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Extinção de espécies: os principais fatores explicados

Publicado 23. maio 2026 Atualizado 28. junho 2026

Quais fatores levam à extinção de espécies?

A extinção é um fenómeno natural na história da vida na Terra, mas o ritmo atual ultrapassa em muito o que seria esperado sem a interferência humana. Estima-se que as espécies estejam a desaparecer a uma velocidade dezenas a centenas de vezes superior à taxa de fundo dos últimos milhões de anos, levando muitos investigadores a falar de uma sexta extinção em massa. Uma espécie raramente desaparece por uma única razão: na maioria dos casos, várias pressões atuam em simultâneo, reforçando-se umas às outras. Este artigo explica os principais fatores que conduzem à extinção, com base nas avaliações científicas mais recentes da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) e da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade (IPBES).

Qual é a dimensão do problema em 2026

Os números ajudam a perceber a escala da crise. A Lista Vermelha da UICN, considerada o inventário mais completo do estado de conservação das espécies, ultrapassou em 2026 as 172 600 espécies avaliadas, das quais perto de 48 000 estão ameaçadas de extinção — cerca de 28% do total avaliado. O risco não se distribui de forma uniforme: estão ameaçados aproximadamente 41% dos anfíbios, 38% dos tubarões e raias, 34% das coníferas, 26% dos mamíferos e impressionantes 71% das cicadáceas. Entre as aves, 61% das espécies apresentam populações em declínio, uma subida acentuada face aos 44% registados em 2016.

O relatório de avaliação global do IPBES, elaborado por 145 cientistas de 50 países, sintetizou o problema de forma marcante: cerca de um milhão de espécies animais e vegetais estão atualmente ameaçadas de extinção, muitas delas no espaço de décadas. É deste trabalho que provém a classificação hoje mais usada dos fatores de extinção.

Os cinco grandes fatores de extinção

O IPBES identificou cinco fatores diretos responsáveis pela perda de biodiversidade, ordenados pelo impacto global relativo: alterações no uso do solo e do mar, exploração direta dos organismos, alterações climáticas, poluição e espécies invasoras.

1. Perda e fragmentação de habitats

A destruição dos habitats é, de longe, o maior responsável pelo declínio da biodiversidade terrestre. A desflorestação, a drenagem de zonas húmidas, a expansão agrícola, a urbanização e a mineração eliminam os ambientes de que as espécies dependem. A agricultura, por si só, está na origem de cerca de 90% da desflorestação mundial. Quando um habitat é fragmentado em pequenas manchas isoladas, as populações remanescentes ficam separadas, perdem variabilidade genética e tornam-se mais vulneráveis a doenças, catástrofes e consanguinidade.

2. Exploração direta dos organismos

A caça, a pesca, a captura e o comércio de espécies retiram dos ecossistemas mais indivíduos do que a sua capacidade de reposição permite. A sobrepesca esgotou inúmeras populações de peixes e é a principal ameaça aos tubarões e raias; a caça furtiva continua a dizimar elefantes, rinocerontes e pangolins; e o tráfico de animais e plantas exóticas pressiona milhares de espécies, incluindo répteis, aves e orquídeas.

3. Alterações climáticas

O aquecimento global altera a temperatura, os regimes de precipitação e a frequência de fenómenos extremos, modificando a disponibilidade de alimento, os ciclos reprodutivos e as rotas de migração. Espécies que não conseguem adaptar-se nem deslocar-se com rapidez suficiente ficam encurraladas. Os corais, dos quais cerca de 44% estão ameaçados, sofrem branqueamento com o aquecimento dos oceanos; nas regiões polares, as focas do Ártico foram recentemente classificadas como ameaçadas devido à perda de gelo marinho. À medida que o século avança, prevê-se que o clima se torne um fator cada vez mais determinante.

4. Poluição

A poluição contamina solos, rios, oceanos e a atmosfera. O excesso de azoto e amoníaco proveniente de fertilizantes, os pesticidas, os metais pesados, os plásticos e os resíduos industriais envenenam diretamente os organismos ou degradam os seus habitats. A poluição luminosa e sonora perturba comportamentos de orientação, caça e reprodução em muitas espécies, dos insetos às aves marinhas e cetáceos.

5. Espécies invasoras

A introdução de espécies fora da sua área de origem — de forma deliberada ou acidental — pode ter efeitos devastadores. As espécies invasoras competem com as nativas por recursos, predam-nas, transmitem doenças ou alteram o próprio funcionamento do ecossistema. Calcula-se que mais de 37 000 espécies tenham sido introduzidas em biomas por todo o mundo e que estes invasores tenham contribuído para cerca de 60% de todas as extinções documentadas, sobretudo em ilhas, onde a fauna nativa evoluiu sem defesas contra os recém-chegados.

Fatores que tornam algumas espécies mais vulneráveis

Para além das pressões externas, certas características biológicas aumentam o risco de extinção. Espécies com áreas de distribuição muito reduzidas, populações pequenas, baixa taxa de reprodução, dietas ou habitats muito especializados, ou que ocupam o topo das cadeias alimentares, são particularmente frágeis. As espécies endémicas de ilhas combinam frequentemente vários destes traços, o que explica a sua sobrerrepresentação nas extinções históricas. A erosão da diversidade genética, resultante de populações cada vez mais pequenas, reduz ainda mais a capacidade de adaptação a novas ameaças.

O efeito combinado das pressões

O aspeto mais perigoso desta crise é a forma como os fatores se acumulam. Uma população já enfraquecida pela perda de habitat resiste pior a uma seca prolongada, a uma nova doença introduzida ou a um surto de espécies invasoras. As alterações climáticas, em particular, agravam quase todos os outros fatores, ao deslocar habitats, intensificar incêndios e facilitar a expansão de pragas. É esta convergência de pressões, e não um único acontecimento isolado, que conduz a maioria das espécies à beira do desaparecimento.

Perguntas frequentes

Qual é o principal fator de extinção de espécies?

A perda e fragmentação de habitats, sobretudo devido à expansão agrícola, à desflorestação e à urbanização, é o fator com maior impacto global na extinção das espécies terrestres.

Quantas espécies estão ameaçadas de extinção em 2026?

Segundo a Lista Vermelha da UICN, perto de 48 000 das mais de 172 600 espécies avaliadas estão ameaçadas de extinção, cerca de 28% do total. O IPBES estima que aproximadamente um milhão de espécies estejam em risco.

As alterações climáticas são a principal causa de extinção?

Ainda não são o fator dominante a nível global — a perda de habitat e a exploração direta têm maior impacto atual —, mas as alterações climáticas estão a ganhar peso rapidamente e agravam quase todas as outras pressões.

As espécies invasoras causam muitas extinções?

Sim. Estima-se que as espécies invasoras tenham contribuído para cerca de 60% de todas as extinções documentadas, com efeitos especialmente graves em ecossistemas insulares.

A extinção é sempre causada pelo ser humano?

Não. A extinção é um processo natural, mas a atividade humana acelerou-a a um ritmo dezenas a centenas de vezes superior ao normal, razão pela qual se fala numa sexta extinção em massa.

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