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O dodo está mesmo extinto? A verdade sobre a espécie

Publicado 2. novembro 2024 Atualizado 1. julho 2026

O dodô está realmente extinto? Descubra a verdade aqui!

Sim, o dodo (Raphus cucullatus) está extinto, e não há qualquer dúvida científica quanto a isso. A ave, endémica da ilha Maurícia, deixou de existir há mais de três séculos, vítima direta da chegada do ser humano ao seu habitat. O que gera confusão junto do público em 2026 não é a extinção em si, mas sim os projetos de "desextinção" genética que têm surgido nos últimos anos, e que levam muitas pessoas a perguntar se o dodo poderá, de alguma forma, voltar a existir.

Quando e como desapareceu o dodo

Os primeiros registos de contacto entre marinheiros portugueses e o dodo remontam a cerca de 1507, quando a ilha Maurícia foi descoberta pelos europeus. A ave, que não tinha predadores naturais e havia perdido a capacidade de voar, não possuía qualquer instinto de fuga perante o ser humano, o que a tornou extremamente vulnerável.

O último avistamento amplamente aceite de um dodo vivo data de 1662, embora análises estatísticas sobre o padrão de extinções sugiram que a espécie possa ter sobrevivido, em número reduzido, até cerca de 1690. Em qualquer dos casos, no final do século XVII o dodo já não existia em lado nenhum do planeta.

Porque é que o dodo se extinguiu

A extinção do dodo resultou de uma combinação de fatores, todos ligados à presença humana na Maurícia:

  • Caça direta por marinheiros holandeses, que capturavam a ave para consumo, ainda que a sua carne fosse considerada de qualidade mediana;
  • Introdução de espécies invasoras, como porcos, cães, gatos e ratos, que os navios traziam consigo e que passaram a predar ovos, crias e juvenis de dodo;
  • Destruição do habitat florestal da ilha, à medida que a colonização avançava;
  • Ausência de mecanismos de defesa, já que a ave evoluíra durante milénios sem predadores, tornando-a incapaz de reagir a estas novas ameaças.

Esta combinação de causas fez do dodo um dos exemplos mais citados de extinção provocada pelo ser humano, e transformou o seu nome numa expressão comum em várias línguas para designar algo obsoleto ou ultrapassado.

Existe alguma hipótese de "trazer de volta" o dodo?

É aqui que reside a origem da pergunta sobre se o dodo estará "realmente" extinto. A empresa norte-americana de biotecnologia Colossal Biosciences, conhecida pelos seus projetos de desextinção do mamute-lanoso e do lobo-da-tasmânia, tem também um programa dedicado ao dodo.

Em 2025 e 2026, a equipa de genética aviária da Colossal anunciou um avanço considerado pioneiro: conseguiu cultivar, pela primeira vez, células germinativas primordiais (PGCs) de pombo em laboratório, um passo técnico essencial, já que o parente vivo mais próximo do dodo é precisamente o pombo. Foram testadas mais de 300 combinações de fatores de crescimento e moléculas até se obter um protocolo de cultura viável, com as células a duplicarem-se a cada 35 horas e a migrarem corretamente para as gónadas quando injetadas em embriões recetores.

A empresa reforçou também o financiamento do projeto, com uma nova ronda de 120 milhões de dólares que se soma aos 200 milhões angariados anteriormente, perfazendo um total de cerca de 320 milhões de dólares investidos nos vários programas de desextinção da Colossal. Foi ainda constituído um bando de galinhas geneticamente editadas, pensadas como potenciais espécies hospedeiras para embriões de aves em risco, incluindo o dodo, e criado um comité consultivo com peritos ligados à cultura da Maurícia, para acompanhar um eventual futuro programa de reintrodução da ave na ilha.

Segundo a própria Colossal, poderão ser necessários entre cinco a sete anos até que um animal com características do dodo possa, em teoria, pisar solo mauriciano.

Isto significa que o dodo vai deixar de estar extinto?

Não, pelo menos não no sentido estrito do termo. Mesmo que o projeto da Colossal seja bem-sucedido, o resultado não será um dodo geneticamente idêntico ao original, mas sim um pombo geneticamente modificado para exibir determinadas características físicas associadas ao dodo, como o tamanho, a forma do bico ou a incapacidade de voar. Trata-se de uma aproximação funcional à espécie extinta, obtida por edição genética a partir de um parente vivo, e não da ressurreição do animal que desapareceu no século XVII.

Do ponto de vista científico e taxonómico, o Raphus cucullatus original continua e continuará extinto. O que poderá eventualmente existir, dentro de alguns anos, é um híbrido geneticamente aproximado, criado em laboratório, e cuja introdução na Maurícia dependeria ainda de aprovações regulatórias, éticas e ecológicas que estão longe de estar resolvidas.

Perguntas frequentes

O dodo está mesmo extinto?

Sim. O dodo extinguiu-se entre o final do século XVII, com o último avistamento fiável registado em 1662 e estimativas estatísticas a apontarem para uma extinção efetiva por volta de 1690. Não existe atualmente nenhum exemplar vivo da espécie original.

Porque é que se fala em "trazer o dodo de volta" em 2026?

Porque a empresa de biotecnologia Colossal Biosciences tem um programa de desextinção genética do dodo, que em 2025 e 2026 anunciou avanços relevantes no cultivo de células germinativas de pombo, o parente vivo mais próximo da ave extinta.

Vai mesmo nascer um dodo?

Não um dodo idêntico ao original. O objetivo do projeto é criar um pombo geneticamente editado com características físicas semelhantes às do dodo, não ressuscitar a espécie extinta tal como existia.

Quanto tempo falta para isso acontecer?

Segundo a Colossal Biosciences, o processo poderá demorar entre cinco a sete anos até que um animal com características do dodo possa ser reintroduzido na ilha Maurícia.

Porque é que o dodo se extinguiu originalmente?

Por uma combinação de caça direta por marinheiros, predação de ovos e crias por animais introduzidos pelo ser humano (como ratos, porcos e macacos) e destruição do seu habitat natural na ilha Maurícia.

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