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A Grande Esfinge de Gizé: história e importância histórica

Publicado 3. novembro 2024 Atualizado 24. junho 2026

Qual é a esfinge do Egito e qual sua importância histórica?

A Grande Esfinge de Gizé é uma das mais antigas e imponentes esculturas monolíticas do mundo, erguida na margem ocidental do rio Nilo, na necrópole de Gizé, no Egito. Com o corpo de um leão e a cabeça de um ser humano — provavelmente representando o faraó Quéfren —, esta estátua colossal tem dominado a paisagem do deserto durante mais de quatro mil e quinhentos anos, tornando-se um símbolo incontornável da civilização egípcia antiga e um dos monumentos mais visitados e estudados do planeta.

Descrição e dimensões

A Esfinge foi esculpida diretamente na rocha calcária do planalto de Gizé, a partir de um único afloramento de pedra natural. As suas dimensões são extraordinárias para a época em que foi construída: mede aproximadamente 73,5 metros de comprimento, 20,22 metros de altura e 19,3 metros de largura, tornando-a a maior escultura monolítica do Egito Antigo. A cabeça, desproporcionalmente menor em relação ao corpo — o que sugere que o rosto terá sido remodelado em época posterior —, representa um nemes, o tradicional toucado real dos faraós.

Vestígios de pigmento encontrados na superfície da pedra indicam que a estátua foi originalmente pintada com cores vivas: o rosto possivelmente de ocre vermelho, o toucado de amarelo e azul. Hoje, a erosão causada por milénios de vento, areia e variações de temperatura reduziu a superfície a um calcário desgastado.

Origem e datação

A teoria mais amplamente aceite pelos arqueólogos é a de que a Esfinge foi mandada construir pelo faraó Quéfren (c. 2558–2532 a.C.), durante o Império Antigo do Egito. Esta datação baseia-se essencialmente na localização da escultura — imediatamente a leste da pirâmide de Quéfren —, bem como em referências encontradas na chamada Estela do Sonho, um monumento de calcário erigido entre as patas dianteiras da escultura pelo faraó Tutmés IV cerca de mil anos após a construção da Esfinge.

Alguns investigadores propuseram datas mais recuadas, sugerindo que a erosão visível no corpo da Esfinge seria resultado de precipitação intensa — o que situaria a sua construção num período climático anterior, há cerca de dez mil anos. Esta hipótese, contudo, não reúne consenso na comunidade científica, que mantém a cronologia associada ao reinado de Quéfren.

A Grande Esfinge de Gizé faz parte do sítio da Necrópole Menfita, inscrito na lista do Património Mundial da UNESCO em 1979, juntamente com as pirâmides de Gizé e outros monumentos funerários do planalto.

Significado simbólico e religioso

Na iconografia do Egito Antigo, a esfinge era uma figura híbrida que combinava a força física do leão com a inteligência e soberania do ser humano, representada na figura do faraó. Symbolicamente, constituía uma manifestação do poder divino do rei e funcionava como entidade protetora dos espaços sagrados.

A orientação da estátua é altamente significativa: a Esfinge olha para leste, na direção do sol nascente, estabelecendo uma ligação direta com o deus solar Ré-Horakhti, uma das formas do deus sol Ra. Durante a XVIII dinastia, a esfinge passou a ser venerada como a própria manifestação de Hor-em-akhet ("Hórus no horizonte"), e o local tornou-se um lugar de culto ativo. O faraó Tutmés IV, segundo a lenda gravada na Estela do Sonho, terá recebido do deus a promessa do trono em troca de escavar a estátua da areia que a cobria — relato que constitui uma das primeiras referências escritas ao monumento.

A questão do nariz desaparecido

Uma das características mais notórias da Esfinge é a ausência do nariz, que se estima ter tido cerca de um metro de largura. Ao contrário da crença popular que atribui a destruição às tropas napoleónicas durante a campanha do Egito em 1798, as evidências históricas apontam numa direção diferente.

O historiador árabe al-Maqrizi registou no século XV que um fanático religioso chamado Muhammad Saim al-Dahr destruiu o nariz em 1378, considerando o monumento idolátrico. Estudos arqueológicos realizados por Mark Lehner e outros especialistas confirmaram que a destruição foi intencional: foram encontradas marcas na pedra consistentes com a utilização de instrumentos para remover a escultura por golpes diretos, e não por erosão natural. As ilustrações de viajantes europeus que visitaram o Egito antes de Napoleão já mostram a Esfinge sem o nariz, refutando definitivamente a versão napoleónica.

Escavações e preservação ao longo dos séculos

Ao longo da sua história, a Esfinge foi periodicamente soterrada pela areia do deserto até ao pescoço. Tutmés IV ordenou a primeira grande escavação conhecida, por volta de 1400 a.C. Na era moderna, o engenheiro francês Émile Baraize chefiou trabalhos de escavação e consolidação estrutural entre 1925 e 1936, sendo a estátua totalmente desenterrada pela primeira vez em milénios. Nesse período foram também efetuadas reparações na cabeça da escultura, parcialmente danificada pela erosão.

Nas décadas seguintes, campanhas de restauro realizadas pelas autoridades egípcias e por equipas internacionais procuraram estabilizar a pedra calcária, que sofre com a humidade subterrânea, a poluição atmosférica e as visitas turísticas massivas. O monumento continua a ser objeto de monitorização contínua pelo Supremo Conselho de Antiguidades do Egito.

Importância histórica e cultural

A Grande Esfinge de Gizé representa muito mais do que uma obra de engenharia e arte do Egito Antigo. É um documento em pedra da cosmologia, da teologia e do poder político de uma civilização que moldou profundamente o curso da história humana. A sua escala e a sua longevidade — sobrevivendo intacta, ainda que deteriorada, durante mais de quatro mil e quinhentos anos — tornam-na num testemunho singular da capacidade organizativa e técnica dos egípcios do Império Antigo.

Para o mundo contemporâneo, a Esfinge é também um ícone cultural de alcance global, frequentemente associada ao mistério, ao enigma e ao desconhecido. A figura da esfinge — um ser de natureza dupla, guardião entre dois mundos — permeou a arte, a literatura e a filosofia desde a Antiguidade Clássica grega até à modernidade.

Descobertas e controvérsias em 2026

Em março de 2026, o engenheiro de radar Filippo Biondi, da Universidade de Strathclyde, anunciou que a sua equipa teria identificado, através de tecnologia de Synthetic Aperture Radar (SAR) e tomografia Doppler por satélite, uma forma subterrânea que poderia corresponder a uma segunda esfinge soterrada nas areias de Gizé. A equipa alegou encontrar correlações geométricas precisas com a estrutura conhecida, e invocou a iconografia da Estela do Sonho — que representa dois leoninos — como possível evidência simbólica.

A reação da comunidade arqueológica foi de ceticismo pronunciado. O egiptólogo Zahi Hawass, ex-ministro das Antiguidades do Egito, rejeitou as afirmações de forma categórica, classificando-as como infundadas. Sem verificação física no terreno, o anúncio permanece no domínio da especulação científica, aguardando confirmação por métodos arqueológicos convencionais.

Perguntas frequentes

Quem construiu a Esfinge de Gizé?

A teoria mais aceite pelos arqueólogos é que a Grande Esfinge foi construída por ordem do faraó Quéfren, durante o Império Antigo do Egito, por volta de 2500 a.C. A sua localização imediatamente a leste da pirâmide de Quéfren é o principal argumento a favor desta atribuição.

Por que é que a Esfinge não tem nariz?

O nariz da Esfinge foi destruído intencionalmente, provavelmente em 1378, por um homem chamado Muhammad Saim al-Dahr, que considerou o monumento idolátrico. Marcas na pedra confirmam a destruição deliberada com instrumentos. A teoria de que Napoleão foi o responsável é falsa: registos e ilustrações anteriores à campanha napoleónica já mostram a estátua sem o nariz.

Qual é a função da Esfinge de Gizé?

A Grande Esfinge funcionava como guardiã da necrópole de Gizé e do complexo funerário de Quéfren. A sua orientação para leste associava-a ao culto solar, e posteriormente foi venerada como manifestação do deus Hor-em-akhet. Simbolicamente, representava o poder e a proteção divina do faraó.

Qual é o tamanho da Grande Esfinge?

A Grande Esfinge mede aproximadamente 73,5 metros de comprimento, 20,22 metros de altura e 19,3 metros de largura. Foi esculpida a partir de um único afloramento de rocha calcária do planalto de Gizé.

Existe uma segunda esfinge em Gizé?

Em 2026, investigadores italianos e o engenheiro Filippo Biondi anunciaram ter identificado, através de radar por satélite, estruturas subterrâneas que poderiam corresponder a uma segunda esfinge. No entanto, a comunidade arqueológica mainstream, incluindo Zahi Hawass, rejeitou as afirmações por falta de evidências físicas. O assunto permanece em debate e sem confirmação científica.

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