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O papel da União Soviética na Segunda Guerra Mundial

Publicado 29. abril 2025 Atualizado 28. junho 2026

Qual foi o papel da União Soviética na Segunda Guerra Mundial?

A União Soviética (URSS) desempenhou um papel decisivo na derrota da Alemanha nazi durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Foi no chamado Front Oriental que se travou a maior parte dos combates terrestres do conflito europeu e onde o exército alemão sofreu cerca de 80% das suas baixas mortais. A um custo humano colossal — estimado em torno de 27 milhões de mortos —, a URSS absorveu o grosso do esforço militar do Terceiro Reich e foi o principal artífice do colapso militar alemão, ainda que a vitória aliada tenha resultado de uma coligação que incluiu também os Estados Unidos e o Reino Unido.

Do pacto com Hitler à invasão alemã

O envolvimento soviético no conflito teve duas fases muito distintas. Em agosto de 1939, a URSS de Josef Estaline e a Alemanha de Adolf Hitler assinaram o Pacto Molotov-Ribbentrop, um acordo de não-agressão que incluía um protocolo secreto de divisão de esferas de influência na Europa de Leste. Ao abrigo desse entendimento, após a invasão alemã da Polónia em setembro de 1939, a URSS ocupou a parte oriental do território polaco e, nos meses seguintes, anexou os Estados bálticos (Estónia, Letónia e Lituânia) e parte da Roménia, travando ainda a chamada Guerra de Inverno contra a Finlândia (1939-1940).

Essa fase terminou abruptamente a 22 de junho de 1941, quando a Alemanha lançou a Operação Barbarossa, a maior invasão terrestre da história. Cerca de três milhões de soldados do Eixo atravessaram a fronteira ao longo de uma frente de milhares de quilómetros, apanhando o Exército Vermelho mal preparado. Nos primeiros meses, os alemães avançaram profundamente, cercaram centenas de milhares de soldados soviéticos e aproximaram-se de Moscovo, Leninegrado e dos campos petrolíferos do sul.

As batalhas que mudaram o rumo da guerra

A resistência soviética endureceu no final de 1941. A Batalha de Moscovo (inverno de 1941-1942) deteve o avanço alemão sobre a capital e desfez a ideia de uma vitória rápida. Seguiu-se o cerco de Leninegrado (atual São Petersburgo), que durou quase 900 dias e provocou a morte de mais de um milhão de civis, sobretudo por fome.

O ponto de viragem ocorreu na Batalha de Estalinegrado (atual Volgogrado), entre 1942 e fevereiro de 1943. O cerco e a rendição do 6.º Exército alemão constituíram uma derrota estratégica e simbólica sem retorno para a Alemanha. Pouco depois, no verão de 1943, a Batalha de Kursk — o maior confronto de blindados da história — esgotou definitivamente a capacidade ofensiva alemã no leste. A partir daí, o Exército Vermelho passou à ofensiva permanente.

Em 1944, a Operação Bagration aniquilou o Grupo de Exércitos Centro alemão, uma das mais devastadoras derrotas do Reich, e abriu caminho para a entrada soviética na Europa central. A campanha culminou na Batalha de Berlim, em abril e maio de 1945, com a tomada da capital alemã pelas tropas soviéticas e o suicídio de Hitler, que precipitou a capitulação alemã a 8-9 de maio de 1945 (data celebrada na Rússia como o Dia da Vitória).

Por que foi o Front Oriental tão decisivo

A dimensão do esforço soviético explica-se por números. Durante a maior parte da guerra, a maioria das divisões alemãs esteve empenhada contra a URSS. Dos cerca de cinco milhões de soldados alemães mortos no conflito, aproximadamente quatro milhões caíram no leste. Foi também aí que se destruiu a maior parte do material militar do Eixo. Por comparação, as frentes de África do Norte, Itália e, a partir de junho de 1944, a Normandia, embora cruciais, mobilizaram uma fração menor das forças terrestres alemãs.

Outro fator determinante foi a mobilização industrial e humana. A URSS deslocou centenas de fábricas para leste dos montes Urais, fora do alcance alemão, e converteu a economia para uma produção massiva de tanques (como o T-34), artilharia e aviões. Esta capacidade de regenerar exércitos inteiros após perdas catastróficas foi algo que a Alemanha não conseguiu igualar.

O apoio aliado e o custo humano

O esforço soviético não foi totalmente isolado. Através do programa norte-americano de Lend-Lease, a URSS recebeu camiões, locomotivas, alimentos, matérias-primas e equipamento que reforçaram significativamente a sua logística e mobilidade, mesmo que a esmagadora maioria do armamento de combate fosse de fabrico próprio. A abertura da Segunda Frente no ocidente, em 1944, obrigou ainda a Alemanha a dividir recursos.

O preço pago foi imenso. As estimativas oficiais russas, baseadas em estudos da Academia das Ciências, apontam para cerca de 26,6 milhões de mortos, dos quais aproximadamente 8,7 a 12 milhões eram militares e o restante civis vítimas de ocupação, fome, doença, trabalho forçado e extermínio. Cerca de 5,7 milhões de soldados soviéticos foram feitos prisioneiros, dos quais mais de metade morreu em cativeiro alemão. Estes números fazem da URSS, de longe, o país com mais vítimas do conflito.

Consequências e memória

A vitória transformou a URSS numa superpotência e deu-lhe controlo sobre grande parte da Europa de Leste, lançando as bases da divisão do continente e da Guerra Fria que se seguiu. Em 2026, o papel soviético continua a ser objeto de debate historiográfico e político: por um lado, reconhece-se o caráter decisivo do sacrifício soviético; por outro, recordam-se as ambiguidades do regime estalinista, o pacto inicial com Hitler, as anexações e a repressão exercida sobre os territórios libertados. Na Rússia atual, a memória da «Grande Guerra Patriótica» mantém-se como pilar central da identidade nacional.

Perguntas frequentes

Quantos soviéticos morreram na Segunda Guerra Mundial?

As estimativas oficiais russas apontam para cerca de 26,6 a 27 milhões de mortos, somando militares e civis. Trata-se do maior número de vítimas de qualquer país no conflito, representando quase metade de todas as mortes da guerra na Europa.

Qual foi a batalha mais importante do Front Oriental?

A Batalha de Estalinegrado (1942-1943) é geralmente considerada o grande ponto de viragem, ao destruir o 6.º Exército alemão. A Batalha de Kursk (1943) consolidou a iniciativa soviética, que se manteve até à tomada de Berlim em 1945.

A União Soviética ganhou a guerra sozinha?

Não. A vitória resultou de uma coligação aliada com os Estados Unidos e o Reino Unido. Contudo, a URSS suportou a maior parte dos combates terrestres na Europa e infligiu cerca de 80% das baixas mortais ao exército alemão, contando ainda com o apoio material do programa Lend-Lease.

Porque é que a URSS assinou um pacto com a Alemanha nazi em 1939?

O Pacto Molotov-Ribbentrop foi um acordo de não-agressão que permitiu a Estaline ganhar tempo, expandir o território soviético a ocidente e adiar o confronto com a Alemanha, que acabaria por chegar na invasão de junho de 1941.

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