Bagan: Os Melhores Lugares para Visitar na Antiga Capital
Bagan é uma das mais extraordinárias paisagens arqueológicas do mundo. Situada na região de Mandalay, no centro de Myanmar, esta antiga cidade reúne mais de 2.200 templos, pagodes e mosteiros construídos entre os séculos XI e XIII, durante o auge do Império Pagão. Inscrita na lista de Património Mundial da UNESCO em 2019, Bagan atrai cada vez mais viajantes interessados em história budista, arquitetura medieval e paisagens de rara beleza. Em 2026, continua a ser um dos destinos mais procurados do Sudeste Asiático, apesar do contexto político instável que afeta Myanmar desde o golpe militar de 2021.
O Sítio Arqueológico de Bagan
A planície de Bagan estende-se por cerca de 40 quilómetros quadrados ao longo do rio Ayeyarwady. No auge do seu esplendor, entre os séculos XI e XIII, a cidade contava com mais de dez mil estruturas religiosas. Das que sobreviveram — entre terramotos, saques e a passagem do tempo — mantêm-se hoje 2.229 estruturas catalogadas. O sítio divide-se em três zonas principais: Bagan Antiga (Old Bagan), onde se concentram os templos mais importantes; Nyaung-U, que funciona como centro de serviços e mercados; e New Bagan, construída após o reassentamento forçado de parte da população local na década de 1990.
Os Templos Mais Importantes
Templo de Ananda
Considerado o mais belo de Bagan, o Templo de Ananda foi construído em 1105 pelo rei Kyanzittha. O edifício apresenta uma planta em forma de cruz, coberto por um exterior dourado e decorado com azulejos de faiança. No interior, quatro estátuas colossais de Buda — cada uma voltada para um ponto cardeal — impressionam pela sua escala e expressão. O templo permanece em uso ativo como local de culto, e é frequente a presença de monges e peregrinos, sobretudo durante o festival anual de Ananda, que se realiza na lua cheia de Pyatho (janeiro).
Dhammayangyi
O maior templo em área de toda a planície de Bagan, o Dhammayangyi foi mandado construir pelo rei Narathu no século XII. A estrutura imponente, visível de longe, é também das mais misteriosas: o corredor interior da câmara central foi misteriosamente murado, e as razões continuam a ser debatidas por historiadores. A solidez da alvenaria é notória — diz-se que o rei exigia que as juntas entre tijolos fossem tão finas que não deixassem passar nem uma agulha.
Thatbyinnyu
Com cerca de 60 metros de altura, o Thatbyinnyu é o templo mais alto de Bagan. Construído no século XII durante o reinado de Alaungsithu, apresenta dois andares distintos, cada um com função religiosa específica. A fachada em tons creme domina o horizonte de Bagan Antiga e é um ponto de referência visual incontornável na planície.
Shwezigon
Um dos pagodes mais antigos e venerados de todo o país, o Shwezigon foi iniciado pelo rei Anawrahta e concluído pelo seu sucessor Kyanzittha. O seu núcleo central — uma estupa dourada de base circular — serviu de modelo para inúmeras construções posteriores em todo o território de Myanmar. O complexo inclui templos laterais e é considerado um dos quatro grandes pagodes sagrados do país.
Shwesandaw e Pyathada
Estes dois pagodes são procurados especialmente ao amanhecer e ao entardecer pelas suas amplas terraços com vistas panorâmicas sobre a planície. O Shwesandaw, de perfil piramidal com cinco socalcos, oferece visibilidade sobre dezenas de templos. O Pyathada, de maiores dimensões, proporciona um terraço mais espaçoso. Após danos causados pelo terramoto de 2016, as autoridades restringiram a subida a alguns destes miradouros, pelo que convém verificar o acesso no local antes de visitar.
Mahabodhi e Gawdawpalin
O Mahabodhi distingue-se dos restantes por imitar o estilo do templo indiano de Bodhgaya, local da iluminação do Buda histórico, e apresenta uma estrutura vertical única na região. O Gawdawpalin, o segundo mais alto de Bagan, foi severamente danificado pelo terramoto de 1975 e reconstruído posteriormente; o interior é amplo e propício à meditação.
Miradouros e Pontos de Vista
Após a proibição progressiva de subir aos terraços dos templos históricos — medida para proteger as estruturas —, foi construída a Torre de Observação de Bagan (Nann Myint Viewing Tower), com 61 metros de altura. A partir desta estrutura moderna, situada em Bagan Antiga, é possível ter uma visão abrangente sobre o sítio arqueológico, o rio Ayeyarwady e os montes ao longe. A entrada é paga e inclui o acesso a uma plataforma de vidro.
Uma das experiências mais marcantes para quem visita Bagan é a subida de balão de ar quente ao amanhecer. Várias operadoras oferecem voos sazonais (geralmente de outubro a abril) que permitem ver a planície coberta de templos banhada pela luz da aurora — uma vista difícil de igualar.
O Rio Ayeyarwady
O grande rio de Myanmar flui a oeste da planície de Bagan e faz parte integrante da paisagem local. Ao entardecer, cruzeiros fluviais partem da margem para que os visitantes possam apreciar o pôr do sol com a silhueta dos templos ao fundo. A travessia em barco para a margem oposta oferece também perspetivas fotográficas distintas sobre o sítio arqueológico.
Monte Popa
A cerca de 50 quilómetros de Bagan, o Monte Popa é um vulcão extinto que integra a mitologia religiosa de Myanmar. No topo de um afloramento rochoso com 737 metros de altitude, o Taung Kalat é um complexo de templos budistas e santuários dedicados aos nats — espíritos da tradição animista local venerados em paralelo com o budismo. A subida implica percorrer 777 degraus a pé descalço, entre macacos e oferendas. O panorama a partir do topo abrange a planície de Bagan e a paisagem montanhosa da região.
Artesanato e Mercados
Bagan é reconhecida como o principal centro de produção de lacaria (lacquerware) de Myanmar. Esta técnica artesanal, transmitida de geração em geração, consiste na aplicação de múltiplas camadas de laca sobre bases de bambu ou madeira, depois decoradas com motivos tradicionais. Vários ateliers, como a Bagan House Lacquerware Workshop, permitem assistir ao processo de fabrico e adquirir peças diretamente aos artesãos.
O Mercado de Mani-Sithu, em Nyaung-U, é o principal mercado local da região e uma boa oportunidade para observar o quotidiano da população e comprar produtos locais, incluindo artesanato, especiarias e têxteis.
Como Explorar Bagan
A forma mais popular de percorrer a planície é de bicicleta elétrica (e-bike), alugada por dia em Nyaung-U ou Bagan Antiga. Os caminhos de terra que ligam os templos são acessíveis e permitem descobrir estruturas menores e menos visitadas, longe das rotas turísticas principais. Carros com motorista e charretes de cavalo são alternativas disponíveis para quem prefere não conduzir.
Perguntas Frequentes
Quantos templos existem em Bagan?
O sítio arqueológico de Bagan conta com 2.229 estruturas religiosas catalogadas, entre templos, pagodes e mosteiros, construídos maioritariamente entre os séculos XI e XIII.
Qual é o melhor templo para ver o pôr do sol em Bagan?
O Shwesandaw e o Pyathada são os locais tradicionais para observar o pôr do sol sobre a planície. A Torre de Observação de Bagan (Nann Myint) é atualmente a alternativa mais acessível desde que a subida aos templos históricos foi restringida.
Os balões de ar quente funcionam o ano todo em Bagan?
Não. Os voos de balão em Bagan são sazonais e operam geralmente entre outubro e abril, durante a estação seca. Na época das chuvas (maio a setembro), os voos são suspensos.
É possível entrar nos templos de Bagan?
Sim, a maioria dos templos permanece acessível ao público. É necessário remover o calçado antes de entrar. Alguns templos têm restrições de acesso aos terraços superiores após os danos provocados pelo terramoto de 2016.
Bagan é Património Mundial da UNESCO?
Sim. Bagan foi inscrita na lista de Património Mundial da UNESCO em julho de 2019, reconhecida pelo seu valor histórico, arqueológico e arquitetónico excecional.