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Quem descobriu as Ilhas das Especiarias?

Publicado 18. março 2025 Atualizado 30. junho 2026

Quem foi o explorador que descobriu as Ilhas das Especiarias?

As Ilhas das Especiarias, atualmente conhecidas como Molucas (Maluku, na Indonésia), foram alcançadas pela primeira vez por europeus entre 1511 e 1512, numa expedição portuguesa comandada por António de Abreu e enviada por Afonso de Albuquerque a partir de Malaca. Integrado nessa mesma armada seguia Francisco Serrão, capitão de um dos navios, que se tornaria a figura central da chegada europeia ao arquipélago e da fixação portuguesa em Ternate. Esta descoberta marcou o fim de uma demanda secular: encontrar a origem exata do cravinho e da noz-moscada, especiarias que chegavam à Europa através de intermediários árabes e venezianos a preços exorbitantes.

A expedição de António de Abreu e Francisco Serrão

Em 1511, após a conquista de Malaca, Afonso de Albuquerque organizou uma expedição de três navios com o objetivo de localizar as ilhas de Banda, fonte exclusiva da noz-moscada, e as ilhas de Ternate e Tidore, produtoras de cravinho. António de Abreu liderava a frota, mas foi Francisco Serrão quem, depois de naufragar perto de Hitu, a norte de Ambon, comprou um junco chinês a um comerciante local para prosseguir viagem. Em 1512, Serrão tornou-se o primeiro europeu a chegar a Ternate, onde se fixou definitivamente como conselheiro de confiança do sultão Bayan Sirrullah.

O acordo comercial negociado por Serrão garantiu a Portugal um monopólio sobre o cravinho de Ternate que se manteria, com avanços e recuos, durante cerca de um século. Entretanto, a frota principal de Abreu regressou a Malaca carregada de especiarias raras, comprovando que a rota até às ilhas era viável.

O papel de Fernão de Magalhães

Fernão de Magalhães, navegador português ao serviço da coroa espanhola e supostamente primo de Francisco Serrão, organizou anos depois a expedição de 1519-1522 com o objetivo declarado de alcançar as Molucas navegando para ocidente, contornando a América do Sul. Magalhães morreu nas Filipinas em 1521, mas a viagem foi concluída pelo navegador basco Juan Sebastián Elcano, que regressou à Europa com um dos navios carregado de cravinho, completando a primeira circum-navegação da Terra. Esta expedição não "descobriu" as ilhas, já que os portugueses lá chegavam desde 1512, mas confirmou que era possível alcançá-las por uma rota ocidental, o que reacendeu a disputa entre Portugal e Espanha pela soberania sobre o arquipélago, resolvida pelo Tratado de Saragoça, em 1529.

Por que as ilhas eram tão disputadas

Nos séculos XVI e XVII, as Molucas e as próximas ilhas Banda eram a única fonte mundial conhecida de cravinho, noz-moscada e macis. Estas especiarias valiam, por peso, mais do que o ouro nos mercados europeus, sendo usadas tanto na conservação de alimentos como na medicina e na perfumaria da época. O controlo destas ilhas tornou-se, por isso, um dos principais objetivos estratégicos das potências marítimas europeias, primeiro Portugal, depois também a Holanda, através da Companhia Neerlandesa das Índias Orientais, que acabaria por dominar o comércio das especiarias no século XVII.

Perguntas frequentes

Quem foi o primeiro europeu a chegar às Molucas?

Foi Francisco Serrão, capitão português integrado na expedição de António de Abreu, que chegou a Ternate em 1512.

Fernão de Magalhães descobriu as Ilhas das Especiarias?

Não. Magalhães organizou a expedição de 1519-1522 que provou ser possível chegar às Molucas navegando para ocidente, mas os portugueses já lá estavam desde 1512.

Onde ficam as Ilhas das Especiarias?

Correspondem ao arquipélago das Molucas (Maluku), no nordeste da atual Indonésia, entre o Sulawesi e a Nova Guiné.

Que especiarias tornaram as Molucas tão valiosas?

Sobretudo o cravinho, originário de Ternate e Tidore, e a noz-moscada e o macis, exclusivos das ilhas Banda.

Quem ficou com o controlo das ilhas depois dos portugueses?

A partir do início do século XVII, a Companhia Neerlandesa das Índias Orientais foi progressivamente assumindo o domínio do comércio de especiarias na região.

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