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Qual é a capital da China e por que foi escolhida?

Publicado 23. maio 2026

Qual é a capital da China e por que foi escolhida?

Pequim (em chinês: 北京, Běijīng, que significa literalmente "Capital do Norte") é a capital da República Popular da China e uma das cidades mais populosas e historicamente ricas do mundo. Com mais de 21 milhões de habitantes em 2026, a cidade serve como centro político, cultural, educativo e económico do país mais populoso do planeta. Mas porque é que Pequim é a capital da China e como chegou a esse estatuto? A resposta exige uma viagem de vários séculos pela história imperial chinesa.

A história de Pequim como capital da China

A área onde hoje se ergue Pequim foi habitada há mais de 500.000 anos, como atestam os fósseis do Homem de Pequim descobertos em Zhoukoudian. Ao longo dos milénios, a região foi um ponto de encontro estratégico entre as planícies do norte da China e as estepes das tribos nómadas do interior da Ásia.

O papel de Pequim como capital começou a ganhar forma com a sua designação como sede do poder por diferentes dinastias. Durante a dinastia Yan, no período dos Reinos Combatentes (475-221 a.C.), a cidade funcionou já como centro regional de poder. No entanto, a sua ascensão à condição de capital imperial aconteceu séculos mais tarde.

A era mongol: Dadu, a Grande Capital

O momento decisivo na história de Pequim como capital ocorreu no século XIII, quando os mongóis, liderados por Kublai Khan, conquistaram toda a China. Em 1272, Kublai Khan designou a cidade como capital do seu império e atribuiu-lhe o nome de Dadu, que significa "Grande Capital". Em 1279, com a fundação definitiva da dinastia Yuan, toda a China passou a ser governada a partir de Pequim pela primeira vez na sua história. Este foi um momento fundador: a cidade tornava-se o centro de um dos maiores impérios da história da humanidade.

A dinastia Ming e a construção da Cidade Proibida

Com a queda da dinastia Yuan e o estabelecimento da dinastia Ming (1368-1644), a capital foi temporariamente transferida para Nanjing. No entanto, em 1420, o imperador Yongle ordenou a reconstrução e expansão de Pequim e restabeleceu a cidade como capital imperial. Foi durante este período que foram construídas algumas das estruturas mais icónicas da cidade, incluindo a Cidade Proibida (Zijincheng), o complexo palaciano que serviu de residência aos imperadores chineses durante quase 500 anos.

A Cidade Proibida, composta por 980 edifícios e 8.886 salas, foi construída entre 1406 e 1420 com o trabalho de mais de um milhão de operários. Classificada como Património Mundial da UNESCO em 1987, é hoje um dos museus mais visitados do mundo.

A dinastia Qing e o século XX

A dinastia Qing (1644-1912), de origem manchu, manteve Pequim como capital e expandiu o seu legado arquitetónico com a construção do Palácio de Verão e outros complexos monumentais. Com a queda do último imperador Qing e o estabelecimento da República da China em 1912, Pequim continuou a ser capital, embora com o nome de Beiping ("Paz do Norte") durante o período de 1928 a 1949, quando a capital foi transferida para Nanjing.

Em 1949, Mao Zedong proclamou a fundação da República Popular da China a partir da Praça de Tiananmen, em Pequim, restaurando à cidade o seu estatuto de capital nacional. Desde então, a cidade não mais deixou de ser o centro do poder político da China.

Porque é que Pequim foi escolhida como capital

A escolha de Pequim como capital não é arbitrária. Resulta de uma combinação de fatores geográficos, estratégicos, históricos e simbólicos que se reforçam mutuamente ao longo de séculos.

Posição geográfica estratégica

Pequim situa-se no limite nordeste da Grande Planície da China do Norte, próxima das montanhas que protegiam o território dos invasores do norte e das estepes da Mongólia e da Manchúria. Esta posição tornava a cidade um ponto de controlo essencial entre o interior agrícola da China e as regiões setentrionais habitadas por povos nómadas. Quem controlava Pequim controlava, em larga medida, o acesso entre estas duas realidades geográficas e humanas.

Peso histórico e simbólico

Ao longo de séculos, Pequim acumulou um peso histórico e simbólico que tornaria difícil a qualquer governante ignorá-la. A Cidade Proibida, a Grande Muralha nas suas proximidades, a Praça de Tiananmen e os inúmeros templos e palácios imperiais fazem de Pequim o repositório da memória imperial chinesa. Para os governantes que sucederam às dinastias, manter Pequim como capital era também uma forma de se legitimar através da continuidade histórica.

A decisão de Mao Zedong em 1949

Quando o Partido Comunista Chinês tomou o poder em 1949, a escolha de Pequim como capital foi deliberada e carregada de simbolismo. Proclamar a nova República a partir da Praça de Tiananmen, em frente à Cidade Proibida, era uma forma de associar o novo regime à grandeza imperial da China, ao mesmo tempo que se afirmava uma rutura com o passado. A tradição e a história foram, assim, os principais argumentos para a escolha de Pequim sobre outras cidades como Xangai ou Nanjing.

Pequim hoje: uma metrópole global

Em 2026, Pequim é uma das cidades mais dinâmicas e influentes do mundo. Com uma população estimada em 21,5 milhões de habitantes, a cidade combina um extraordinário legado histórico com uma modernidade vibrante.

Centro político e administrativo

Pequim alberga os principais órgãos do Estado chinês: a Assembleia Popular Nacional, o Conselho de Estado, o Comité Central do Partido Comunista Chinês e todos os ministérios do governo central. A cidade é, acima de tudo, o coração político da segunda maior potência mundial.

Economia e inovação

A economia de Pequim é dominada pelo setor de serviços, com especial destaque para as indústrias tecnológica, financeira e criativa. A cidade alberga a sede de algumas das maiores empresas tecnológicas do mundo, incluindo Baidu, ByteDance (criadora do TikTok) e Lenovo. O Zhongguancun, frequentemente chamado o "Silicon Valley chinês", é um dos principais centros de inovação e startups tecnológicas do mundo.

Turismo e cultura

Pequim é uma das cidades mais visitadas do mundo. Durante o feriado de Ano Novo de 2026, a capital registou 8,8 milhões de visitas turísticas em apenas três dias, gerando receitas de quase 11 mil milhões de yuanes. A cidade conta com 7.309 sítios culturais e 99 relíquias protegidas ao nível nacional.

Entre os principais atrativos turísticos destacam-se:

  • A Cidade Proibida: antigo palácio imperial, hoje Museu do Palácio, que recebe milhões de visitantes por ano.
  • A Grande Muralha da China: as secções mais acessíveis a partir de Pequim, como Badaling e Mutianyu, são das mais visitadas de toda a muralha.
  • A Praça de Tiananmen: a maior praça do mundo e centro simbólico da capital.
  • O Templo do Céu: complexo onde os imperadores realizavam cerimónias religiosas em honra do Céu.
  • O Palácio de Verão: conjunto palaciano e jardins que serviam de residência de verão da família imperial.

Educação e investigação

Pequim é o principal centro universitário e de investigação da China. Alberga algumas das mais prestigiadas universidades do país, incluindo a Universidade de Pequim (Beida) e a Universidade Tsinghua, frequentemente classificadas entre as melhores da Ásia e do mundo.

Pequim e a Grande Muralha da China

A relação entre Pequim e a Grande Muralha é inseparável da compreensão da cidade como capital. A muralha foi construída ao longo de séculos precisamente para proteger o território chinês, e especialmente a capital, das incursões dos povos nómadas do norte. As secções da muralha que circundam Pequim, algumas datando da dinastia Ming, foram construídas diretamente para a defesa da capital imperial.

Esta relação entre a muralha e a cidade sublinha um dos princípios fundamentais que tornou Pequim uma escolha tão duradoura como capital: a combinação entre posição estratégica e proteção natural e artificial.

Pequim face a outras capitais históricas da China

Ao longo da história, a China teve várias capitais. Xian (antiga Chang'an) foi a capital das dinastias Qin e Han e um dos principais centros da Rota da Seda. Nanjing foi capital em diferentes períodos, incluindo durante a República da China no século XX. Luoyang foi uma das capitais mais antigas da história chinesa.

O que distingue Pequim de todas estas alternativas é a combinação de continuidade histórica, posição geográfica estratégica e o peso simbólico acumulado ao longo de quase oito séculos de função capital. Nenhuma outra cidade chinesa reúne estes três elementos de forma tão marcante.

Perguntas frequentes

Qual é a capital da China?

A capital da China é Pequim (em chinês: 北京, Běijīng). É o centro político, administrativo, cultural e educativo da República Popular da China, fundada em 1949. Com mais de 21 milhões de habitantes, é também uma das cidades mais populosas do mundo.

Pequim sempre foi a capital da China?

Não. A China teve várias capitais ao longo da sua história, incluindo Xian, Nanjing e Luoyang. Pequim tornou-se capital imperial durante a dinastia Yuan (século XIII) e foi capital da China quase ininterruptamente desde então, com a exceção do período de 1928 a 1949, quando a capital foi Nanjing. Em 1949, Mao Zedong restaurou Pequim como capital da nova República Popular da China.

O que significa o nome Pequim?

Pequim (北京, Běijīng) significa literalmente "Capital do Norte" em chinês. O nome reflete a posição geográfica da cidade no norte do país. Durante o período entre 1928 e 1949, a cidade foi chamada Beiping (北平), que significa "Paz do Norte", quando a capital foi transferida para Nanjing.

Quantos habitantes tem Pequim em 2026?

Em 2026, a população de Pequim é estimada em aproximadamente 21,5 milhões de habitantes. A cidade registou um crescimento populacional significativo nas últimas décadas, embora as autoridades tenham implementado políticas de controlo do crescimento urbano para gerir a pressão sobre os serviços e infraestruturas.

Quais são os principais pontos turísticos de Pequim?

Os principais pontos turísticos de Pequim incluem a Cidade Proibida (atualmente o Museu do Palácio), a Praça de Tiananmen, a Grande Muralha da China (nas secções de Badaling e Mutianyu), o Templo do Céu, o Palácio de Verão e os Hutongs (antigas vielas tradicionais). A cidade conta ainda com 7.309 sítios culturais registados.

Porque é que Pequim é mais importante que Xangai?

Pequim e Xangai são as duas cidades mais importantes da China, mas com papéis distintos. Pequim é a capital política e o centro administrativo, cultural e educativo do país. Xangai é o principal centro financeiro e comercial. Embora Xangai seja maior em população e tenha um PIB mais elevado, Pequim tem um estatuto político superior por ser a sede do governo central e do Partido Comunista Chinês.