Robben Island: a ilha da Cidade do Cabo símbolo do apartheid
A ilha Robben, conhecida internacionalmente pelo seu nome em língua neerlandesa Robbeneiland — que significa literalmente «ilha das focas» —, situa-se na entrada da Baía da Mesa, a cerca de 11 quilómetros a noroeste da Cidade do Cabo, na província do Cabo Ocidental, na África do Sul. É, portanto, a Cidade do Cabo a cidade que a alberga administrativamente e a partir da qual se acede à ilha. Classificada como Património Mundial da UNESCO em 1999, Robben Island tornou-se um dos símbolos mais poderosos da luta contra o apartheid e da vitória da democracia sobre a opressão.
Localização e características geográficas
A ilha Robben tem uma extensão de cerca de 3,3 quilómetros de comprimento por 1,9 de largura e uma área total aproximada de 5,74 quilómetros quadrados. Encontra-se inserida na Baía da Mesa (Table Bay), em frente ao icónico litoral da Cidade do Cabo, com a Table Mountain como pano de fundo visível em dias de céu limpo. A travessia de barco a partir do cais de embarque — o terminal Nelson Mandela Gateway, localizado no Victoria & Alfred Waterfront — demora cerca de 30 minutos.
A ilha abriga uma diversidade ecológica assinalável: é habitat de pinguins-africanos, de diversas espécies de aves marinhas e de vegetação costeira típica da região do Cabo. Esta natureza preservada coexiste com as estruturas históricas que fazem de Robben Island um lugar único no mundo.
História: de entreposto a prisão política
A presença europeia na ilha remonta ao final do século XV. O navegador português Bartolomeu Dias é apontado como o primeiro europeu a dar conta da ilha, em 1488, durante a sua viagem de circum-navegação do Cabo da Boa Esperança. Nos séculos seguintes, a ilha serviu de ponto de abastecimento para embarcações portuguesas, inglesas e neerlandesas que faziam a rota das Índias.
Desde o final do século XVII que a ilha foi utilizada para fins de reclusão. A Companhia Neerlandesa das Índias Orientais (VOC) enviou para lá prisioneiros políticos provenientes das suas colónias asiáticas, incluindo líderes de resistência indonésios. Esta função carcerária prolongou-se, com diferentes fins, ao longo de séculos.
No século XIX, a ilha transformou-se num local de isolamento para grupos considerados socialmente indesejáveis. A partir de 1845, passou a receber doentes de lepra transferidos de uma colónia no interior do país. O leprosário funcionou até ao início do século XX e o cemitério dos leprosos ainda é visível na ilha. Ao mesmo tempo, foram também internadas ali pessoas com doenças mentais.
Durante a Segunda Guerra Mundial, a ilha foi fortemente militarizada para proteger a Cidade do Cabo de eventuais ataques. Instalaram-se baterias de artilharia pesada cujos vestígios permanecem até hoje como parte do percurso de visita.
O apartheid e a prisão política
É o período do apartheid — o regime de segregação racial institucionalizada que vigorou na África do Sul entre 1948 e 1994 — que confere à ilha Robben a sua dimensão histórica mais significativa. Em 1961, o governo do Partido Nacional transformou a ilha numa prisão de alta segurança destinada a opositores políticos do regime.
Os prisioneiros eram sujeitos a condições degradantes. As celas eram exíguas, sem camas — apenas esteiras no chão —, e o regime alimentar discriminava os reclusos com base na cor da pele: os prisioneiros negros recebiam rações inferiores às dos prisioneiros de outras etnias. As visitas eram extremamente limitadas: meia hora por ano de visita familiar e o direito a receber apenas duas cartas por ano.
O recluso mais célebre da ilha foi Nelson Mandela, líder do Congresso Nacional Africano (ANC) e advogado que se tornara o rosto da resistência ao apartheid. Condenado em 1964 no processo de Rivónia a prisão perpétua por sabotagem e conspiração, Mandela chegou à ilha em Junho desse ano. Ali permaneceu durante 18 dos seus 27 anos de prisão, até 1982, quando foi transferido para a prisão de Pollsmoor, em Tokai, nos arredores da Cidade do Cabo. A sua cela, com pouco mais de dois metros quadrados, é hoje um dos locais mais visitados do museu.
Outros líderes da luta anti-apartheid que cumpriram pena em Robben Island incluem Walter Sisulu, Ahmed Kathrada e Govan Mbeki, pai do futuro presidente Thabo Mbeki. A prisão tornou-se paradoxalmente um espaço de resistência intelectual e política: os reclusos organizavam debates, aulas e grupos de estudo, tendo o local sido apelidado de «Universidade Mandela» pelos próprios presos.
Encerramento e reconversão em museu
Com o início do processo de transição democrática na África do Sul, a prisão de alta segurança de Robben Island foi encerrada em 1991. A prisão de segurança média que também funcionava na ilha fechou em 1996, dois anos após as primeiras eleições multirraciais do país, nas quais Nelson Mandela foi eleito presidente.
Em 1997, a ilha foi entregue ao recém-criado Museu de Robben Island (Robben Island Museum), que passou a gerir o local como museu vivo e memorial. Em 1999, a UNESCO inscreveu Robben Island na Lista do Património Mundial, reconhecendo o seu valor universal excecional enquanto testemunho da luta pela liberdade e da superação do racismo institucionalizado.
O museu e as visitas em 2026
Em 2026, o Museu de Robben Island continua a ser uma das atrações mais procuradas da Cidade do Cabo e um destino incontornável para quem visita a África do Sul. As visitas partem diariamente do terminal Nelson Mandela Gateway, no V&A Waterfront, com saídas regulares de ferry às 9h00, às 11h00 e às 13h00, sujeitas a condições meteorológicas — as travessias podem ser suspensas em caso de mau tempo na baía.
A visita guiada dura entre três horas e meia e quatro horas e meia, e inclui a travessia de barco, um percurso de autocarro pela ilha com paragens nos pontos históricos e a visita à antiga prisão de máxima segurança. Um aspeto singular e muito valorizado pelos visitantes é o facto de os guias serem ex-prisioneiros políticos da ilha, que partilham os seus testemunhos em primeira mão. À medida que esta geração envelhece, o museu enfrenta o desafio de preservar estes testemunhos vivos para o futuro.
Dado o elevado número de visitantes, é vivamente recomendada a reserva antecipada de bilhetes, especialmente nos meses de maior afluência turística, de Novembro a Março.
Perguntas frequentes
Em que cidade fica a ilha Robben?
A ilha Robben fica a 11 quilómetros da Cidade do Cabo, na Baía da Mesa, na província do Cabo Ocidental, na África do Sul. É a partir da Cidade do Cabo que se fazem todas as visitas à ilha.
Por que é que a ilha Robben é famosa?
A ilha Robben é mundialmente conhecida por ter sido uma prisão política durante o regime do apartheid na África do Sul. O seu recluso mais célebre foi Nelson Mandela, que ali permaneceu 18 anos. Hoje é Património Mundial da UNESCO e um museu memorial.
Quantos anos passou Nelson Mandela na ilha Robben?
Nelson Mandela esteve preso na ilha Robben durante 18 anos, de 1964 a 1982. No total, cumpriu 27 anos de prisão, tendo sido transferido posteriormente para a prisão de Pollsmoor e depois para a Victor Verster, de onde foi libertado em 1990.
Como se visita a ilha Robben?
As visitas partem de ferry a partir do terminal Nelson Mandela Gateway, no V&A Waterfront da Cidade do Cabo. A travessia dura cerca de 30 minutos e a visita completa demora entre três horas e meia e quatro horas e meia. É aconselhável reservar bilhetes com antecedência.
Quando foi a ilha Robben classificada como Património Mundial?
A ilha Robben foi inscrita na Lista do Património Mundial da UNESCO em 1999, pelo seu valor histórico como símbolo da luta contra o apartheid e da conquista da democracia na África do Sul.