Quanto tempo o filhote de canguru fica na bolsa
O canguru é um dos animais mais reconhecíveis da fauna australiana e um dos mais emblemáticos representantes dos marsupiais — mamíferos que completam grande parte do desenvolvimento embrionário fora do útero, dentro de uma bolsa abdominal denominada marsúpio. Uma das curiosidades mais frequentemente pesquisadas sobre esta espécie é precisamente o tempo que a cria — em inglês chamada joey — demora a sair definitivamente da bolsa. A resposta varia consoante a espécie, mas o processo é, em qualquer caso, notavelmente gradual e pode estender-se por mais de um ano a contar do nascimento.
Um nascimento extraordinariamente prematuro
Ao contrário dos mamíferos placentários, os cangurus têm um período de gestação muito curto. Dependendo da espécie, este oscila entre 30 e 36 dias: o canguru-vermelho (Osphranter rufus) gesta durante cerca de 33 dias; o canguru-cinzento-oriental (Macropus giganteus) durante aproximadamente 36 dias; e o canguru-cinzento-ocidental (Macropus fuliginosus) durante cerca de 31 dias.
No momento do nascimento, a cria pesa menos de um grama e tem o tamanho aproximado de um feijão. É cega, surda e sem pelo. Apesar disto, possui membros anteriores suficientemente desenvolvidos para realizar uma tarefa vital: rastejar, por iniciativa própria e sem qualquer ajuda materna, desde o canal de parto até à bolsa abdominal da mãe — uma viagem que pode durar apenas alguns minutos, mas que representa um esforço físico notável para um ser tão imaturo.
Dentro da bolsa: o verdadeiro desenvolvimento
Uma vez dentro do marsúpio, a cria fixa-se a uma das tetas — à qual permanece literalmente agarrada durante as primeiras semanas — e inicia o longo processo de desenvolvimento que, nos mamíferos placentários, ocorreria no útero.
Durante os primeiros dois meses, a cria não solta a teta. Nesta fase, o leite materno é essencialmente rico em hidratos de carbono. À medida que a cria cresce, a composição do leite altera-se progressivamente, tornando-se mais rico em lípidos e proteínas para responder às novas necessidades nutricionais. É digno de nota que a fêmea pode simultaneamente alimentar dois filhotes em fases diferentes de desenvolvimento, através de tetas distintas, a produzir leites de composição diferente para cada um.
Por volta do quarto ou quinto mês, os olhos da cria começam a abrir-se e o corpo cobre-se de pelo. Nesta altura, a cria começa a largar a teta por períodos breves e a mover-se dentro da bolsa, chegando por vezes a espreitar para o exterior.
As primeiras saídas
A saída da bolsa não acontece de forma súbita. A cria começa por espreitar a cabeça para fora, a farejar o ambiente exterior, semanas antes de se aventurar a sair completamente. As primeiras excursões são muito breves: o filhote sai, dá alguns saltos junto à mãe e regressa rapidamente à bolsa ao menor sinal de perigo ou cansaço.
No caso do canguru-vermelho, estas primeiras saídas acontecem por volta dos seis meses. No canguru-cinzento-oriental, um pouco mais tarde, entre os oito e os dez meses.
A saída definitiva: quando acontece?
A saída definitiva do marsúpio — o momento a partir do qual a cria não regressa à bolsa para descansar ou dormir — ocorre em datas distintas consoante a espécie:
- Canguru-vermelho: a cria abandona definitivamente a bolsa por volta dos 8 a 9 meses.
- Canguru-cinzento-oriental: a saída definitiva ocorre entre os 9 e os 11 meses.
- Canguru-cinzento-ocidental: o filhote permanece na bolsa até cerca dos 9 a 10 meses.
A saída da bolsa não significa, porém, independência alimentar imediata. Mesmo após abandonar o marsúpio, a cria continua a mamar — apenas já de fora, introduzindo a cabeça na bolsa ou aproximando-se da mãe para aceder à teta. O canguru-vermelho costuma ser completamente desmamado por volta dos 12 meses; o canguru-cinzento-oriental pode continuar a mamar até aos 18 meses de idade.
A lógica evolutiva da bolsa
A longa permanência no marsúpio é uma adaptação às condições ambientais frequentemente áridas e imprevisíveis da Austrália. Ao nascer numa fase muito prematura e completar o desenvolvimento na bolsa, a fêmea pode interromper uma gravidez em condições adversas com um custo energético muito inferior ao de uma gestação completa. Além disso, a fêmea possui, habitualmente, um embrião em diapausa — com o desenvolvimento suspenso — que pode retomar o crescimento assim que as condições ambientais melhorem ou que o filhote atual abandone a bolsa. Esta estratégia reprodutiva, conhecida como diapausa embrionária, confere ao canguru uma flexibilidade reprodutiva invulgar entre os mamíferos.
Perguntas frequentes
Quanto tempo o filhote de canguru fica dentro da bolsa?
Depende da espécie. O canguru-vermelho abandona definitivamente a bolsa por volta dos 8 a 9 meses; o canguru-cinzento-oriental permanece entre 9 e 11 meses. Após a saída, a cria continua a mamar durante vários meses adicionais.
Com que tamanho nasce um filhote de canguru?
O recém-nascido pesa menos de um grama e tem o tamanho aproximado de um feijão. É cego, surdo e sem pelo, mas possui membros anteriores desenvolvidos o suficiente para rastejar sozinho até à bolsa da mãe.
O filhote sai da bolsa de uma vez ou gradualmente?
A saída é gradual. A cria começa por espreitar a cabeça para fora, depois realiza pequenas excursões e, por fim, abandona definitivamente o marsúpio — embora continue a mamar durante meses após esse momento.
Uma fêmea de canguru pode ter dois filhotes ao mesmo tempo?
Sim. A fêmea pode alimentar simultaneamente dois filhotes em fases distintas de desenvolvimento — um dentro da bolsa e outro a mamar do exterior — produzindo leites de composição diferente para cada um.
Quando fica o filhote de canguru completamente independente?
O desmame ocorre entre os 12 e os 18 meses, consoante a espécie. A partir desse momento, a cria está completamente independente da mãe do ponto de vista alimentar.