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Início da Idade Média: quando começou e quais os períodos

Publicado 8. maio 2025 Atualizado 26. junho 2026

Qual é o início da Idade Média e seu período histórico?

A Idade Média é o período da história europeia convencionalmente situado entre o século V e o século XV, ou seja, cerca de mil anos que separam a Antiguidade Clássica da Idade Moderna. A data mais consagrada para o seu início é o ano de 476 d.C., quando o chefe germânico Odoacro depôs Rómulo Augústulo, o último imperador romano do Ocidente. Importa, contudo, esclarecer desde já que estas balizas são convenções da historiografia e não acontecimentos que os contemporâneos tenham vivido como uma rutura súbita: ninguém, em 476, julgou estar a entrar numa nova era.

Quando começa a Idade Média?

A resposta tradicional aponta para 476 d.C., ano da deposição de Rómulo Augústulo. Esta escolha não é arbitrária: foi o humanista italiano Leonardo Bruni, no século XV, quem fixou esta data como marco de transição, e ela acabaria por se impor no ensino e nos manuais. O facto que lhe serve de fundamento é a dissolução política do Império Romano do Ocidente, cuja autoridade central se desfez sob a pressão dos povos germânicos e da própria fragmentação interna.

Convém sublinhar que a queda de 476 afetou apenas a metade ocidental do Império. A parte oriental manteve-se de pé, com capital em Constantinopla, e prolongou-se como Império Bizantino durante mais de mil anos, até 1453. Por isso, falar do «fim do Império Romano» em 476 é uma simplificação: o que termina é a linha de imperadores do Ocidente, não a ideia ou a estrutura imperial romana, que sobreviveu a oriente.

Por que motivo é difícil fixar uma data exata

A historiografia contemporânea encara o ano de 476 com algum distanciamento crítico. A transição da Antiguidade para a Idade Média foi um processo gradual, que se estendeu por séculos, e não um corte limpo. Por essa razão, muitos historiadores preferem falar de Antiguidade Tardia — um período de cerca dos séculos III a VIII — para descrever a longa metamorfose do mundo romano em mundo medieval, marcada pela cristianização, pela instalação dos reinos germânicos e pela transformação das cidades e da economia.

Existem, de resto, datas alternativas defendidas para o início do período medieval. Há quem o associe ao Édito de Tessalónica (380), que tornou o cristianismo religião oficial do Império; à morte de Teodósio I (395) e à consequente divisão administrativa entre Oriente e Ocidente; ou, numa proposta influente, à expansão islâmica do século VII, que reconfigurou o Mediterrâneo e quebrou a antiga unidade económica romana. Cada escolha reflete o critério privilegiado — político, religioso ou económico — por quem a propõe.

As grandes divisões da Idade Média

A historiografia de tradição românica, dominante em Portugal, costuma repartir o milénio medieval em dois grandes blocos, embora existam subdivisões mais finas.

Alta Idade Média

Corresponde, grosso modo, aos séculos V a X. É a fase da formação da Europa medieval: instalam-se os reinos germânicos sobre os escombros do Ocidente romano, consolida-se a Igreja como instituição estruturante e desenvolvem-se as primeiras formas do que viria a ser o feudalismo. Caracteriza-se pela descentralização do poder político, pela ruralização da economia e por um forte recuo da vida urbana e comercial. Foi também o tempo do Império Carolíngio, da expansão islâmica e das incursões dos viquingues.

Baixa Idade Média

Abrange sobretudo os séculos XI a XV. É um período de recuperação e dinamismo: regista-se um renascimento comercial e urbano, o crescimento demográfico, a afirmação das monarquias e o aparecimento das universidades. A esta fase pertencem fenómenos marcantes como as Cruzadas, a expansão das rotas de comércio e, no século XIV, a grande crise desencadeada pela Peste Negra, pela fome e pelas guerras, que abalaram profundamente as estruturas feudais.

Alguns autores propõem esquemas mais detalhados. O historiador Hilário Franco Júnior, por exemplo, distingue uma «Primeira Idade Média», uma «Alta Idade Média», uma «Idade Média Central» e uma «Baixa Idade Média». Estas propostas mostram que a periodização é uma ferramenta de análise, sujeita a revisão, e não uma verdade fixa.

Quando termina a Idade Média?

O marco final mais difundido é o ano de 1453, data da tomada de Constantinopla pelos turcos otomanos, que pôs termo ao Império Bizantino. Também aqui há datas concorrentes igualmente defensáveis: 1492, com a chegada de Cristóvão Colombo à América e o fim da Reconquista na Península Ibérica; ou a invenção da imprensa de tipos móveis por Gutenberg, por volta de 1450. Todas elas assinalam, à sua maneira, a passagem para a Idade Moderna.

A superação da ideia de «Idade das Trevas»

Durante muito tempo, a Idade Média foi descrita de forma pejorativa como uma «era das trevas» — uma expressão herdada dos humanistas do Renascimento, que viam neste milénio um interregno de atraso entre o esplendor da Antiguidade e o seu próprio tempo. A investigação histórica atual rejeita esta visão. Reconhece-se hoje que o período medieval foi de grande criatividade e complexidade, responsável pela arte românica e gótica, pela fundação das universidades, por avanços técnicos significativos e pela construção das raízes culturais, linguísticas e políticas da Europa contemporânea.

Perguntas frequentes

Em que ano começou a Idade Média?

A data convencional é 476 d.C., ano em que Odoacro depôs Rómulo Augústulo, o último imperador romano do Ocidente. Trata-se, porém, de uma convenção historiográfica que assinala o fim do Império Romano do Ocidente, e não de uma rutura sentida pelos contemporâneos.

Quais são os períodos da Idade Média?

A divisão mais comum distingue a Alta Idade Média (séculos V a X), marcada pela ruralização e pelo feudalismo, e a Baixa Idade Média (séculos XI a XV), de renascimento urbano e comercial. Alguns historiadores propõem subdivisões adicionais.

Quando terminou a Idade Média?

O marco mais aceite é 1453, com a tomada de Constantinopla pelos otomanos. Outras datas defendidas são 1492 (chegada à América) e a invenção da imprensa por Gutenberg, por volta de 1450.

A Idade Média foi mesmo uma «Idade das Trevas»?

Não. Essa expressão tem origem nos humanistas do Renascimento e é hoje rejeitada pelos historiadores. O período foi de notável vitalidade cultural, técnica e institucional, estando na origem das universidades, da arte gótica e das raízes da Europa moderna.

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