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Reino de Axum: o antigo reino que existiu na Etiópia

Publicado 31. dezembro 2024 Atualizado 1. julho 2026

Qual o nome do antigo reino que existiu na Etiópia?

O antigo reino mais conhecido que existiu no território da atual Etiópia é o Reino de Axum (também escrito Aksum), uma potência comercial e política que floresceu entre o século I e o século X d.C. no norte da Etiópia e na Eritreia. Foi um dos impérios mais influentes da Antiguidade tardia, comparado por historiadores a Roma, à Pérsia e à China pela sua dimensão e importância nas rotas comerciais entre o Mediterrâneo, a África Oriental e a Índia. Antes de Axum, existiu ainda um reino mais antigo e menos documentado, o Reino de D'mt, considerado um dos precursores da civilização etíope.

O que foi o Reino de Axum

O Reino de Axum surgiu por volta do ano 100 d.C., tendo como capital a cidade de Axum, no norte da atual Etiópia. Ao longo de vários séculos tornou-se um dos principais entrepostos comerciais entre o Império Romano e a Índia, beneficiando de uma localização estratégica junto ao mar Vermelho, através do porto de Adulis. O comércio de marfim, ouro, especiarias e escravos permitiu ao reino acumular riqueza considerável e desenvolver uma sociedade urbana sofisticada, com arquitetura monumental, sistema de escrita próprio (o guez) e cunhagem de moeda.

Axum foi, de facto, o primeiro estado africano subsaariano a cunhar a sua própria moeda, um sinal claro do seu peso económico e da sua integração nas redes comerciais internacionais da época. O seu auge situa-se entre os séculos III e VI, período em que dominava o comércio no nordeste de África e mantinha relações diplomáticas com Roma e com o Império Sassânida.

A conversão ao cristianismo

Um dos episódios mais marcantes da história de Axum ocorreu no século IV, quando o rei Ezana se converteu ao cristianismo, tornando o reino um dos primeiros do mundo, e o primeiro em África, a adotar oficialmente esta religião como culto de Estado. Esta conversão teve um impacto duradouro: a Igreja Ortodoxa Etíope, ainda hoje uma das instituições religiosas mais antigas do continente africano, tem as suas raízes diretamente ligadas a este período axumita.

Os obeliscos e o legado arquitetónico

Entre os vestígios mais visíveis do Reino de Axum estão os grandes obeliscos de granito, monumentos funerários erguidos para assinalar sepulturas reais e da elite axumita. O mais célebre, o Obelisco de Axum, chegou a ser levado para Itália em 1937, durante a ocupação fascista, e só foi devolvido à Etiópia em 2005, sendo reinstalado em 2008. Estas estruturas, juntamente com ruínas de palácios e igrejas antigas, valeram à cidade de Axum a classificação como Património Mundial da UNESCO.

O declínio do reino

A partir do século VII, a expansão das potências árabes e islâmicas alterou profundamente as rotas comerciais do mar Vermelho, cortando o acesso de Axum aos mercados que sustentavam a sua economia. Combinado com alterações climáticas e o esgotamento de recursos agrícolas na região, este isolamento comercial provocou um declínio gradual do poder político e económico axumita, que se prolongou até ao século X, altura em que o reino como entidade política deixou de existir enquanto força dominante.

O que veio depois de Axum

Após o desaparecimento de Axum como potência central, o poder deslocou-se para o povo agau, dando origem à dinastia Zagué (Zagwe), fundada por volta de 1137 por Mara Takla Haymanot. Com capital em Roha (atual Lalibela), esta dinastia manteve viva a tradição cristã herdada de Axum, sendo responsável pela construção das célebres igrejas escavadas na rocha de Lalibela. A dinastia Zagué foi, por sua vez, sucedida no século XIII pela dinastia Salomónica, que reclamava descendência direta do rei Salomão e da Rainha de Sabá, e que governaria a Etiópia, com interrupções, até 1974, ano da deposição do imperador Haile Selassie.

D'mt: o reino ainda mais antigo

Antes de Axum, entre cerca do século X e o século V a.C., existiu no norte da Etiópia o Reino de D'mt, com capital em Yeha, onde ainda hoje subsistem as ruínas de um templo de estilo sabeu. Muito menos documentado do que Axum, não se sabe com certeza se D'mt desapareceu antes da formação de Axum, se foi absorvido por este ou se correspondeu a um dos pequenos estados que viriam a unificar-se sob o poder axumita. Ainda assim, é considerado por muitos historiadores como a primeira estrutura estatal organizada na região etíope.

Perguntas frequentes

Qual foi o antigo reino que existiu na Etiópia?

O mais conhecido é o Reino de Axum (ou Aksum), que existiu aproximadamente entre o ano 100 e o ano 940 d.C. no norte da Etiópia e na Eritreia. Antes dele existiu ainda o Reino de D'mt, entre os séculos X e V a.C.

Por que razão o Reino de Axum é importante na história de África?

Porque foi uma das grandes potências comerciais da Antiguidade tardia, o primeiro estado da África subsaariana a cunhar moeda própria e o primeiro reino africano a converter-se oficialmente ao cristianismo, no século IV.

O que aconteceu ao Reino de Axum?

Entrou em declínio a partir do século VII, quando a expansão árabe cortou as suas rotas comerciais no mar Vermelho, perdendo progressivamente influência económica e política até deixar de existir como potência dominante por volta do século X.

Que reino sucedeu a Axum na Etiópia?

Seguiu-se a dinastia Zagué, fundada no século XII com capital em Roha (atual Lalibela), e mais tarde, no século XIII, a dinastia Salomónica, que governou a Etiópia até 1974.

Os obeliscos de Axum ainda existem?

Sim. O mais famoso, levado para Itália em 1937, foi devolvido à Etiópia em 2005 e reinstalado em Axum em 2008. A cidade é atualmente Património Mundial da UNESCO.

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