A história da Red Bull na Áustria: origem e impacto
A Red Bull é uma das marcas austríacas mais conhecidas a nível mundial, apesar de a receita da bebida ter nascido na Tailândia. A história da empresa na Áustria começa em 1984, quando o empresário Dietrich Mateschitz transformou um tónico energético asiático num fenómeno global, instalando a sede da companhia em Fuschl am See, uma pequena localidade junto a um lago no distrito de Salzburgo. Mais de quatro décadas depois, a Red Bull continua sediada nesse mesmo local, sendo hoje um dos maiores empregadores privados da região e uma das marcas que mais contribuiu para a projeção internacional da Áustria, através do desporto, da música e dos meios de comunicação próprios.
Como começou a Red Bull: de Banguecoque a Fuschl am See
No início da década de 1980, Dietrich Mateschitz, então diretor de marketing de uma empresa alemã de produtos de higiene oral, viajou para a Tailândia em trabalho. Aí descobriu a Krating Daeng, uma bebida energética local criada pelo empresário tailandês Chaleo Yoovidhya, que prometia combater o cansaço e o efeito do "jet lag". Convencido do potencial do produto fora da Ásia, Mateschitz associou-se a Chaleo Yoovidhya para desenvolver uma versão adaptada ao paladar ocidental, gaseificada e comercializada de forma totalmente diferente.
Em 1984, os dois empresários fundaram a Red Bull GmbH, cada um deles ficando com 49% da empresa, enquanto os restantes 2% pertenceriam ao filho de Chaleo, Chalerm Yoovidhya. A sede foi instalada em Fuschl am See, na Áustria, onde permanece até hoje. A bebida só viria a ser lançada comercialmente no mercado austríaco em 1987, depois de três anos dedicados ao desenvolvimento da fórmula, da imagem da marca e da estratégia de distribuição.
Uma marca construída do zero: marketing, não produto
Aquilo que distinguiu a Red Bull desde o início não foi tanto a bebida em si — muito semelhante, em termos de composição, a outras bebidas energéticas tailandesas já existentes — mas a forma como Mateschitz a posicionou. Em vez de seguir as regras tradicionais do marketing de bebidas, optou por criar uma categoria de produto nova, vender a lata mais cara do que a concorrência sugeria e associá-la sistematicamente a desportos radicais, adrenalina e estilo de vida jovem. O slogan "Red Bull dá-te asas" tornou-se um dos mais reconhecidos do mundo publicitário.
A partir da Áustria, a empresa expandiu-se de forma agressiva para a Europa e, mais tarde, para os Estados Unidos e o resto do mundo, mantendo sempre o centro de decisão estratégica em Fuschl am See. Atualmente, a Red Bull está presente em mais de 170 países e vende-se mais de 13 mil milhões de latas por ano em todo o mundo.
Onde é fabricada a Red Bull?
Apesar de ser uma marca global, a produção da bebida continua fortemente concentrada na Áustria. A Red Bull não fabrica o produto diretamente: a produção e o enlatamento são subcontratados à empresa austríaca Rauch, conhecida sobretudo pelos seus sumos de fruta. Grande parte da bebida consumida em todo o mundo é produzida em fábricas na Áustria e na Suíça, num sistema de produção integrada em que o fabrico da lata, da bebida e o enchimento ocorrem no mesmo local, antes de seguirem por via férrea e marítima para os mercados internacionais.
Fuschl am See e o Hangar-7: a sede e o símbolo da marca
A sede mundial da Red Bull permanece em Fuschl am See, junto ao lago do mesmo nome, numa zona discreta do Salzburgo. É ali que se concentram as principais decisões estratégicas da empresa, incluindo as áreas de marketing global, eventos e media.
A poucos quilómetros, no aeroporto de Salzburgo, encontra-se o Hangar-7, um dos espaços mais visitados associados à marca. Construído no final da década de 1990 para albergar a coleção de aviões históricos dos Flying Bulls, o Hangar-7 combina arquitetura contemporânea, um museu de aviação com aeronaves e carros de Fórmula 1, um restaurante com estrela Michelin e espaços de exposição de arte. É um dos exemplos mais visíveis de como a Red Bull soube transformar a sua presença na Áustria num ativo turístico e de imagem de marca.
O investimento no desporto austríaco
Na Áustria, a marca tornou-se também um pilar do desporto nacional. Em 2005, a Red Bull adquiriu o clube de futebol Austria Salzburg, renomeando-o para FC Red Bull Salzburg, uma decisão que gerou controvérsia entre adeptos tradicionais mas que transformou o emblema num dos clubes mais competitivos e mais bem financiados da Bundesliga austríaca, com um centro de formação de jovens jogadores que já revelou nomes como Erling Haaland e Sadio Mané antes da sua passagem para grandes clubes europeus.
A par do futebol, a Red Bull patrocina ou organiza dezenas de eventos de desportos radicais associados à imagem austríaca de montanha e natureza, como provas de esqui, voo livre, mountain bike e saltos de precisão, além de manter equipas próprias em Fórmula 1 (Red Bull Racing) e outras modalidades de motorsport com ligação histórica à Áustria, incluindo o icónico circuito de Spielberg, na Estíria, que a empresa recuperou e relançou como Red Bull Ring.
A morte de Dietrich Mateschitz e a sucessão
Dietrich Mateschitz morreu em outubro de 2022, aos 78 anos, na sua casa em Fuschl am See, depois de décadas a evitar a exposição pública apesar da enorme dimensão do império que construiu. A sua morte marcou o fim de uma era para a empresa, que durante quase quatro décadas tinha sido dirigida segundo a sua visão pessoal de marketing e de gestão.
A participação de 49% que Mateschitz detinha na empresa foi herdada pelo filho, Mark Mateschitz, que se tornou assim coproprietário da Red Bull GmbH, ao lado da família tailandesa Yoovidhya, que controla a restante maioria do capital. Seguindo um plano de sucessão preparado ainda em vida pelo fundador, a gestão operacional da empresa deixou de estar concentrada numa única pessoa, passando a ser repartida por uma direção colegial.
A Red Bull na Áustria em 2026
Mais de quatro décadas depois da fundação, a Red Bull continua a ter em Fuschl am See o centro nevrálgico de uma das marcas de consumo mais valiosas do mundo. A gestão atual da empresa está dividida entre Franz Watzlawick, responsável pelo negócio das bebidas, Alexander Kirchmayr, diretor financeiro, e Oliver Mintzlaff, à frente dos projetos corporativos e dos investimentos em desporto e media — uma estrutura tripartida desenhada pelo próprio Mateschitz antes da sua morte, precisamente para evitar a concentração de poder numa só figura.
Para a Áustria, a Red Bull representa hoje muito mais do que uma fábrica de bebidas: é um dos principais empregadores privados da região de Salzburgo, um motor de investimento no desporto nacional, um polo de produção industrial através da parceria com a Rauch e um dos cartões de visita mais reconhecidos do país no estrangeiro, ao lado de outras marcas austríacas tradicionais.
Perguntas frequentes
Em que ano foi fundada a Red Bull e onde fica a sua sede?
A Red Bull GmbH foi fundada em 1984 por Dietrich Mateschitz e Chaleo Yoovidhya, com sede em Fuschl am See, no distrito de Salzburgo, na Áustria, onde se mantém até hoje.
A Red Bull é fabricada na Áustria?
Sim, grande parte da produção mundial da bebida acontece na Áustria, através de um acordo de fabrico e enlatamento com a empresa austríaca Rauch, conhecida também pelos seus sumos de fruta.
Quem é o dono da Red Bull atualmente?
A empresa continua dividida entre a família austríaca Mateschitz, atualmente representada por Mark Mateschitz com 49% do capital, e a família tailandesa Yoovidhya, que detém a restante maioria.
O que é o Hangar-7?
É um espaço museológico e cultural junto ao aeroporto de Salzburgo, construído pela Red Bull para albergar a coleção de aviões históricos dos Flying Bulls, carros de Fórmula 1, um restaurante com estrela Michelin e exposições de arte.
Que clube de futebol austríaco pertence à Red Bull?
O FC Red Bull Salzburg, adquirido pela empresa em 2005, é um dos clubes mais titulados da Bundesliga austríaca e tem um centro de formação reconhecido pela revelação de jovens talentos internacionais.