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História do Líbano: das origens fenícias a 2026

Publicado 21. agosto 2025 Atualizado 28. junho 2026

Qual é a história resumida do Líbano em poucos passos?

O Líbano é um dos países com história mais longa e densa do mundo. Situado na costa oriental do Mediterrâneo, foi palco de algumas das primeiras cidades marítimas da humanidade, de impérios milenares, cruzadas, mandatos coloniais e guerras contemporâneas. A sua história é marcada por uma encruzilhada permanente entre civilizações, religiões e interesses geopolíticos que ainda hoje moldam o seu presente frágil.

As origens fenícias (c. 3000 a.C. – 539 a.C.)

A costa libanesa foi habitada pelos Cananeus, a quem os gregos chamaram Fenícios, desde aproximadamente 3000 a.C. Não se tratava de um estado unificado, mas de um conjunto de cidades-estado independentes — Biblos, Sídon e Tiro — que se destacaram como potências comerciais e navegadoras do mundo antigo. Biblos mantinha relações comerciais com o Egito desde o terceiro milénio antes de Cristo, exportando a madeira dos famosos cedros do Líbano. Os Fenícios ficaram célebres pela criação do alfabeto fonético, base dos sistemas de escrita ocidentais. Tiro fundou colónias por todo o Mediterrâneo, incluindo Cartago, no norte de África.

De Alexandre Magno ao Islão (539 a.C. – séc. VII d.C.)

Em 539 a.C., a Pérsia de Ciro absorveu as cidades fenícias. Alexandre Magno conquistou a região em 332 a.C. após um célebre cerco de sete meses a Tiro. Com a morte de Alexandre, o território passou alternadamente para os Ptolomeus egípcios e para os Selêucidas sírios, até que Pompeu integrou o Levante no Império Romano em 64 a.C. Sob Roma, e mais tarde sob Bizâncio, o cristianismo difundiu-se amplamente pela região. Os maronitas — uma comunidade cristã oriental em comunhão com Roma — enraizaram-se nas montanhas do Líbano, onde encontraram refúgio e identidade. Com a expansão árabe-islâmica no século VII, o Levante foi conquistado pelos exércitos do califado, embora as montanhas libanesas tenham preservado bolsas cristãs e atraído, nos séculos seguintes, comunidades drusos e xiitas.

As Cruzadas e o emirado do Monte Líbano (sécs. XI–XVI)

A chegada dos cruzados europeus transformou profundamente a região. No início do século XII, estados cruzados controlavam as principais cidades costeiras: Trípoli (1109), Beirute (1110), Sídon (1110) e Tiro (1124). A presença latina durou cerca de dois séculos, até à reconquista pelos Mamelucos. A coexistência forçada entre cruzados, cristãos orientais, muçulmanos e druzos deixou uma sociedade plural e fragmentada. Nos séculos seguintes, consolidou-se a tradição de um emirado semiautónomo nas montanhas, sob as famílias Maan e, depois, Chehab.

O domínio otomano (1516–1918)

Em 1516, o Império Otomano derrotou os Mamelucos e incorporou o Levante. O Monte Líbano foi governado de forma semiautónoma sob emires locais tributários de Constantinopla. O emir Fakhr al-Din II (1572–1635) expandiu o emirado e cultivou relações com a Europa. Após conflitos sectários graves entre maronitas e druzos no século XIX, as potências europeias pressionaram os Otomanos a criar, em 1861, o Mutassarifato do Monte Líbano — uma região autónoma com governação cristã garantida internacionalmente e embrião do Líbano moderno. A Primeira Guerra Mundial destruiu o Império Otomano; o bloqueio aliado e as requisições otomanas provocaram uma fome que matou cerca de metade da população do Monte Líbano entre 1915 e 1918.

O Mandato Francês e a independência (1920–1946)

Após a derrota otomana, a Sociedade das Nações conferiu à França o mandato sobre a Síria e o Líbano. Em setembro de 1920, a França criou o Estado do Grande Líbano, alargando as fronteiras do antigo Monte Líbano para incluir o vale do Bekaa, o litoral sul e o norte, incorporando assim populações muçulmanas maioritárias nessas regiões. Em 1926 foi proclamada a República Libanesa com constituição inspirada na francesa. A independência foi formalmente proclamada a 22 de novembro de 1943, data celebrada como Dia da Independência. As últimas tropas francesas retiraram em 1946.

O novo estado estruturou-se em torno do Pacto Nacional de 1943, um acordo não escrito que distribuía o poder pelas principais comunidades religiosas: o presidente da república seria sempre cristão maronita, o primeiro-ministro muçulmano sunita e o presidente do parlamento muçulmano xiita — fórmula que se mantém formalmente até hoje.

Da prosperidade à guerra civil (1946–1990)

Nas décadas de 1950 e 1960, o Líbano viveu um período de relativa estabilidade e prosperidade. Beirute tornou-se o centro financeiro, cultural e turístico do Médio Oriente, apelidada de "Suíça do Oriente" ou "Paris do Mediterrâneo". Contudo, tensões sectárias, desigualdades sociais e a presença de centenas de milhares de refugiados palestinianos — sobretudo após 1948 e 1967 — foram sobrecarregando o sistema. A Organização para a Libertação da Palestina utilizou o sul do Líbano como base de operações, desencadeando represálias israelenses.

Em abril de 1975, eclodiu a guerra civil libanesa. O conflito opôs uma multiplicidade de milícias cristãs, muçulmanas e palestinianas, com intervenções regulares da Síria e de Israel. A invasão israelense de 1982 expulsou a OLP do Líbano e foi marcada pelo massacre dos campos de Sabra e Chatila. Surgiu então o Hezbollah, organização xiita apoiada pelo Irão e pela Síria. A guerra terminou com o Acordo de Taif em 1989, com um balanço estimado em 150 000 mortos e cerca de um milhão de deslocados.

Reconstrução frágil e ascensão do Hezbollah (1990–2019)

O período pós-guerra foi dominado pela tutela síria, que só terminou após o assassínio do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri, em fevereiro de 2005, atribuído a Damasco e ao Hezbollah. A comoção popular gerou a Revolução do Cedro, que forçou a retirada das tropas sírias. Em 2006, uma guerra de 34 dias entre Israel e o Hezbollah causou milhares de vítimas e destruiu infraestruturas significativas, sem resultado militar decisivo. O Hezbollah saiu politicamente reforçado e continuou a acumular um vasto arsenal.

O colapso económico e a explosão de Beirute (2019–2020)

A partir de 2019, o Líbano entrou numa das piores crises económicas registadas no mundo moderno. O sistema bancário colapsou, a libra libanesa perdeu mais de 98% do seu valor face ao dólar e mais de 80% da população caiu na pobreza. Em 4 de agosto de 2020, uma explosão catastrófica no porto de Beirute — provocada por cerca de 2 750 toneladas de nitrato de amónia armazenadas negligentemente — matou mais de 200 pessoas, feriu cerca de 6 000 e destruiu vastas áreas da capital. A tragédia agravou a crise e precipitou a demissão do governo, mas a disfunção política impediu as reformas necessárias para desbloquear ajuda internacional.

A guerra Israel-Hezbollah e a crise de 2024–2026

Em 2023, na sequência dos ataques do Hamas a Israel, o Hezbollah abriu uma "frente de apoio" no sul do Líbano, trocando fogo diário com Israel. Em setembro de 2024, Israel intensificou drasticamente as operações: explosões coordenadas de pagers e walkie-talkies destruíram comunicações do Hezbollah; ataques aéreos sobre os subúrbios sul de Beirute mataram o secretário-geral Hassan Nasrallah a 27 de setembro de 2024. Em outubro, Israel lançou uma incursão terrestre no sul do país. Um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos entrou em vigor em novembro de 2024.

Em janeiro de 2025, após dois anos de vacatura presidencial, o parlamento elegeu Joseph Aoun — comandante do Exército — como 14.º presidente da república. Em fevereiro, o antigo presidente do Tribunal Internacional de Justiça, Nawaf Salam, tomou posse como primeiro-ministro. Aoun iniciou uma política de desarmamento gradual do Hezbollah, confiscando centenas de lançadores de foguetes e destruindo depósitos de armas e túneis.

A violência, porém, não cessou. Em março de 2026, novos ataques israelenses mataram mais de 1 000 pessoas e deslocaram cerca de um milhão, aproximadamente 20% da população do país. A 8 de abril de 2026, Israel lançou o que descreveu como os seus "ataques mais poderosos" ao Líbano, causando mais de 350 mortos num único dia. Negociações mediadas pelos Estados Unidos culminaram, a 26 de junho de 2026, num acordo-quadro trilateral negociado pelo secretário de Estado Marco Rubio, prevendo um cessar-fogo duradouro e a retirada do Hezbollah do sul do Líbano. O Hezbollah rejeitou o acordo, mantendo a situação em aberto enquanto o Estado libanês procura afirmar a sua soberania plena.

Perguntas frequentes

Quando é que o Líbano se tornou independente?

O Líbano proclamou formalmente a independência a 22 de novembro de 1943, durante o Mandato Francês. As últimas tropas francesas retiraram em 1946, tornando o país plenamente soberano.

Quanto tempo durou a guerra civil libanesa?

A guerra civil libanesa decorreu de 1975 a 1990, totalizando 15 anos de conflito. Causou cerca de 150 000 mortos e o deslocamento de aproximadamente um milhão de pessoas, terminando com o Acordo de Taif de 1989.

O que causou a explosão de Beirute em 2020?

A explosão de 4 de agosto de 2020 foi causada pela detonação acidental de cerca de 2 750 toneladas de nitrato de amónia armazenadas no porto de Beirute desde 2013, sem medidas de segurança adequadas. Matou mais de 200 pessoas e destruiu grande parte do centro da capital.

Quem é o presidente do Líbano em 2026?

Joseph Aoun, antigo comandante do Exército Libanês, foi eleito 14.º presidente da república em janeiro de 2025, pondo fim a uma vacatura de dois anos no cargo.

O que é o Hezbollah?

O Hezbollah é uma organização político-militar xiita libanesa fundada em 1982 com apoio do Irão e da Síria. Tornou-se uma força dominante no Líbano, sendo classificada como organização terrorista pela União Europeia, pelos Estados Unidos e por outros países ocidentais.

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