Por que a escola é essencial para o futuro profissional
A escola constitui um dos pilares fundamentais da integração dos indivíduos na vida activa e no mercado de trabalho. Em Portugal e na generalidade dos países da OCDE, a escolaridade formal está directamente correlacionada com melhores perspectivas de emprego, salários mais elevados e maior estabilidade profissional ao longo da carreira. À medida que a economia global se torna mais tecnológica e exigente, o papel da educação formal deixou de se restringir à simples transmissão de conhecimentos académicos, passando a englobar competências transversais, capacidade de adaptação e preparação para contextos profissionais em rápida mudança.
Qualificações académicas e acesso ao mercado de trabalho
Os dados internacionais são inequívocos: o nível de escolaridade tem um impacto directo e mensurável na empregabilidade. De acordo com o relatório Education at a Glance 2025 da OCDE, a taxa de emprego dos adultos entre os 25 e os 64 anos varia de forma significativa consoante o grau de instrução. Entre os indivíduos sem o ensino secundário completo, apenas 60% está empregado; entre os que concluíram o ensino secundário ou pós-secundário não superior, a taxa sobe para 77%; e entre os detentores de grau superior, atinge os 87%.
Para os jovens adultos entre os 25 e os 34 anos — o grupo que mais recentemente entrou no mercado de trabalho —, as disparidades são ainda mais pronunciadas. Sem ensino secundário completo, a taxa de emprego situa-se nos 61%; com qualificação superior, ultrapassa os 87%. No caso específico das mulheres, o efeito da educação é ainda mais determinante: sem ensino secundário, apenas 47% está empregada, o que representa 25 pontos percentuais abaixo dos homens na mesma situação. Com formação superior, essa diferença reduz-se para apenas seis pontos.
A escola como espaço de formação de competências transversais
Para além da transmissão de conhecimentos disciplinares, a escola desempenha um papel central no desenvolvimento de competências transversais indispensáveis ao mundo do trabalho. A capacidade de comunicar de forma clara, de trabalhar em equipa, de resolver problemas, de gerir o tempo e de pensar criticamente são aptidões que se desenvolvem, em grande medida, ao longo dos anos de escolaridade.
O convívio com pares de origens diferentes, a exposição a desafios intelectuais, a negociação de conflitos e a aprendizagem em ambiente supervisionado preparam o estudante para dinâmicas organizacionais que encontrará, mais tarde, no exercício da sua vida profissional. Empresas e empregadores referem sistematicamente estas chamadas soft skills — em português, competências comportamentais — como factores determinantes na selecção e progressão dos trabalhadores.
O ensino profissional em Portugal: uma via com resultados
Em Portugal, o ensino profissional tem ganho crescente relevância como caminho de transição entre a escola e o emprego. Um estudo publicado em 2025 pelo programa PESSOAS 2030 — financiado por fundos europeus e centrado no investimento em capital humano — demonstrou que 72% dos alunos que concluem cursos profissionais conseguem emprego no prazo de um a dois anos após a conclusão da formação, face a 56% dos que seguem o ensino geral de nível equivalente.
O mesmo estudo aponta para taxas de inactividade mais reduzidas e, em vários sectores, para salários de entrada mais competitivos entre os diplomados do ensino profissional. Ainda assim, o impacto é qualificado como "positivo mas modesto" no que toca à criação de emprego específico e local, o que sugere que a formação profissional funciona melhor quando articulada com as necessidades concretas do tecido empresarial regional. O PESSOAS 2030 estabeleceu como meta atingir uma taxa de 65% de empregabilidade ou prosseguimento de estudos, seis meses após a conclusão de cursos profissionais e de aprendizagem.
Abandono escolar precoce: os custos de sair antes de tempo
O abandono escolar precoce — definido como a saída do sistema de ensino sem a conclusão do ensino secundário — é um dos factores mais associados a trajectórias profissionais precárias, desemprego de longa duração e exclusão social. Portugal foi, durante décadas, um dos países europeus com taxas mais elevadas neste indicador. Em 2000, cerca de 39% dos jovens entre os 18 e os 24 anos abandonava o sistema de ensino sem completar o secundário. Em 2023, esse valor caiu para 8%, aproximando-se da média europeia e reflectindo décadas de investimento em políticas de retenção escolar, cursos profissionais e programas de segunda oportunidade.
Contudo, os dados da OCDE e da Fundação La Caixa alertam para o facto de a desigualdade entre jovens com qualificações elevadas e jovens com baixas qualificações continuar a aumentar, tanto em Portugal como no espaço europeu. Sair da escola antes de tempo significa, na prática, partir de uma posição de desvantagem estrutural no acesso a oportunidades profissionais — uma desvantagem que tende a agravar-se ao longo da vida activa.
Educação e mercado de trabalho em 2026: novos desafios
Em 2026, o mercado de trabalho atravessa uma fase de transformação intensa, impulsionada pela inteligência artificial, pela automatização de funções rotineiras e pela crescente valorização de perfis com capacidade de aprendizagem contínua. Nestas circunstâncias, a escola adquire uma dimensão suplementar: não apenas proporcionar uma qualificação inicial, mas criar as bases para uma relação duradoura com o conhecimento.
A OCDE sublinha que, desde 2016, a proporção de jovens entre os 25 e os 34 anos com pelo menos o ensino secundário completo aumentou de 83% para 86% na média dos países membros. O aumento da escolaridade média está associado a melhores taxas de emprego e a uma maior resiliência face a choques económicos. No entanto, os ganhos não são automáticos: a qualidade da educação, a sua relevância para o mercado e a capacidade de actualização das competências ao longo da vida são factores cada vez mais determinantes.
A Federação Nacional da Educação (FNE) considerou 2026 um ano decisivo para o futuro da educação e das carreiras em Portugal, num contexto marcado pela revisão de políticas educativas e pela necessidade de alinhar a oferta formativa com as exigências de um mercado de trabalho em acelerada transformação tecnológica.
Perguntas frequentes
Qual é a relação entre nível de escolaridade e taxa de emprego?
De acordo com a OCDE (Education at a Glance 2025), os adultos entre os 25 e os 64 anos sem ensino secundário completo têm uma taxa de emprego de 60%, os que concluíram o secundário registam 77%, e os detentores de grau superior atingem os 87%. A relação é consistente em quase todos os países membros da organização.
O ensino profissional tem o mesmo valor que o ensino geral no mercado de trabalho?
Em Portugal, os diplomados do ensino profissional apresentam taxas de emprego de 72% face a 56% dos diplomados do ensino geral de nível equivalente, no prazo de um a dois anos após a formação, segundo dados do PESSOAS 2030 publicados em 2025. Em muitos sectores, os cursos profissionais oferecem vantagens práticas imediatas no acesso ao emprego.
O que acontece a quem abandona a escola precocemente?
O abandono escolar precoce está associado a maiores dificuldades de integração no mercado de trabalho, salários mais baixos, maior risco de desemprego prolongado e menor mobilidade profissional ao longo da carreira. Em Portugal, a taxa de abandono precoce caiu de 39% em 2000 para 8% em 2023, reflexo das políticas de retenção escolar das últimas décadas.
A escola prepara efectivamente para o mercado de trabalho actual?
A escola proporciona qualificações formais, competências transversais e uma base de aprendizagem contínua valorizadas pelos empregadores. Em 2026, face à automação e à inteligência artificial, a capacidade de adaptação — alicerçada na formação escolar — tornou-se um factor de empregabilidade ainda mais crítico do que no passado.
Existe diferença no impacto da escolaridade entre homens e mulheres?
Sim. Segundo a OCDE, as mulheres sem ensino secundário completo têm uma taxa de emprego de apenas 47%, 25 pontos abaixo dos homens na mesma situação. Com formação superior, essa diferença cai para seis pontos percentuais. A educação tem, portanto, um efeito equalizador mais pronunciado no caso das mulheres.