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Erik o Vermelho: o viquingue que colonizou a Gronelândia

Publicado 5. junho 2025 Atualizado 28. junho 2026

Quem foi Erik o Vermelho e qual sua importância histórica?

Erik o Vermelho, cujo nome nórdico original era Eiríkr Þorvaldsson, foi um explorador e chefe viquingue do século X, nascido por volta de 950 d.C. na Noruega. Ficou na história como o primeiro europeu a estabelecer uma colónia permanente na Gronelândia, abrindo caminho a séculos de presença nórdica no Atlântico Norte e, indiretamente, à chegada europeia à América do Norte pelo seu filho Leif Ericson. A sua vida, marcada por exílios, violência e espírito de aventura, é narrada nas sagas islandesas medievais, nomeadamente a Eiríks saga rauða (Saga de Erik o Vermelho) e a Grænlendinga saga (Saga dos Gronelandeses), duas das fontes escritas mais valiosas sobre a exploração nórdica do Atlântico.

Origens e alcunha

Erik Torvaldsson nasceu numa família norueguesa que já tinha historial de conflitos com a lei. O seu pai, Thorvald Ásvaldsson, foi exilado da Noruega por homicídio, o que levou a família a instalar-se na Islândia, ilha que os viquingues haviam começado a colonizar poucas décadas antes. A alcunha "o Vermelho" (hinn rauði, em nórdico antigo) refere-se à cor avermelhada do seu cabelo e barba, traço físico recorrente nas descrições que as sagas fazem da sua pessoa.

A Islândia revelou-se tão pouco pacífica quanto a Noruega o fora para o seu pai. Por volta de 980 d.C., um conflito violento — que envolveu a morte de vizinhos e incêndios de propriedades alheias — valeu-lhe a condenação pela þing (assembleia local): exílio de três anos da Islândia. Foi este castigo que, paradoxalmente, acabaria por moldar o curso da história.

A exploração da Gronelândia

Forçado a abandonar a Islândia por três anos, Erik partiu em busca de uma terra que havia sido avistada acidentalmente décadas antes pelo navegador Gunnbjörn Ulfsson, quando o seu navio derivou para oeste. Por volta de 982 d.C., Erik zarpou com um grupo reduzido de homens e navegou rumo a ocidente até avistar uma costa desconhecida. Explorou-a sistematicamente durante os três anos do exílio, percorrendo os fiordes da costa sudoeste e verificando que existiam zonas habitáveis, com pastos e condições para a instalação humana.

A terra que explorava era aquela que hoje conhecemos como Gronelândia. Erik decidiu atribuir-lhe um nome estrategicamente apelativo: Grœnland, ou seja, "Terra Verde". A escolha não era inocente — Erik sabia que precisava de atrair colonos, e uma designação evocadora de paisagens verdejantes e férteis seria mais sedutora do que a descrição honesta de uma terra em grande parte glaciar.

O regresso à Islândia e a colonização

Terminado o exílio, Erik regressou à Islândia por volta de 985 ou 986 d.C. e começou de imediato a recrutar colonos para a nova terra. As suas descrições entusiastas convenceram um número considerável de famílias a arriscar a travessia. A frota que partiu era composta por cerca de 25 navios; apenas 14 chegaram ao destino — os restantes foram dispersos por tempestades ou forçados a regressar.

Os colonos que alcançaram a Gronelândia fundaram duas grandes comunidades:

  • Assentamento Oriental (Eystribyggð) — o maior e mais populoso, situado na costa sudoeste, onde Erik estabeleceu a sua propriedade principal, Brattahlíð, correspondente à atual localidade de Qassiarsuk. Esta sede funcionou como centro político e social da colónia.
  • Assentamento Ocidental (Vestribyggð) — mais a norte ao longo da costa oeste, de menor dimensão mas igualmente estável durante várias gerações.

Nos anos de maior prosperidade, as duas colónias terão albergado entre 2 500 e 5 000 pessoas, dedicadas principalmente à criação de gado, à caça de focas e à extração de marfim de morsa — mercadoria de grande valor nos mercados europeus medievais. Erik governou a colónia como o seu chefe natural e residiu em Brattahlíð até ao fim da sua vida.

Morte e legado histórico

Erik o Vermelho morreu por volta de 1003 d.C., vítima de uma epidemia trazida por novos colonos chegados à Gronelândia em 1002, que dizimou parte da liderança da comunidade. O seu contributo histórico, porém, estende-se muito além da sua própria vida.

Em termos geopolíticos, Erik foi o fundador da primeira colónia europeia permanente conhecida na Gronelândia, precedendo os estabelecimentos dinamarqueses que viriam séculos mais tarde. A colónia nórdica subsistiu durante mais de três séculos, até ao final do século XIV e início do XV, quando desapareceu por razões que os investigadores ainda debatem — alterações climáticas, conflitos com os povos Thule (antepassados dos Inuit atuais) e o declínio do comércio de marfim figuram entre as hipóteses mais sustentadas pela historiografia.

As sagas que narram a sua vida são igualmente documentos históricos de valor excecional. A Eiríks saga rauða, redigida no século XIII, e a Grænlendinga saga constituem as principais fontes escritas sobre a exploração nórdica do Atlântico Norte. Embora apresentem versões ligeiramente divergentes dos mesmos acontecimentos, ambas são consideradas fidedignas nos seus traços fundamentais e continuam a ser estudadas por historiadores e arqueólogos em 2026.

O pai de Leif Ericson e a ligação à América do Norte

Talvez o legado mais duradouro de Erik o Vermelho seja indireto: foi pai de Leif Ericson (também grafado Leif Eriksson), o explorador que, por volta de 1000 d.C., se tornou o primeiro europeu conhecido a pisar o continente americano — cerca de 500 anos antes de Cristóvão Colombo. Leif partiu da Gronelândia, onde crescera, e chegou a uma região que as sagas designam por Vinland, identificada pelos arqueólogos com o sítio de L'Anse aux Meadows, na atual Terra Nova (Canadá), descoberto em 1960 e classificado como Património Mundial da UNESCO.

Sem a colonização da Gronelândia por Erik o Vermelho, dificilmente os nórdicos teriam disposto da base de partida a partir da qual Leif e outros exploradores atingiram o Novo Mundo. Neste sentido, Erik insere-se numa cadeia de expansão geográfica que, partindo da Noruega, alcançou a Islândia, a Gronelândia e, por fim, o continente americano — muito antes de qualquer outra potência europeia o fazer de forma documentada.

Perguntas frequentes

Por que é que Erik o Vermelho tinha esse nome?

A alcunha "o Vermelho" (hinn rauði) refere-se à cor avermelhada do seu cabelo e barba, conforme descrito nas sagas islandesas medievais. Era uma prática comum entre os povos nórdicos atribuir apelidos evocadores de características físicas marcantes.

Erik o Vermelho foi o descobridor da Gronelândia?

Não foi o primeiro a avistá-la — essa distinção pertence ao navegador Gunnbjörn Ulfsson, que vislumbrou as suas costas por acidente décadas antes. Contudo, foi Erik quem explorou sistematicamente a ilha e fundou a primeira colónia europeia permanente, por volta de 985–986 d.C.

Por que chamou "Terra Verde" a uma terra em grande parte gelada?

A escolha do nome "Gronelândia" (Grœnland) foi deliberadamente apelativa: Erik pretendia atrair colonos islandeses e sabia que uma designação sugestiva de paisagens férteis seria mais persuasiva. Embora a costa sudoeste tenha de facto zonas verdejantes no verão, o nome era sobretudo uma estratégia de recrutamento.

Qual é a ligação entre Erik o Vermelho e a descoberta da América?

Erik o Vermelho era pai de Leif Ericson, o explorador nórdico que, por volta do ano 1000 d.C., chegou à América do Norte — provavelmente à atual Terra Nova (Canadá) — cerca de 500 anos antes de Cristóvão Colombo. A colónia da Gronelândia fundada por Erik serviu de base a essa expedição.

Quanto tempo durou a colónia nórdica na Gronelândia?

A colónia fundada por Erik o Vermelho subsistiu durante mais de três séculos, até ao final do século XIV e início do XV. As causas do seu desaparecimento ainda são debatidas, incluindo alterações climáticas, conflitos com populações Inuit e o declínio do comércio de marfim de morsa.

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