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Puma vs Adidas: a verdadeira história da rivalidade

Publicado 13. novembro 2024 Atualizado 1. julho 2026

Qual é a verdade sobre a rivalidade Puma e Adidas?

A rivalidade entre a Puma e a Adidas é uma das mais célebres do mundo empresarial, com raízes que remontam a uma fábrica de calçado alemã fundada em 1924 e a uma desavença familiar que dividiu uma cidade inteira ao meio. Longe de ser apenas uma disputa comercial entre duas marcas desportivas, a história é marcada por um conflito entre dois irmãos, Adolf e Rudolf Dassler, cujo desentendimento gerou consequências que ainda se fazem sentir, décadas depois, inclusive em 2026, num ano marcado pelo Campeonato do Mundo de futebol e por rumores de fusão entre as duas empresas.

As origens comuns: a fábrica dos irmãos Dassler

Em 1924, os irmãos Adolf ("Adi") e Rudolf ("Rudi") Dassler fundaram, em Herzogenaurach, na Baviera, a Gebrüder Dassler Schuhfabrik (Fábrica de Calçado dos Irmãos Dassler). Adi era o cérebro técnico, dedicado ao desenvolvimento e à inovação dos ténis, enquanto Rudi assumia a vertente comercial e o relacionamento com atletas e clubes. A dupla teve um sucesso relativamente rápido, tendo os seus calçados sido usados nos Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936, incluindo pelo atleta norte-americano Jesse Owens, vencedor de quatro medalhas de ouro.

A rutura entre os dois irmãos

A relação entre Adi e Rudi deteriorou-se de forma irreversível durante a Segunda Guerra Mundial. As razões exatas continuam a ser objeto de debate entre historiadores, mas as versões mais difundidas apontam para desentendimentos relacionados com a gestão do negócio, rivalidades pessoais e um episódio ocorrido em 1943, durante um bombardeamento aliado: ao entrarem num abrigo antiaéreo onde já se encontravam Rudi e a sua família, Adi terá dito "os porcos sujos voltaram", numa referência aos aviões inimigos, mas Rudi interpretou o comentário como dirigido a si próprio e à sua família. O episódio, somado a suspeitas mútuas relacionadas com a colaboração com o regime nazi e com a Gestapo, tornou a convivência insustentável.

A divisão de Herzogenaurach

Em 1948, a empresa conjunta foi definitivamente dissolvida. Adi fundou a Adidas, cujo nome resulta da contração de "Adi Dassler", enquanto Rudi criou a Puma, inicialmente chamada Ruda, também formada a partir do seu próprio nome. As duas fábricas instalaram-se em lados opostos do rio Aurach, que atravessa Herzogenaurach, e a cidade acabaria por ficar conhecida, de forma jocosa, como "a cidade dos pescoços tortos", já que, segundo a tradição local, os habitantes olhavam primeiro para o calçado de quem tinham à frente antes de decidirem com quem falar. Durante décadas, funcionários, fornecedores e até casais namorados eram implicitamente pressionados a manter-se fiéis a apenas uma das marcas, e os bares, padarias e clubes desportivos da cidade dividiam-se consoante o "lado do rio" a que pertenciam.

Disputas comerciais e de marca

Para além da tensão pessoal e local, Adidas e Puma protagonizaram, ao longo dos anos, diversos litígios legais relacionados com patentes, tecnologias de calçado e proteção de marca, um padrão que se manteve mesmo depois da morte dos fundadores. Estas disputas jurídicas são um reflexo direto da competição pela liderança do mercado de artigos desportivos, historicamente disputada também com a norte-americana Nike, que se tornaria, a partir da década de 1970, um terceiro concorrente incontornável neste triângulo.

A reconciliação simbólica

Adi Dassler morreu em 1978 e Rudi Dassler em 1974; segundo várias fontes, os dois ter-se-ão reconciliado pouco antes da morte de Rudi, ainda que a relação nunca tenha voltado a ser próxima. Ambos estão sepultados no mesmo cemitério de Herzogenaurach, mas em extremos opostos. O gesto mais simbólico de pacificação entre as duas empresas ocorreu apenas em 2009, quando funcionários da Adidas e da Puma organizaram um jogo de futebol conjunto e trocaram um aperto de mão público, um evento amplamente noticiado como o encerramento simbólico de mais de sessenta anos de rivalidade entre as duas marcas.

Como está a rivalidade em 2026

Em 2026, a disputa entre as duas marcas alemãs deixou de ser apenas histórica para voltar a ser diretamente comercial, sobretudo devido ao Campeonato do Mundo de futebol, organizado em conjunto pelos Estados Unidos, Canadá e México. Pela primeira vez em muitos anos, a competição pelo equipamento das seleções nacionais deixou de ser um duelo direto entre Adidas e Nike: a Adidas equipa 14 seleções, a Nike 12 e a Puma 11, num total de 37 das 48 equipas presentes no torneio. A Puma tem apostado particularmente em federações africanas, uma área historicamente menos disputada pelas duas grandes rivais, procurando assim consolidar presença em mercados com potencial de crescimento.

No plano dos produtos, a rivalidade também se mantém viva: a Puma lançou o modelo Deviate Nitro como resposta direta ao Adizero Evo SL da Adidas, um ténis de competição que se tornou um dos mais populares do mercado desde o final de 2024.

Os resultados financeiros das duas empresas têm, no entanto, seguido trajetórias opostas. A Adidas anunciou, no terceiro trimestre de 2025, os melhores resultados trimestrais da sua história, com o maior aumento de vendas alguma vez registado num único trimestre. Já a Puma reportou, no mesmo período, uma queda de vendas de 10,4%, atribuída a fatores como quebra de força da marca, excesso de inventário no comércio e má qualidade da distribuição, o que levou a empresa a anunciar um plano de "reinício" estratégico.

Rumores de fusão entre Adidas e Puma

As dificuldades da Puma alimentaram, ao longo de 2025 e 2026, especulação sobre uma eventual aquisição da empresa, com nomes como Adidas, Authentic Brands Group, o fundo de private equity CVC e os grupos chineses Anta e Li-Ning a serem apontados como potenciais interessados. Parte da especulação sobre uma fusão com a Adidas partiu de declarações de um investidor norte-americano, que classificou a Puma como estando "em estado de emergência" e sugeriu que uma fusão com a rival histórica seria a melhor solução caso a gestão não conseguisse inverter a situação. Até ao momento, não existem indícios concretos de que tal negócio esteja efetivamente em curso, tratando-se sobretudo de especulação de mercado. Em abril de 2026, o então CEO da Puma, Arne Freundt, deixou o cargo por "divergências na execução da estratégia", tendo sido substituído por Arthur Hoeld, antigo executivo da Adidas, que assumiu a presidência executiva da empresa a 1 de julho de 2026.

Perguntas frequentes

A Adidas e a Puma pertenceram à mesma empresa?

Sim. Ambas nasceram da Gebrüder Dassler Schuhfabrik, fundada em 1924 pelos irmãos Adolf e Rudolf Dassler, que se dividiu em duas empresas separadas em 1948 depois de uma rutura pessoal entre os dois fundadores.

Porque se separaram os irmãos Dassler?

As causas exatas são disputadas, mas incluem desentendimentos de gestão, rivalidades pessoais e um episódio de mal-entendido durante um bombardeamento em 1943, agravado por suspeitas mútuas relacionadas com o período do nazismo na Alemanha.

Porque é que Herzogenaurach é conhecida como "a cidade dos pescoços tortos"?

Porque a Adidas e a Puma se instalaram em lados opostos do rio Aurach, e durante décadas os habitantes da cidade eram implicitamente associados a uma das duas marcas, olhando primeiro para o calçado dos outros antes de interagir com eles.

A Adidas e a Puma vão fundir-se?

Não há confirmação de qualquer fusão. Em 2026 circularam rumores de mercado sobre uma possível aquisição da Puma, nomeadamente pela Adidas, motivados pelas dificuldades financeiras da primeira, mas trata-se de especulação sem indícios concretos de negociação formal.

Quem lidera atualmente a Adidas e a Puma?

Em 2026, a Puma é liderada por Arthur Hoeld, antigo executivo da Adidas, que assumiu o cargo de presidente executivo a 1 de julho de 2026, após a saída de Arne Freundt.

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