Napoleão Bonaparte: o general que venceu as coligações europeias
O general francês que ficou historicamente associado à vitória sobre sucessivas coligações europeias foi Napoleão Bonaparte (1769-1821), oficial de artilharia nascido na Córsega que se tornou general do exército revolucionário francês, depois Primeiro-Cônsul e, a partir de 1804, Imperador dos Franceses. Entre 1792 e 1815, as principais potências europeias — Grã-Bretanha, Áustria, Rússia, Prússia e outras — formaram sete coligações militares sucessivas para conter a expansão francesa. Napoleão, à frente dos exércitos da República e depois do Império, derrotou cinco dessas sete coligações, consolidando um domínio militar sobre o continente que só terminaria com a sua derrota final em 1815.
Quem foi Napoleão Bonaparte
Napoleão nasceu em Ajácio, na Córsega, em 1769, e formou-se em academias militares francesas antes de se destacar durante a Revolução Francesa. A sua ascensão foi rápida: aos 24 anos já era general, e em 1796 assumiu o comando do Exército da Itália, que transformou numa força capaz de infligir derrotas sucessivas às tropas austríacas. Essa campanha lançou-o como o principal génio militar da França revolucionária e abriu caminho à sua entrada na política, culminando no golpe de Estado de 18 de Brumário (1799), que o colocou no topo do poder como Primeiro-Cônsul.
O que foram as coligações europeias
As coligações anti-francesas foram alianças formadas por diferentes combinações de potências europeias — sobretudo a Grã-Bretanha, a Áustria, a Rússia e a Prússia — com o objetivo de conter, primeiro, a Revolução Francesa e, depois, a expansão do poder de Napoleão. Ao longo de mais de duas décadas de guerra quase ininterrupta, formaram-se sete coligações:
- Primeira Coligação (1792-1797)
- Segunda Coligação (1798-1802)
- Terceira Coligação (1805)
- Quarta Coligação (1806-1807)
- Quinta Coligação (1809)
- Sexta Coligação (1813-1814)
- Sétima Coligação (1815)
Das sete, a França sob o comando de Napoleão saiu vitoriosa em cinco, sendo as duas primeiras ainda no período das guerras revolucionárias, antes de este se tornar imperador. Foram as últimas duas coligações, a Sexta e a Sétima, que acabariam por derrotá-lo definitivamente.
As grandes vitórias militares de Napoleão
A reputação de Napoleão como estratega assenta numa série de batalhas que se tornaram referência no ensino militar. Na campanha de Itália (1796-1797), as suas tropas venceram repetidamente os austríacos, forçando a Áustria a sair da Primeira Coligação. Durante a Segunda Coligação, o general Moreau infligiu uma derrota esmagadora aos austríacos em Hohenlinden, em dezembro de 1800, contribuindo para o fim desse conflito.
O momento mais célebre chegou a 2 de dezembro de 1805, na Batalha de Austerlitz, também conhecida como a "Batalha dos Três Imperadores". Perto da atual cidade checa de Slavkov u Brna, o exército francês comandado por Napoleão derrotou as forças combinadas do czar russo Alexandre I e do imperador austríaco Francisco II, após cerca de nove horas de combate. A vitória foi tão decisiva que pôs fim à Terceira Coligação: a 26 de dezembro de 1805, a Áustria assinou o Tratado de Pressburg, retirando-se da guerra.
No ano seguinte, na Quarta Coligação, Napoleão esmagou o exército prussiano nas batalhas de Jena e Auerstedt (1806), e em junho de 1807 derrotou os russos na Batalha de Friedland, o que levou à assinatura do Tratado de Tilsit e a um período de hegemonia francesa quase total sobre a Europa continental.
O declínio: as coligações que Napoleão perdeu
O ponto de viragem ocorreu com a desastrosa Campanha da Rússia, em 1812, na qual o Grande Armée francês foi dizimado pelo inverno russo, pela tática de terra queimada e pelo desgaste logístico, sem nunca mais recuperar a sua força original. Aproveitando esta fraqueza, formou-se a Sexta Coligação, que derrotou decisivamente as forças napoleónicas na Batalha de Leipzig, em outubro de 1813 — a maior batalha da Europa antes da Primeira Guerra Mundial. Em 1814, os exércitos coligados invadiram território francês e forçaram Napoleão a abdicar, sendo exilado na ilha de Elba.
O regresso de Napoleão em 1815, período conhecido como os "Cem Dias", provocou a formação da Sétima Coligação, que o derrotou definitivamente na Batalha de Waterloo, a 18 de junho de 1815. Foi então exilado para a ilha de Santa Helena, no Atlântico Sul, onde morreu em 1821.
Porque é Napoleão lembrado como vencedor das coligações
Apesar da derrota final, a imagem histórica de Napoleão continua fortemente associada às vitórias sobre a maioria das coligações que a Europa lhe opôs. Ao longo de quase vinte anos, redesenhou o mapa político do continente, impôs reformas legais e administrativas duradouras — como o Código Civil, ainda hoje conhecido como Código Napoleónico — e elevou a arte da guerra a um novo patamar, através de inovações como a mobilidade das tropas, a artilharia concentrada e o uso de grandes exércitos de conscritos. É este conjunto de sucessos militares e institucionais, mais do que o desfecho final, que explica por que continua a ser identificado como o general que "venceu as coligações europeias".
Perguntas frequentes
Quantas coligações europeias foram formadas contra Napoleão?
Foram formadas sete coligações entre 1792 e 1815, envolvendo principalmente a Grã-Bretanha, a Áustria, a Rússia e a Prússia, entre outras potências.
Quantas coligações Napoleão venceu?
Napoleão e a França venceram cinco das sete coligações formadas contra eles, sendo derrotados apenas pela Sexta e pela Sétima coligações, em 1814 e 1815, respetivamente.
Qual foi a maior vitória de Napoleão sobre uma coligação europeia?
A Batalha de Austerlitz, a 2 de dezembro de 1805, é geralmente considerada a maior vitória de Napoleão, pois destruiu por completo a Terceira Coligação, derrotando os exércitos combinados da Áustria e da Rússia.
Que coligação derrotou definitivamente Napoleão?
A Sétima Coligação derrotou Napoleão de forma definitiva na Batalha de Waterloo, a 18 de junho de 1815, pondo fim ao período conhecido como os Cem Dias e ao seu domínio na Europa.
Onde morreu Napoleão Bonaparte?
Após a derrota em Waterloo, Napoleão foi exilado pelos vencedores para a ilha de Santa Helena, no Atlântico Sul, onde morreu em 1821.