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A história do KFC nos EUA: origens e evolução até 2026

Publicado 9. maio 2025 Atualizado 1. julho 2026

História
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O KFC (Kentucky Fried Chicken) é uma das cadeias de restaurantes de comida rápida mais conhecidas do mundo, com origem numa pequena estação de serviço no estado norte-americano do Kentucky. Da receita secreta de um único homem à rede global gerida pela Yum! Brands, a história do KFC nos Estados Unidos atravessa quase um século e reflete as transformações do próprio setor da restauração rápida, incluindo o período recente de dificuldades e recuperação registado entre 2023 e 2026.

As origens: Harland Sanders e a receita secreta

O fundador do KFC foi Harland David Sanders (1890-1980), mais tarde conhecido como "Coronel Sanders", título honorífico que lhe foi atribuído pelo estado do Kentucky. Durante a Grande Depressão, Sanders começou a vender frango frito num pequeno restaurante de estrada em North Corbin, Kentucky, junto a uma bomba de gasolina que geria. Foi nesse período que desenvolveu a sua célebre "receita secreta" com onze ervas e especiarias, bem como um método patenteado de confeção do frango numa fritadeira de pressão, que permitia cozinhar o frango mais depressa sem perder a qualidade da fritura tradicional.

A primeira franquia e a expansão pelos EUA (1952-1964)

Sanders percebeu cedo o potencial do modelo de franquia. A primeira franquia da marca abriu em 1952, em South Salt Lake, no Utah, através de um acordo com Pete Harman, que geria um dos restaurantes mais conhecidos da cidade. Foi um pintor de sinalética contratado por Harman, Rodney L. Anderson, quem cunhou o nome "Kentucky Fried Chicken". Segundo relatos da época, as vendas do restaurante de Harman mais do que triplicaram no primeiro ano, com três quartos desse aumento a resultar diretamente da venda de frango.

Depois do encerramento do seu restaurante original no Kentucky, Sanders dedicou-se por inteiro a percorrer o país de carro, vendendo franquias a operadores de restaurantes independentes. O crescimento acelerado da cadeia acabou por ultrapassar a capacidade de gestão do já idoso Sanders, que em 1964 vendeu o negócio a um grupo de investidores liderado por John Y. Brown Jr. e Jack C. Massey, mantendo-se, ainda assim, como imagem pública e embaixador da marca até à sua morte, em 1980.

Crescimento corporativo e a entrada da PepsiCo (1964-1986)

Sob a liderança de Brown e Massey, a Kentucky Fried Chicken tornou-se uma sociedade cotada em bolsa e expandiu-se rapidamente por todo o território dos Estados Unidos, chegando também a mercados internacionais. Em 1971, a empresa foi adquirida pela Heublein Inc., e mais tarde, em 1982, pela R.J. Reynolds Industries, através da aquisição da Heublein.

Um momento decisivo ocorreu em 1986, quando a PepsiCo comprou a Kentucky Fried Chicken, juntando-a a outras duas marcas de restauração que já possuía: a Pizza Hut, adquirida em 1977, e a Taco Bell, adquirida em 1978. Foi também durante este período, em 1991, que a marca adotou oficialmente a sigla "KFC" na sua comunicação, um ajuste popularmente associado à intenção de suavizar a palavra "Fried" (frito) junto de consumidores mais atentos à alimentação saudável, ainda que a empresa nunca tenha confirmado essa motivação como única razão da mudança.

PepsiCo, Tricon e o nascimento da Yum! Brands (1986-2002)

Em janeiro de 1997, a PepsiCo anunciou a intenção de separar o seu negócio de restauração das restantes operações, focando-se nas suas marcas de bebidas e alimentos embalados. O plano, aprovado pelo conselho de administração da PepsiCo em agosto desse ano, previa a distribuição de uma ação da nova empresa, a Tricon Global Restaurants Inc., por cada dez ações da PepsiCo detidas pelos acionistas, além de uma distribuição única de 4,5 mil milhões de dólares. A operação foi aprovada pela Securities and Exchange Commission (SEC) e concluída a 6 de outubro de 1997, dando origem a uma empresa independente cotada em bolsa que reunia o KFC, a Pizza Hut e a Taco Bell.

Em maio de 2002, a Tricon Global Restaurants mudou de nome para Yum! Brands, denominação que mantém até hoje. Ao longo dos anos seguintes, a Yum! Brands adicionou outras marcas ao portefólio, como a Long John Silver's e a A&W Restaurants (entretanto alienadas) e, mais recentemente, a Habit Burger Grill, mas o KFC manteve-se sempre uma das três marcas centrais do grupo, ao lado da Pizza Hut e da Taco Bell.

Expansão global e desafios no mercado doméstico

Ao longo das décadas seguintes, o KFC tornou-se uma das cadeias de comida rápida com maior presença internacional, com destaque para o crescimento expressivo na China, onde chegou a ser a marca de restauração rápida ocidental mais rentável do país. Esse sucesso internacional contrastou, por vezes, com um desempenho mais instável no mercado norte-americano de origem, onde o KFC enfrentou a concorrência crescente de cadeias especializadas em frango, como a Chick-fil-A e, mais recentemente, a Raising Cane's e a Popeyes.

Nos anos que antecederam 2026, essa tensão tornou-se particularmente visível. Segundo dados da consultora Technomic, as vendas do KFC nos Estados Unidos caíram 5,2% em 2024 e mais 4,3% em 2025, um resultado que se somou a seis trimestres consecutivos de quebra nas vendas em lojas comparáveis. A situação chegou a um ponto em que a Yum! Brands deixou temporariamente de divulgar separadamente os números de vendas comparáveis do KFC nos EUA nos seus relatórios trimestrais, um sinal lido pelo mercado como reflexo da gravidade da crise doméstica da marca.

A "Kentucky Fried Comeback": a reviravolta de 2025-2026

Perante este cenário, a Yum! Brands promoveu uma renovação de liderança na divisão norte-americana do KFC: Scott Mezvinsky assumiu a presidência global da divisão KFC a 1 de março de 2025, e Catherine Tan-Gillespie tornou-se presidente do KFC nos Estados Unidos em fevereiro do mesmo ano. A nova equipa lançou, em julho de 2025, a campanha "Kentucky Fried Comeback" ("O Regresso do Frango Frito do Kentucky"), assente em três pilares: escuta ativa dos clientes, inovação de menu centrada no sabor e modernização da experiência digital de pedidos.

A campanha assumiu publicamente que a marca se tinha "perdido" ao longo dos anos anteriores e recolocou a figura do Coronel Sanders no centro da comunicação, num pedido direto de confiança aos consumidores norte-americanos. Os primeiros resultados começaram a surgir ainda em 2025: em novembro, a divisão doméstica registou o primeiro trimestre de crescimento de vendas desde o segundo trimestre de 2023, um sinal interpretado como o início efetivo da recuperação.

KFC em 2026: números e perspetivas

No primeiro trimestre de 2026, a rede global do KFC somava 34.332 restaurantes, um aumento de 7% face aos 31.998 estabelecimentos registados no período homólogo de 2025, com as vendas do sistema a atingirem 9.328 milhões de dólares, mais 12% do que no primeiro trimestre de 2025. Nos Estados Unidos, a marca mantém cerca de 3.600 restaurantes, um número comparativamente modesto face à dimensão da rede internacional, o que ilustra o quanto o crescimento do KFC passou a depender de mercados fora do país onde nasceu.

Em declarações citadas pela imprensa financeira em 2026, o presidente executivo da Yum! Brands, Chris Turner, afirmou acreditar que a marca pode chegar às 75 mil unidades a nível global, referindo que, em ritmo atual, um novo restaurante KFC abre algures no mundo a cada três horas. Paralelamente, a Yum! Brands assinou em janeiro de 2026 um contrato de arrendamento de dez anos na PNC Tower, no centro de Louisville, no Kentucky — cidade historicamente associada às origens da marca — prevendo um investimento de 12 milhões de dólares na renovação de cinco andares para acolher cerca de 550 colaboradores ainda em 2026.

Perguntas frequentes

Quem fundou o KFC e em que ano?

O KFC foi fundado por Harland Sanders, conhecido como Coronel Sanders, que começou a vender frango frito no Kentucky durante os anos 1930. A primeira franquia oficial da marca abriu em 1952, em South Salt Lake, no Utah.

Quando é que o KFC deixou de pertencer à família Sanders?

Harland Sanders vendeu o negócio em 1964 a um grupo de investidores liderado por John Y. Brown Jr. e Jack C. Massey, embora tenha continuado a ser a imagem pública da marca até à sua morte, em 1980.

Que empresa é dona do KFC atualmente?

O KFC pertence à Yum! Brands, empresa que também detém a Pizza Hut e a Taco Bell. A Yum! Brands nasceu em 1997 como Tricon Global Restaurants, quando a PepsiCo separou o seu negócio de restauração, adotando o nome atual em 2002.

Porque é que o KFC teve dificuldades nos Estados Unidos em 2024 e 2025?

O KFC registou vários trimestres consecutivos de queda nas vendas em lojas comparáveis nos EUA, com quebras de 5,2% em 2024 e 4,3% em 2025, atribuídas à concorrência de cadeias especializadas em frango, como a Chick-fil-A e a Raising Cane's, e a uma perceção de desatualização da marca junto dos consumidores mais jovens.

O que é a campanha "Kentucky Fried Comeback"?

É uma campanha de reposicionamento lançada pelo KFC em julho de 2025 nos Estados Unidos, assente na escuta dos clientes, na inovação do menu e na modernização digital, que reintroduziu o Coronel Sanders no centro da comunicação da marca e contribuiu para o regresso ao crescimento das vendas domésticas no final de 2025.

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