações. Foi o povo Makololo que atribuiu ao local o nome Mosi-oa-Tunya, ainda hoje utilizado no lado zambiano.

O explorador escocês David Livingstone tornou-se o primeiro europeu com registo documentado de ter avistado as cataratas, a 16 de novembro de 1855, chegando ao local numa piroga a partir de uma pequena ilha situada junto à beira das quedas, hoje conhecida como Ilha Livingstone. Impressionado com o espetáculo, batizou-as de Cataratas Vitória em honra da rainha britânica Vitória. A descrição que Livingstone fez da descoberta no seu diário de viagem foi determinante para despertar o interesse europeu pela região e para o subsequente desenvolvimento do turismo.

Biodiversidade e ecossistemas

A névoa permanente gerada pelas cataratas alimenta uma floresta húmida tropical única no contexto do sul de África, conhecida como a "floresta de névoa". Esta microecologia suporta espécies de plantas tropicais que não sobreviveriam no clima mais árido da região circundante, incluindo a palmeira-tâmara-selvagem, a árvore-salsicha (Kigelia africana), a árvore-pão-de-macaco (Adansonia) e a árvore-de-ébano.

A fauna da área é igualmente diversificada. O Parque Nacional de Mosi-oa-Tunya, do lado zambiano, alberga elefantes, búfalos, zebras, girafas e rinocerontes-brancos. O Parque Nacional das Cataratas Vitória, no Zimbabué, é habitat de hipopótamos e crocodilos do Nilo no troço do Zambeze acima das quedas, bem como de mais de 400 espécies de aves. O rio abriga mais de 70 espécies de peixes, sendo o peixe-tigre (Hydrocynus vittatus) a mais célebre pela sua reputação de pesca desportiva.

Turismo em 2026

As Cataratas Vitória continuam a ser um dos destinos turísticos mais visitados de África. Em 2026, as chuvas abundantes nas cabeceiras do Zambeze, na Zâmbia e em Angola, proporcionaram níveis de água excecionalmente elevados no início do ano, atraindo um número recorde de visitantes durante a época de Páscoa. O fluxo turístico distribui-se entre os dois países, sendo que cada um oferece perspetivas distintas sobre as cataratas.

Do lado zimbabueano, o Parque Nacional das Cataratas Vitória cobra em 2026 uma entrada de 50 dólares americanos para turistas estrangeiros adultos. Os visitantes que pretendam aceder a ambos os lados podem adquirir o KAZA UniVisa, ao custo de 50 dólares, que autoriza a circulação entre o Zimbabué e a Zâmbia durante 30 dias. Entre as atividades disponíveis contam-se o bungee jumping a partir da ponte sobre o Zambeze, o rafting nos desfiladeiros a jusante, os cruzeiros ao pôr do sol e, na época seca, a travessia a pé pela margem das quedas até à Piscina do Diabo, um afloramento rochoso situado mesmo na beira das cataratas do lado zambiano.

A melhor época para visitar depende do objetivo: quem privilegia o espetáculo máximo da água deve viajar entre fevereiro e maio; quem prefere visibilidade sem ser ensopado pela névoa e quer avistar a vida selvagem tem vantagem em escolher o período de agosto a novembro.

Perguntas frequentes

Onde ficam as Cataratas Vitória?

As Cataratas Vitória situam-se no rio Zambeze, na fronteira entre a Zâmbia (a norte) e o Zimbabué (a sul), no sul de África. As cidades mais próximas são Livingstone (Zâmbia) e Vitória (Zimbabué).

Qual é o tamanho das Cataratas Vitória?

As cataratas têm 1 708 metros de largura e alturas de queda entre 80 e 108 metros, sendo a maior cortina de água contínua do mundo. No pico de caudal, despejam mais de 500 milhões de litros de água por minuto.

O que significa "Mosi-oa-Tunya"?

"Mosi-oa-Tunya" é o nome local das cataratas, na língua kololo, e significa "A Fumaça que Troveja". Refere-se à coluna de névoa e ao estrondo produzidos pela queda da água, visíveis e audíveis a grande distância.

Quem descobriu as Cataratas Vitória?

Os povos africanos da região conheciam as cataratas há milénios. O primeiro europeu com registo documentado foi o explorador escocês David Livingstone, a 16 de novembro de 1855, que as batizou em honra da rainha Vitória do Reino Unido.

Qual é a melhor altura para visitar as Cataratas Vitória?

Para o espetáculo máximo de água, os meses de março a maio são os ideais. Para melhor visibilidade (menos névoa) e vida selvagem, recomenda-se o período de agosto a novembro, embora o caudal seja menor. Em 2026, os níveis de água foram especialmente elevados no início do ano devido a chuvas abundantes nas cabeceiras do Zambeze.

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