Por que os EUA entraram na Segunda Guerra Mundial
A entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial não foi imediata nem inevitável. Durante mais de dois anos após o início do conflito, em setembro de 1939, Washington manteve uma política oficial de neutralidade, pressionada por uma forte corrente isolacionista interna. Foi preciso um ataque direto ao território norte-americano — o bombardeamento da base naval de Pearl Harbor, no Havai, a 7 de dezembro de 1941 — para que os EUA declarassem guerra e entrassem definitivamente na maior conflagração da história contemporânea.
O isolacionismo americano
Após a Primeira Guerra Mundial, os Estados Unidos recusaram-se a aderir à Sociedade das Nações e desenvolveram uma política cada vez mais avessa ao envolvimento em conflitos estrangeiros. Este isolacionismo tinha raízes profundas na tradição política norte-americana, mas ganhou nova força nos anos 1930, com a Grande Depressão e o crescente cansaço face a intervenções internacionais.
No plano legislativo, o Congresso aprovou uma série de Neutrality Acts entre 1935 e 1937, que proibiam a exportação de armas e munições para nações em guerra e impediam a concessão de empréstimos a países beligerantes. Em 1940 e 1941, o movimento America First Committee, que chegou a contar com mais de 800 000 membros, defendia abertamente que os EUA não deveriam intervir na guerra europeia. Sondagens da época estimavam que cerca de 88% dos americanos se opunham à entrada direta no conflito.
O apoio gradual aos Aliados
Apesar da neutralidade formal, o presidente Franklin D. Roosevelt não era indiferente à evolução da guerra. Convicto de que a vitória das potências do Eixo representava uma ameaça aos interesses americanos, procurou formas de apoiar os Aliados sem violar a letra das leis de neutralidade nem provocar o Congresso.
Em março de 1941, Roosevelt conseguiu a aprovação da Lei de Empréstimo e Arrendamento (Lend-Lease Act), assinada a 11 de março. Este diploma autorizava o governo a fornecer material de guerra — armamento, munições, alimentos e petróleo — a qualquer nação cuja defesa fosse considerada vital para a segurança americana. O Reino Unido foi o principal beneficiário inicial, seguido da União Soviética após a invasão alemã em junho de 1941. Roosevelt chegou a descrever os EUA como o "arsenal da democracia". Ao longo de toda a guerra, o programa totalizou cerca de 50 mil milhões de dólares em ajuda.
As tensões com o Japão
Enquanto a Europa ardia, os EUA enfrentavam paralelamente uma escalada de tensão no Pacífico. O Japão, em expansão imperial pela Ásia desde os anos 1930, avançara sobre a China e, em 1940-1941, ocupara partes da Indochina Francesa. Washington respondeu com sanções económicas progressivas, culminando num embargo total ao petróleo e ao ferro em julho de 1941.
Para o Japão, este embargo era uma ameaça existencial: sem petróleo americano, a máquina militar japonesa ficaria imobilizada em pouco tempo. Tóquio debatia-se entre a negociação diplomática e a expansão militar para garantir acesso às reservas de petróleo do Sudeste Asiático. O almirante Isoroku Yamamoto, comandante da Marinha Imperial, argumentava que a frota americana estacionada no Havai constituía o principal obstáculo a esse plano. A solução foi uma operação de surpresa destinada a neutralizá-la antes que Washington pudesse reagir.
O ataque a Pearl Harbor
Na manhã de 7 de dezembro de 1941, às 7h48 (hora local), 353 aviões japoneses — caças, bombardeiros em mergulho e torpedeiros — lançados de seis porta-aviões atacaram em duas vagas a base naval norte-americana de Pearl Harbor, no arquipélago do Havai. O ataque durou menos de duas horas.
O saldo foi devastador para os EUA: 2 403 militares e civis mortos, 1 178 feridos, oito couraçados danificados ou afundados e mais de 180 aeronaves destruídas. A maior perda concentrada de vidas ocorreu no USS Arizona, onde morreram 1 177 tripulantes quando o navio explodiu após ser atingido — mais de metade dos mortos totais em Pearl Harbor. As perdas japonesas foram comparativamente reduzidas: 29 aeronaves e cerca de 130 homens.
O ataque apanhou os americanos completamente desprevenidos. Os diplomatas japoneses em Washington continuavam a negociar enquanto os aviões já sobrevoavam Pearl Harbor. Apesar de alguns sinais de inteligência terem sugerido movimentações suspeitas da Marinha Imperial, a direção específica do ataque não foi antecipada pelos serviços americanos.
A declaração de guerra
No dia seguinte ao ataque, 8 de dezembro de 1941, o presidente Roosevelt discursou perante o Congresso em sessão conjunta, descrevendo o dia anterior como "uma data que viverá na infâmia" (a date which will live in infamy). Nesse mesmo dia, o Congresso declarou guerra ao Japão com apenas um voto contra — o da pacifista Jeannette Rankin.
A 11 de dezembro de 1941, a Alemanha Nazi e a Itália Fascista declararam guerra aos Estados Unidos, cumprindo as obrigações do Pacto Tripartido. O Congresso americano respondeu imediatamente com declarações de guerra a ambas as potências. Com este encadeamento de declarações num espaço de quatro dias, os EUA encontravam-se oficialmente em guerra em duas frentes: o Pacífico e a Europa.
O papel dos EUA no desfecho da guerra
A entrada norte-americana no conflito alterou profundamente o equilíbrio de forças. A reconversão da indústria americana para produção bélica gerou um fluxo de material de guerra sem precedentes. Militarmente, os EUA contribuíram de forma determinante para a viragem no Pacífico (Batalha de Midway, junho de 1942), para a campanha do Norte de África, para a invasão da Itália e, sobretudo, para o desembarque na Normandia a 6 de junho de 1944. A capitulação da Alemanha ocorreu a 8 de maio de 1945 e a do Japão a 15 de agosto de 1945, após os bombardeamentos atómicos de Hiroxima e Nagasáqui.
Em termos historiográficos, alguns autores levantaram a hipótese de Roosevelt ter sabido previamente do ataque a Pearl Harbor e o ter deixado acontecer para contornar o isolacionismo interno. A esmagadora maioria das investigações históricas rejeita esta tese, apontando para falhas de coordenação entre serviços de inteligência e não para qualquer cumplicidade deliberada da administração.
Perguntas frequentes
O que foi o ataque a Pearl Harbor?
O ataque a Pearl Harbor foi um bombardeamento surpresa levado a cabo pela Marinha Imperial Japonesa contra a base naval norte-americana no Havai, a 7 de dezembro de 1941. Participaram 353 aviões japoneses em duas vagas, causando a morte de 2 403 americanos e destruindo ou danificando oito couraçados.
Quando é que os EUA declararam guerra na Segunda Guerra Mundial?
Os EUA declararam guerra ao Japão a 8 de dezembro de 1941, um dia após o ataque a Pearl Harbor. Declararam guerra à Alemanha e à Itália a 11 de dezembro de 1941, em resposta às declarações de guerra emitidas por essas potências nesse mesmo dia.
Por que razão os EUA eram neutros antes de Pearl Harbor?
Os EUA mantinham uma tradição isolacionista, reforçada pelas leis de neutralidade aprovadas nos anos 1930 e pela forte oposição pública ao envolvimento em guerras europeias. Cerca de 88% dos americanos eram contra a entrada direta no conflito antes de dezembro de 1941.
O que foi o Lend-Lease Act?
A Lei de Empréstimo e Arrendamento, assinada a 11 de março de 1941, permitiu aos EUA fornecer material de guerra — armamento, alimentos e petróleo — aos Aliados sem violar formalmente a neutralidade. O programa totalizou cerca de 50 mil milhões de dólares em ajuda durante a guerra.
Por que razão o Japão atacou Pearl Harbor?
O Japão atacou Pearl Harbor para neutralizar a frota americana do Pacífico e garantir liberdade de manobra para se apoderar das reservas de petróleo do Sudeste Asiático, indispensáveis ao seu esforço de guerra, após o embargo americano ao petróleo imposto em julho de 1941.