A cadeira elétrica ainda é usada como pena de morte?
A cadeira elétrica, durante grande parte do século XX o símbolo por excelência da pena capital nos Estados Unidos, continua tecnicamente disponível em 2026, mas tornou-se um método residual e quase desativado na prática. Nenhum estado norte-americano a usa como método principal de execução e nenhum país do mundo fora dos Estados Unidos a mantém em vigor. A execução por electrocussão sobreviveu sobretudo como opção secundária, escolhida pontualmente pelos próprios condenados ou prevista para o caso de a injeção letal se tornar indisponível. A última execução por cadeira elétrica ocorreu em fevereiro de 2020, e desde então nenhum recluso foi electrocutado.
Onde a cadeira elétrica ainda é legal em 2026
Cerca de nove estados norte-americanos mantêm a electrocussão entre os métodos de execução legalmente autorizados: Alabama, Arkansas, Florida, Kentucky, Louisiana, Mississippi, Oklahoma, Carolina do Sul e Tennessee. Em nenhum deles, porém, a cadeira elétrica é hoje o método primário. A injeção letal é o procedimento por defeito em praticamente todo o país, e a electrocussão funciona como alternativa em circunstâncias específicas.
Essas circunstâncias variam de estado para estado. No Tennessee, a cadeira elétrica está disponível para os condenados sentenciados antes de 1 de janeiro de 1999, que podem optar por ela em vez da injeção letal, ou caso esta seja considerada indisponível ou inconstitucional. No Kentucky, a opção restringe-se a um pequeno grupo de reclusos condenados antes de 31 de março de 1998 — apenas alguns indivíduos. Na Florida e no Alabama, o condenado pode requerer a electrocussão como alternativa à injeção letal (no Alabama existe ainda a hipoxia por nitrogénio). Trata-se, em todos os casos, de um mecanismo de reserva ou de escolha individual, não de um procedimento de rotina.
Quando foi a última execução na cadeira elétrica
A execução mais recente por electrocussão foi a de Nicholas Todd Sutton, levada a cabo no Tennessee a 20 de fevereiro de 2020. Foi também o Tennessee o único estado a recorrer à cadeira elétrica na década anterior, concentrando praticamente todas as electrocussões realizadas desde 2010. Vários destes condenados escolheram a cadeira elétrica precisamente como forma de protesto contra a injeção letal, cujos protocolos têm sido alvo de contestação judicial e de problemas no fornecimento dos fármacos.
Em termos históricos, das mais de 1.600 execuções realizadas nos Estados Unidos desde 1976, a esmagadora maioria foi por injeção letal (cerca de 1.469), tendo a electrocussão respondido por aproximadamente 163 casos. Desde o ano 2000, registaram-se apenas cerca de 19 electrocussões, número que ilustra bem o declínio acentuado do método.
Porque caiu em desuso
O abandono da cadeira elétrica deve-se a uma combinação de fatores jurídicos, técnicos e de perceção pública. Ao longo das décadas, várias execuções por electrocussão correram mal — com queimaduras graves, chamas e tempos prolongados de agonia —, alimentando ações judiciais que invocavam a proibição constitucional de "castigos cruéis e invulgares" prevista na Oitava Emenda. A partir dos anos 1980, a injeção letal foi sendo adotada como alternativa considerada mais "humana" e menos chocante para testemunhas e opinião pública.
Tribunais estaduais chegaram a declarar a electrocussão inconstitucional em determinados momentos, como aconteceu na Geórgia em 2001. Esta conjugação de pressão judicial e mudança de sensibilidade transformou a cadeira elétrica, em poucas décadas, de método dominante em opção marginal.
O caso da Carolina do Sul e o regresso de métodos antigos
A Carolina do Sul ilustra a evolução recente do tema. Perante a dificuldade em obter os fármacos para a injeção letal, o estado reativou legislação que mantém a electrocussão como método por defeito, dando aos condenados a possibilidade de escolherem entre a cadeira elétrica, o pelotão de fuzilamento e a injeção letal. Em 2024, o Supremo Tribunal estadual confirmou a constitucionalidade tanto da electrocussão como do fuzilamento.
Quando a Carolina do Sul retomou as execuções, vários condenados, confrontados com a escolha, preferiram o pelotão de fuzilamento ou a injeção letal à cadeira elétrica — o que tornou aquele estado palco do reaparecimento do fuzilamento nos Estados Unidos, mas não da electrocussão. Em 2025, das dezenas de execuções realizadas no país, a larga maioria foi por injeção letal, algumas por hipoxia de nitrogénio e três por pelotão de fuzilamento; nenhuma por cadeira elétrica.
E fora dos Estados Unidos?
A cadeira elétrica foi, ao longo da história, um método quase exclusivamente norte-americano. Foi usada pela primeira vez em 1890, no estado de Nova Iorque, na execução de William Kemmler. O único outro país que alguma vez a adotou de forma significativa foram as Filipinas, que a utilizaram durante o período de influência americana e a abandonaram em meados do século XX. Em 2026, nenhum país fora dos Estados Unidos prevê a electrocussão como método de execução, pelo que a cadeira elétrica é hoje um fenómeno restrito a um punhado de estados norte-americanos.
Perguntas frequentes
A cadeira elétrica ainda existe em 2026?
Sim, mas apenas como método secundário ou opcional em cerca de nove estados dos Estados Unidos. Não é usada como método principal em nenhum lado e nenhum país fora dos EUA a mantém.
Quando foi a última execução por cadeira elétrica?
A última electrocussão conhecida ocorreu a 20 de fevereiro de 2020, no Tennessee, com a execução de Nicholas Todd Sutton. Desde então, nenhum recluso foi executado por este método.
Que estados ainda permitem a electrocussão?
Alabama, Arkansas, Florida, Kentucky, Louisiana, Mississippi, Oklahoma, Carolina do Sul e Tennessee mantêm-na nas suas leis, geralmente como alternativa à injeção letal ou por escolha do condenado.
Porque é que deixou de ser usada?
Por execuções que correram mal, contestação judicial ao abrigo da proibição de castigos cruéis e invulgares, e pela adoção da injeção letal como método considerado mais aceitável pela opinião pública.
Algum condenado ainda escolhe a cadeira elétrica?
Raramente. Alguns optaram por ela em protesto contra a injeção letal, mas, perante a escolha, a maioria prefere a injeção letal ou, na Carolina do Sul, o pelotão de fuzilamento.