Que regiões compreendia o Império Austríaco
O Império Austríaco foi um vasto Estado plurinacional da Europa Central, proclamado em 1804 pelo imperador Francisco I (até então Francisco II do Sacro Império Romano-Germânico) e existente, sob essa designação, entre 1804 e 1867, altura em que se transformou no Império Austro-Húngaro. Longe de corresponder à atual República da Áustria, abrangia um mosaico de reinos, arquiducados, ducados e condados que se estendiam por boa parte da Europa Central, dos Balcãs, da Península Itálica e da atual Polónia e Ucrânia. Reunia húngaros, checos, eslovacos, polacos, ucranianos (rutenos), eslovenos, croatas, sérvios, romenos, italianos e alemães, entre outros povos, o que fazia dele uma das entidades políticas mais heterogéneas do continente.
As terras hereditárias austríacas
O núcleo histórico do império eram as chamadas terras hereditárias dos Habsburgos, dominadas pela dinastia desde finais do século XIII. Compreendiam o Arquiducado da Áustria (dividido em Baixa Áustria e Alta Áustria), o Ducado da Estíria, o Ducado da Caríntia, o Ducado da Carníola, o Condado do Tirol e o Vorarlberg. A estas juntou-se, no rescaldo das Guerras Napoleónicas, o Ducado de Salzburgo, incorporado definitivamente em 1816. Estes territórios correspondem hoje, em larga medida, à Áustria atual e a parte da Eslovénia.
A Boémia e as terras checas
O Reino da Boémia era uma das peças centrais do império. Sob a sua coroa estavam também o Margraviato da Morávia e parte da Silésia austríaca (a porção que não passara para a Prússia em meados do século XVIII). Estas terras, densamente povoadas e economicamente desenvolvidas, correspondem hoje à República Checa e a uma faixa do sudoeste da Polónia.
O Reino da Hungria e as terras associadas
O Reino da Hungria era, em extensão e população, o maior conjunto territorial do império. Na sua máxima expressão abrangia não só a atual Hungria, mas também a Eslováquia, a Transilvânia (hoje na Roménia), a Voivodina (atual norte da Sérvia) e a Ruténia Subcarpática (uma pequena região da atual Ucrânia). Associados à coroa húngara estavam ainda o Reino da Croácia e o Reino da Eslavónia, na atual Croácia. A Hungria conservou sempre instituições e privilégios próprios, o que viria a estar na origem do compromisso de 1867.
A Galícia e a Bucovina
A nordeste, o império incluía o Reino da Galícia e Lodoméria, adquirido nas partilhas da Polónia no final do século XVIII, bem como o Grão-Ducado de Cracóvia, anexado em 1846. Mais a sudeste situava-se o Ducado da Bucovina. Estes territórios repartem-se hoje entre o sul da Polónia e o oeste da Ucrânia, e constituíam a fronteira oriental do domínio dos Habsburgos.
As possessões italianas e adriáticas
Na Península Itálica, o império controlava o Reino Lombardo-Véneto, criado em 1815 e que reunia a Lombardia e o Véneto, com Milão e Veneza como centros principais. Estas regiões viriam a perder-se em consequência das guerras de unificação italiana: a Lombardia em 1859 e o Véneto em 1866. Ao longo do Adriático estendia-se ainda o Reino da Dalmácia e, durante algum tempo, o efémero Reino da Ilíria, abrangendo zonas costeiras das atuais Croácia, Eslovénia e Montenegro, incluindo o porto de Trieste.
Que países ocupam hoje esses territórios?
O desmembramento do império após a Primeira Guerra Mundial, em 1918, deu origem ou contribuiu para vários Estados modernos. As terras do antigo Império Austríaco encontram-se atualmente repartidas, no todo ou em parte, por mais de uma dezena de países:
- Áustria e Eslovénia — as terras hereditárias;
- República Checa — Boémia e Morávia;
- Hungria, Eslováquia e parte da Roménia (Transilvânia) — o Reino da Hungria;
- Croácia, Sérvia (Voivodina) e Itália (Lombardia, Véneto, Trieste);
- Polónia e Ucrânia — Galícia, Cracóvia e Bucovina;
- faixas litorais do Montenegro e da própria Croácia, na Dalmácia.
Da unidade ao compromisso de 1867
Apesar da diversidade de coroas e estatutos, o Império Austríaco funcionava sob um governo central e uma única dinastia. As tensões nacionais, particularmente as reivindicações húngaras, levaram, após a derrota na guerra contra a Prússia em 1866, ao Compromisso Austro-Húngaro de 1867 (Ausgleich). Este acordo reorganizou o Estado numa dupla monarquia, a Áustria-Hungria, em que as terras a oeste (a Cisleitânia) e o Reino da Hungria (a Transleitânia) passaram a ter governos próprios, unidos apenas pela pessoa do soberano e por alguns ministérios comuns. A designação «Império Austríaco» deixou então de descrever o conjunto, embora a Áustria continuasse a ser formalmente um império até 1918.
Perguntas frequentes
Quando existiu o Império Austríaco?
O Império Austríaco foi proclamado em 1804 por Francisco I e manteve essa designação até 1867, ano em que o Compromisso Austro-Húngaro o transformou na dupla monarquia Áustria-Hungria, que por sua vez se dissolveu em 1918, no fim da Primeira Guerra Mundial.
O Império Austríaco é o mesmo que o Império Austro-Húngaro?
Não exatamente. O Império Austro-Húngaro foi a forma que o Estado assumiu a partir de 1867, com a Hungria a obter ampla autonomia. Antes dessa data, o conjunto era designado simplesmente Império Austríaco, sob um governo mais centralizado.
Que regiões formavam o núcleo do império?
O núcleo eram as terras hereditárias dos Habsburgos: o Arquiducado da Áustria, a Estíria, a Caríntia, a Carníola, o Tirol e o Vorarlberg, a que se juntou Salzburgo em 1816. Correspondem sobretudo à atual Áustria e a parte da Eslovénia.
Por que era considerado um Estado plurinacional?
Porque reunia sob uma mesma coroa muitos povos com línguas e culturas distintas — alemães, húngaros, checos, eslovacos, polacos, ucranianos, eslovenos, croatas, sérvios, romenos e italianos —, sem que nenhum constituísse maioria absoluta da população total.