Por que a escola é essencial para o futuro
A escola continua a ser, em 2026, um dos fatores mais determinantes para o percurso profissional e pessoal de qualquer jovem. Em Portugal, os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística e da OCDE confirmam aquilo que décadas de investigação em economia da educação já apontavam: quanto mais elevado o nível de escolaridade, maiores as probabilidades de emprego estável, melhores remunerações e mais oportunidades ao longo da vida. Compreender porque é que a escola é essencial para o futuro implica olhar para além da sala de aula, para o impacto direto que a educação tem no mercado de trabalho, na mobilidade social e no desenvolvimento de competências que a sociedade contemporânea exige.
O que dizem os números sobre escolaridade e emprego em Portugal
Os dados da OCDE relativos a 2025 mostram que mais de 80% dos trabalhadores portugueses com ensino superior auferem um salário acima da média nacional, enquanto entre quem concluiu apenas o ensino secundário essa proporção cai significativamente, com mais de metade a ganhar abaixo da média. Em termos concretos, o salário médio líquido de quem tem ensino superior foi, em 2024, de cerca de 1.515 euros, valor que compara com 1.003 euros para quem tem o secundário e 864 euros para quem tem apenas o ensino básico. Os licenciados ganham, em média, mais 28% do que quem só tem o secundário, e quem tem mestrado ganha cerca de 49% a mais.
Estes números confirmam que o investimento em educação continua a compensar economicamente, ainda que a diferença salarial entre níveis de escolaridade tenha vindo a estreitar-se nos últimos anos, especialmente entre os mais jovens. Quanto ao desemprego, a taxa nacional situou-se entre os 5,7% e os 6,1% ao longo de 2025 e do primeiro semestre de 2026, mas este indicador varia substancialmente consoante o grau académico: pessoas com qualificações mais elevadas enfrentam tipicamente taxas de desemprego mais baixas e processos de reinserção no mercado de trabalho mais rápidos do que pessoas com escolaridade incompleta.
Abandono escolar: Portugal já cumpre a meta europeia para 2030
Um dos sinais mais positivos da última década é a evolução do abandono escolar precoce em Portugal. Em 2025, a taxa situou-se em 6,1% entre os jovens dos 18 aos 24 anos que não completaram o secundário e não estavam a estudar nem em formação — um valor já abaixo da meta de 9% definida pela União Europeia para 2030, meta que Portugal atingiu antecipadamente em 2021. Esta taxa é mais baixa entre as mulheres (4,5%) do que entre os homens (7,6%), uma diferença que reflete padrões mais amplos de permanência e sucesso escolar entre géneros.
Esta melhoria sustentada resulta de décadas de políticas públicas orientadas para a retenção escolar, do alargamento da escolaridade obrigatória até ao 12.º ano e de programas de apoio a alunos em risco de abandono. Ainda assim, persistem assimetrias regionais relevantes, com algumas zonas do país, como o Algarve, a registar taxas de abandono superiores à média nacional, o que indica que o trabalho de combate ao abandono escolar não está concluído.
Para além do salário: o que a escola realmente prepara
Reduzir o valor da escola a uma equação salarial seria simplificar excessivamente o seu papel. A escola é o espaço onde se desenvolvem competências que ultrapassam o conteúdo das disciplinas: capacidade de raciocínio crítico, literacia digital, trabalho em equipa, gestão do tempo e adaptação à mudança. Num mercado de trabalho cada vez mais marcado pela automação e pela inteligência artificial, estas competências transversais tornam-se tão ou mais importantes do que o diploma em si, porque preparam a pessoa para aprender continuamente ao longo da vida — uma exigência crescente em praticamente todos os setores de atividade.
A escola também desempenha um papel central na socialização e na construção da autonomia. É no percurso escolar que se constroem hábitos de responsabilidade, se desenvolve a capacidade de lidar com frustração e sucesso, e se estabelecem as primeiras redes sociais fora do núcleo familiar. Estes elementos, embora menos mensuráveis do que um salário médio, influenciam diretamente a forma como uma pessoa enfrenta desafios profissionais e pessoais ao longo da vida adulta.
Mobilidade social e redução de desigualdades
A educação continua a ser um dos principais mecanismos de mobilidade social em sociedades como a portuguesa. Para jovens oriundos de famílias com menor capital económico ou cultural, completar o ensino secundário e aceder ao ensino superior representa frequentemente a via mais direta para alcançar condições de vida diferentes das dos seus pais. Os estudos da OCDE sobre retorno do investimento em educação superior em Portugal apontam para um retorno estimado de cerca de 13,7 euros por cada euro investido em formação superior, considerando ganhos salariais acumulados ao longo da carreira e benefícios fiscais associados.
Esta lógica de retorno não beneficia apenas o indivíduo: tem também impacto coletivo. Populações mais escolarizadas tendem a contribuir mais para a economia, a ter melhores indicadores de saúde pública e a participar mais ativamente na vida cívica e democrática. Por isso, investir na escola não é apenas uma decisão individual sobre o futuro de cada jovem, mas também uma aposta estrutural no desenvolvimento do país.
Perguntas frequentes
Qual é a taxa de abandono escolar precoce em Portugal em 2025?
Em 2025, a taxa de abandono escolar precoce em Portugal situou-se em 6,1% entre os jovens dos 18 aos 24 anos, valor já abaixo da meta de 9% definida pela União Europeia para 2030.
Quanto mais ganha, em média, quem tem ensino superior em Portugal?
Em 2024, o salário médio líquido de quem tem ensino superior foi de cerca de 1.515 euros, contra 1.003 euros para quem tem o secundário e 864 euros para quem tem apenas o ensino básico. Os licenciados ganham, em média, mais 28% do que quem só completou o secundário.
A escola continua a ser importante mesmo com o avanço da inteligência artificial?
Sim. Num mercado de trabalho marcado pela automação, a escola é cada vez mais valorizada pelo desenvolvimento de competências transversais, como pensamento crítico, literacia digital e capacidade de aprendizagem contínua, que complementam o conhecimento técnico.
Qual é o retorno do investimento no ensino superior em Portugal?
Segundo dados da OCDE, o retorno estimado do investimento em ensino superior em Portugal é de cerca de 13,7 euros por cada euro investido, considerando ganhos salariais acumulados ao longo da carreira.