Hades: o deus do submundo e as suas riquezas
Hades é, na mitologia grega, o deus que governa o mundo dos mortos e o senhor das riquezas ocultas sob a terra. Filho dos titãs Cronos e Reia, e irmão mais velho de Zeus e Poséidon, é uma das divindades mais temidas e, ao mesmo tempo, mais incompreendidas do panteão helénico. Ao contrário da imagem popular que dele faz um "deus do mal", Hades era visto pelos antigos gregos como um soberano severo mas justo, guardião de um reino que ninguém podia evitar. O seu nome — frequentemente traduzido como "o Invisível" ou "o que não se vê" — designava tanto a divindade como o próprio reino que ele comandava.
Quem foi Hades
Segundo a tradição transmitida por Hesíodo na Teogonia, Hades nasceu da união dos titãs Cronos e Reia, juntamente com Héstia, Deméter, Hera, Poséidon e Zeus. Cronos, temendo ser destronado por um dos filhos, devorava-os à nascença, e Hades foi um dos engolidos. Mais tarde, Zeus libertou os irmãos e conduziu-os na guerra contra os titãs, a chamada Titanomaquia, que durou dez anos.
Vitoriosos, os três irmãos varões repartiram entre si o domínio do cosmos através de um sorteio. A Zeus coube o céu, a Poséidon coube o mar e a Hades coube o mundo subterrâneo, o reino dos mortos. A terra e o Monte Olimpo permaneceram território comum. Assim, Hades passou a reinar longe da luz, num domínio para onde todas as almas convergiam após a morte, independentemente da virtude ou do vício que tivessem demonstrado em vida.
O senhor do mundo subterrâneo
O reino de Hades, muitas vezes designado pelo próprio nome do deus, era o destino comum de todos os mortais. As almas eram conduzidas até lá por Hermes e atravessavam o rio Estige (ou o Aqueronte, consoante a tradição) na barca do barqueiro Caronte, a quem se pagava uma moeda — o óbolo — colocada na boca do defunto. À entrada vigiava Cérbero, o cão de três cabeças, que impedia os vivos de entrarem e os mortos de saírem.
Hades raramente abandonava o seu reino e quase nunca subia ao mundo dos vivos. Era um deus inflexível: não cedia a orações nem a sacrifícios, e a sua decisão sobre os mortos era definitiva. Por essa razão, os gregos evitavam pronunciar-lhe o nome, preferindo eufemismos. Não era, contudo, uma divindade cruel ou perversa; limitava-se a cumprir, sem favoritismos, a função que o destino lhe atribuíra.
Quais as riquezas que Hades possuía
A associação de Hades à riqueza é um dos aspetos centrais e mais frequentemente esquecidos da sua figura. Como senhor de tudo o que se encontra debaixo da terra, Hades era o guardião dos metais preciosos e das pedras que jaziam no subsolo. As suas riquezas incluíam:
- Ouro e prata, extraídos das profundezas das minas, considerados dádivas do seu domínio.
- Pedras preciosas e gemas, nascidas na escuridão subterrânea.
- Outros minerais e metais presentes nas camadas da terra.
- A fertilidade do solo, pois das mesmas profundezas brotavam as colheitas que alimentavam os vivos.
É precisamente por causa desta dimensão que os gregos lhe atribuíram o epíteto Plúton (Πλούτων), nome derivado da palavra grega ploutos, que significa "riqueza". Plúton era, literalmente, "o que dá a riqueza" ou "o doador de bens". Este nome benigno servia também para evitar invocar diretamente o deus dos mortos, suavizando a sua faceta sombria. Foi sob esta forma — Plúton, latinizada como Plutão — que os romanos o adotaram na sua própria mitologia.
A lógica desta riqueza é simples e profundamente ligada à experiência agrícola e mineira dos antigos: tudo o que tem valor material e tudo o que dá vida — o ouro nas minas, as sementes que germinam, as raízes que sustentam as plantas — vem de baixo, do domínio de Hades. O deus da morte era, paradoxalmente, também o deus da abundância que a terra esconde.
Os atributos e símbolos de Hades
O atributo mais célebre de Hades é o capacete da invisibilidade, também chamado elmo das trevas ou capacete de Hades, oferecido pelos Ciclopes durante a guerra contra os titãs. Quem o usava tornava-se invisível, e o próprio nome do deus reflete esse poder de não ser visto. Outros heróis, como Perseu, terão usado este elmo em episódios míticos.
Hades é habitualmente representado com um ceptro real, por vezes com um bidente (uma espécie de forquilha de duas pontas), acompanhado de Cérbero e, em algumas representações, da cornucópia — o corno da abundância —, símbolo direto das riquezas que controla. A sua figura é geralmente sóbria, barbada e majestosa, distante da iconografia demoníaca que épocas posteriores lhe associaram.
O rapto de Perséfone
O mito mais importante protagonizado por Hades é o rapto de Perséfone, filha de Deméter, a deusa das colheitas. Apaixonado pela jovem, Hades raptou-a com o consentimento de Zeus e levou-a para o seu reino para a tornar sua esposa e rainha do submundo. Deméter, desesperada, vagueou pela terra à procura da filha, e na sua dor deixou os campos áridos e estéreis.
Para resolver o conflito, Zeus interveio. Perséfone, no entanto, havia comido alguns bagos de romã no submundo, o que a vinculava para sempre àquele reino. Estabeleceu-se então um acordo: passaria parte do ano com Hades, no mundo subterrâneo, e a outra parte com a mãe, à superfície. Este ciclo explicava, para os gregos, a alternância das estações — o inverno correspondia ao período em que Perséfone estava junto de Hades e a terra se mostrava infértil; a primavera marcava o seu regresso e o renascimento da natureza.
Perguntas frequentes
Porque é que Hades era considerado o deus das riquezas?
Porque governava tudo o que existia debaixo da terra, incluindo os metais preciosos como o ouro e a prata, as pedras preciosas e os minerais extraídos das minas. Por isso recebeu o epíteto Plúton, "o doador de riqueza", nome que deu origem ao Plutão romano.
Qual é a diferença entre Hades e Plutão?
São essencialmente a mesma divindade. Hades é o nome grego do deus do submundo, enquanto Plutão (Plúton) é a forma adotada pelos romanos, derivada da palavra grega para riqueza. Os gregos já usavam "Plúton" como nome alternativo e mais auspicioso de Hades.
Hades era um deus mau?
Não. Embora severo, inflexível e temido, Hades não era considerado malévolo. Cumpria com justiça a função de governar os mortos, sem ceder a favoritismos. A associação posterior entre Hades e o conceito de inferno deve-se sobretudo a tradições religiosas mais tardias.
O que era o capacete da invisibilidade de Hades?
Era um elmo oferecido pelos Ciclopes que tornava invisível quem o usasse. Está ligado ao próprio significado do nome Hades, "o Invisível", e foi também emprestado a heróis como Perseu em alguns mitos.