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Dorothea Lange: a fotógrafa da pobreza na Grande Depressão

Publicado 18. maio 2025 Atualizado 1. julho 2026

Quem foi o fotógrafo da pobreza nos EUA na Grande Depressão?

Quando se pergunta quem foi o fotógrafo que melhor retratou a pobreza nos Estados Unidos durante a Grande Depressão, o nome mais associado a essa memória visual é o de Dorothea Lange. Foi ela quem, em março de 1936, captou a fotografia "Migrant Mother" ("Mãe Migrante"), a imagem mais reproduzida e reconhecida de todo o período, tornando-se um símbolo universal da miséria rural norte-americana dos anos 1930. Lange trabalhava então para a Farm Security Administration (FSA), a agência federal que empregou uma equipa de fotógrafos para documentar as condições de vida dos agricultores e trabalhadores rurais empobrecidos pela crise económica.

Quem foi Dorothea Lange

Dorothea Lange (1895-1965) era fotógrafa profissional, com formação em retrato em estúdio, quando a Grande Depressão a levou a abandonar esse trabalho comercial para documentar, nas ruas de São Francisco e depois pelas estradas rurais da Califórnia, as filas de desempregados e as famílias deslocadas pela crise. O seu olhar humanista e a proximidade que estabelecia com quem fotografava tornaram-se a marca do seu trabalho, distinguindo-a de uma abordagem meramente documental.

A fotografia "Migrant Mother"

A imagem mais célebre de Lange mostra Florence Owens Thompson, uma trabalhadora migrante de origem cherokee, então com 32 anos, sentada numa tenda de um acampamento de apanhadores de ervilha em Nipomo, Califórnia, junto a três dos seus dez filhos. Lange fotografou a família em poucos minutos, numa série de seis exposições, captando a expressão de preocupação e exaustão de Thompson. A fotografia foi publicada de imediato na imprensa e ajudou a mobilizar ajuda alimentar de emergência para o acampamento.

Décadas mais tarde, Florence Owens Thompson manifestou desconforto com a forma como a imagem a tornou um símbolo público sem o seu consentimento pleno nem qualquer benefício económico, uma tensão que continua a ser discutida em análises contemporâneas sobre ética fotográfica e representação da pobreza.

A Farm Security Administration e a sua equipa de fotógrafos

Lange não trabalhava sozinha. A FSA, criada em 1937 a partir da anterior Resettlement Administration (1935-1937), organizou sob a direção de Roy Stryker um dos maiores projetos de documentação fotográfica da história dos Estados Unidos. Ao longo de cerca de uma década, a equipa reuniu mais de 170 mil imagens, hoje preservadas na Library of Congress, em Washington D.C.

Entre os fotógrafos que integraram este projeto, além de Dorothea Lange, destacam-se:

  • Arthur Rothstein — o primeiro fotógrafo contratado por Stryker, conhecido pelas suas imagens do Dust Bowl e da erosão dos solos no Midwest;
  • Walker Evans — autor de retratos austeros de famílias de agricultores pobres no Sul dos Estados Unidos, mais tarde reunidos no livro "Let Us Now Praise Famous Men", em colaboração com o escritor James Agee;
  • Ben Shahn — pintor e fotógrafo que documentou comunidades rurais e mineiras;
  • Gordon Parks — que se juntaria mais tarde à equipa, tornando-se um dos primeiros fotógrafos afro-americanos de relevo nos Estados Unidos.

Este trabalho coletivo, a par de obras literárias como "As Vinhas da Ira" ("The Grapes of Wrath"), de John Steinbeck, é considerado o principal responsável pela imagem visual que ainda hoje se associa à Grande Depressão.

Porque é Dorothea Lange a resposta mais comum

Embora a documentação fotográfica da pobreza durante a Grande Depressão tenha sido um esforço coletivo da FSA, Dorothea Lange tornou-se a referência individual mais citada por três razões principais: a força icónica de "Migrant Mother", que ultrapassou o contexto original e passou a representar a crise como um todo; a sua abordagem centrada na dignidade humana dos retratados, em vez de uma perspetiva meramente estatística ou administrativa; e a ampla circulação da imagem na imprensa da época, que a tornou instantaneamente reconhecível para o público em geral.

Legado em 2026

A obra de Lange continua a ser estudada e exposta regularmente. Em 2026, coincidindo com o 90.º aniversário do lançamento de vários programas do New Deal, incluindo a Works Progress Administration, várias instituições americanas mantêm mostras dedicadas ao seu trabalho, como a exposição "Last West: Dorothea Lange's California Revisited", no Sonoma Valley Museum of Art, que revisita os temas retratados por Lange há quase um século e os relaciona com questões sociais atuais, como a precariedade laboral e a habitação.

Perguntas frequentes

Quem foi a fotógrafa mais associada à pobreza na Grande Depressão?

Dorothea Lange, autora da fotografia "Migrant Mother" (1936), é a fotógrafa mais associada a esse período, embora tenha trabalhado como parte de uma equipa maior contratada pela Farm Security Administration.

Quem aparece na fotografia "Migrant Mother"?

A mulher retratada é Florence Owens Thompson, uma trabalhadora agrícola migrante de origem cherokee, fotografada junto a três dos seus dez filhos num acampamento de apanhadores de ervilha em Nipomo, Califórnia.

Que outros fotógrafos documentaram a Grande Depressão além de Dorothea Lange?

Destacam-se Arthur Rothstein, Walker Evans, Ben Shahn e, mais tarde, Gordon Parks, todos integrados na equipa de fotógrafos da Farm Security Administration.

Onde estão guardadas as fotografias da Farm Security Administration?

O arquivo, com mais de 170 mil imagens, está preservado na Library of Congress, em Washington D.C., e grande parte está disponível para consulta pública.

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