CCitopendia

Ares na Mitologia Grega: O Deus da Guerra

Publicado 28. junho 2025 Atualizado 26. junho 2026

Qual é o papel de Ares na mitologia grega?

Ares é, na mitologia grega, o deus da guerra, mas de uma guerra muito particular: a do tumulto, da violência sangrenta e da fúria descontrolada do combate. Filho de Zeus e Hera, integra o grupo dos doze deuses do Olimpo, embora ocupe entre eles uma posição ambígua, marcada tanto pelo medo que inspirava como pelo desprezo com que era frequentemente tratado na literatura grega. Compreender o seu papel exige distingui-lo de outras figuras associadas ao conflito, sobretudo da deusa Atena, e perceber por que razão os próprios Gregos mantinham com ele uma relação tensa e desconfortável.

Quem era Ares e qual a sua origem

Ares era filho legítimo de Zeus, o rei dos deuses, e de Hera, rainha do Olimpo. Apesar desta linhagem, a tradição homérica apresenta-o como uma divindade pouco amada pelos pais. Na Ilíada, o próprio Zeus dirige-lhe palavras duras, declarando-o o mais odioso de todos os deuses do Olimpo, por amar incessantemente a discórdia, as guerras e as batalhas. Esta hostilidade familiar é reveladora: mesmo entre os imortais, Ares encarnava algo perturbador e difícil de aceitar.

O seu nome ficou ligado a um dos locais mais emblemáticos de Atenas, o Areópago (literalmente, a "colina de Ares"), um afloramento rochoso a alguma distância da Acrópole. Segundo o mito, foi ali que Ares terá sido julgado pelos deuses pelo homicídio de Halirrótio, filho de Posídon, que havia violado Alcipe, filha do deus da guerra. Ares foi absolvido, e o local viria a dar nome ao tribunal ateniense que aí se reunia, sobretudo para apreciar casos de homicídio e de traição.

O deus da fúria, não da estratégia

O papel de Ares na mitologia grega define-se em grande medida por contraste. Ele não personifica a guerra enquanto arte ou enquanto instrumento racional de defesa da comunidade, mas sim a sua face mais brutal: o derramamento de sangue, o pânico, a confusão e o frenesim do campo de batalha. É a personificação da força bruta e da coragem física desmedida, mais do que da vitória organizada.

Esta caracterização opõe-se diretamente à de Atena, sua irmã, igualmente associada à guerra. Enquanto Atena preside ao uso disciplinado, estratégico e prudente da força — a guerra que protege a cidade e serve um fim —, Ares representa o impulso cego e a sede de sangue. Não é por acaso que, em vários episódios míticos, Atena humilha Ares no campo de batalha, demonstrando a superioridade da inteligência tática sobre a mera violência. Esta tensão entre os dois deuses traduz uma reflexão profunda da cultura grega sobre a natureza do conflito armado.

Acompanhantes e descendência

Ares raramente surge sozinho. Acompanham-no figuras que prolongam a sua natureza destrutiva, entre as quais se destacam os seus próprios filhos Deimos (o Terror) e Fobos (o Medo), que conduziam o seu carro de guerra e semeavam o pânico entre os exércitos. A estes juntam-se, em diferentes tradições, divindades menores ligadas à discórdia e ao morticínio.

A sua descendência mais célebre nasce, porém, de uma relação amorosa. Ares manteve um caso com Afrodite, deusa do amor e da beleza, união da qual nasceram Deimos, Fobos e Harmonia, esta última representando, de forma significativa, a conciliação entre a violência paterna e a sedução materna. Algumas tradições incluem ainda Eros entre os frutos desta ligação. O caso entre Ares e Afrodite é um dos episódios mais famosos da mitologia: descobertos por Hefesto, marido de Afrodite, os dois amantes foram apanhados numa rede invisível e expostos ao ridículo perante os demais deuses.

O culto de Ares na Grécia Antiga

Ao contrário do que se poderia esperar de um deus olímpico da guerra, Ares era relativamente pouco venerado pelos Gregos. Não possuía grandes santuários nem um culto generalizado comparável ao de outras divindades. Mesmo em Esparta, cidade militarista por excelência, onde se considera que Ares "tipificava" o caráter guerreiro, não existia um culto importante dedicado a ele, e a sua imagem praticamente não figura na cunhagem espartana. Conta-se que os Espartanos manteriam uma estátua do deus acorrentada, num gesto simbólico destinado a manter a vitória "cativa" dentro da cidade.

Esta reserva dos Gregos perante Ares reflete a sua perceção da guerra: necessária, mas temível e indesejável quando entregue ao puro instinto. O deus inspirava receio e respeito enquanto força, mas não devoção afetuosa.

Ares e o seu equivalente romano, Marte

A figura de Ares conheceu um destino bem diferente quando assimilada pela cultura romana sob o nome de Marte. Embora frequentemente apresentados como equivalentes, os dois deuses divergem de forma profunda em estatuto e caráter. Marte era uma das divindades mais importantes do panteão romano, segundo apenas a Júpiter, amado e respeitado por homens e deuses.

Marte possuía, além disso, uma dimensão que Ares nunca teve: associava-se à proteção, à disciplina e, nas suas origens, à agricultura e à fertilidade, sendo considerado um guardião da comunidade e um antepassado mítico do próprio povo romano, por ser pai de Rómulo e Remo. Onde os Gregos viam em Ares uma força caótica a conter, os Romanos viam em Marte um símbolo de ordem, virtude militar e identidade nacional. Esta diferença ilustra como uma mesma figura divina pôde adquirir significados opostos consoante os valores de cada civilização.

O significado de Ares na cultura grega

O papel de Ares vai muito além do de um simples "deus da guerra". Ele funciona como uma reflexão simbólica sobre o lado mais sombrio e incontrolável do conflito humano. A sua impopularidade entre os deuses e mortais, a sua oposição a Atena e o seu culto limitado revelam uma postura cultural lúcida: os Gregos reconheciam a inevitabilidade da violência, mas recusavam-se a glorificá-la quando despojada de propósito e de razão. Ares é, assim, menos um herói venerado do que um aviso encarnado — a personificação daquilo que a guerra tem de mais destrutivo e desumano.

Perguntas frequentes

Quem eram os pais de Ares?

Ares era filho de Zeus, rei dos deuses, e de Hera, rainha do Olimpo. Apesar desta linhagem ilustre, a tradição homérica descreve-o como um deus pouco amado pelos próprios pais, devido ao seu temperamento violento.

Qual a diferença entre Ares e Atena?

Ambos estão ligados à guerra, mas representam aspetos opostos. Ares personifica a violência bruta, o caos e a sede de sangue do combate, enquanto Atena representa a estratégia, a disciplina e o uso racional da força para proteger a comunidade.

Por que razão Ares era pouco venerado pelos Gregos?

Porque encarnava a face mais brutal e descontrolada da guerra, vista com desconfiança. Os Gregos respeitavam-no enquanto força temível, mas não lhe dedicavam um culto generalizado, ao contrário do que aconteceria com o seu equivalente romano, Marte.

Qual a relação entre Ares e Marte?

Marte é o equivalente romano de Ares, mas com estatuto muito superior. Era uma das divindades mais importantes de Roma, associada à proteção, à disciplina e à agricultura, e considerado pai de Rómulo e Remo, fundadores míticos da cidade.

Quem foram os filhos de Ares e Afrodite?

Da ligação amorosa entre Ares e Afrodite nasceram Deimos (o Terror), Fobos (o Medo) e Harmonia, e em algumas tradições também Eros. Deimos e Fobos acompanhavam o pai no campo de batalha, espalhando o pânico.

{"@context":"https://schema.org","@type":"FAQPage","mainEntity":[{"@type":"Question","name":"Quem eram os pais de Ares?","acceptedAnswer":{"@type":"Answer","text":"Ares era filho de Zeus, rei dos deuses, e de Hera, rainha do Olimpo. Apesar desta linhagem ilustre, a tradição homérica descreve-o como um deus pouco amado pelos próprios pais, devido ao seu temperamento violento."}},{"@type":"Question","name":"Qual a diferença entre Ares e Atena?","acceptedAnswer":{"@type":"Answer","text":"Ambos estão ligados à guerra, mas representam aspetos opostos. Ares personifica a violência bruta, o caos e a sede de sangue do combate, enquanto Atena representa a estratégia, a disciplina e o uso racional da força para proteger a comunidade."}},{"@type":"Question","name":"Por que razão Ares era pouco venerado pelos Gregos?","acceptedAnswer":{"@type":"Answer","text":"Porque encarnava a face mais brutal e descontrolada da guerra, vista com desconfiança. Os Gregos respeitavam-no enquanto força temível, mas não lhe dedicavam um culto generalizado, ao contrário do que aconteceria com o seu equivalente romano, Marte."}},{"@type":"Question","name":"Qual a relação entre Ares e Marte?","acceptedAnswer":{"@type":"Answer","text":"Marte é o equivalente romano de Ares, mas com estatuto muito superior. Era uma das divindades mais importantes de Roma, associada à proteção, à disciplina e à agricultura, e considerado pai de Rómulo e Remo, fundadores míticos da cidade."}},{"@type":"Question","name":"Quem foram os filhos de Ares e Afrodite?","acceptedAnswer":{"@type":"Answer","text":"Da ligação amorosa entre Ares e Afrodite nasceram Deimos (o Terror), Fobos (o Medo) e Harmonia, e em algumas tradições também Eros. Deimos e Fobos acompanhavam o pai no campo de batalha, espalhando o pânico."}}]}

Artigos relacionados