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Benefícios da romã para a saúde: o que a ciência diz

Publicado 22. setembro 2025 Atualizado 28. junho 2026

Quais são os benefícios das romãs para a saúde?

A romã (Punica granatum L.) é um fruto originário da região que vai do Mediterrâneo oriental ao sul da Ásia, cultivado e consumido há mais de quatro milénios. Ao longo da história, foi associada a fertilidade, longevidade e vitalidade em diversas culturas. Hoje, a investigação científica confere substância a parte dessas associações: a romã destaca-se como um dos frutos com maior concentração de compostos bioativos de interesse para a saúde, tendo sido objeto de centenas de estudos nas últimas décadas e de importantes ensaios clínicos publicados ainda em 2025.

Composição nutricional

Do ponto de vista calórico, a romã é um fruto moderado, com cerca de 50 kcal por 100 g de parte comestível, o que a torna adequada para dietas de controlo de peso. O seu perfil nutricional inclui vitamina C (entre 8 e 14 mg por 100 g), vitaminas do complexo B, vitamina E e vitamina A, além de minerais como potássio (até 379 mg/100 g), fósforo, cálcio e ferro. É igualmente rica em fibra alimentar, que contribui para a saciedade e para o bom funcionamento intestinal.

O que verdadeiramente distingue a romã no panorama dos frutos é, no entanto, a sua concentração em polifenóis — nomeadamente punicalaginas, ácido elágico, antocianinas e ácido púnico. O potencial antioxidante dos bagos e do sumo da romã é estimado como quase três vezes superior ao do vinho tinto e do chá verde, segundo dados da Associação Portuguesa de Nutrição.

Propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias

Os compostos fenólicos da romã neutralizam radicais livres e reduzem o stress oxidativo celular, dois mecanismos centrais no desenvolvimento de doenças crónicas não transmissíveis. As punicalaginas, em particular, são metabolizadas no intestino em ácido urólico (urolitina A), um metabolito que tem revelado efeitos biológicos significativos em múltiplos estudos. A ação anti-inflamatória dá-se pela inibição de vias como o NF-κB, responsável pela produção de citocinas pró-inflamatórias.

Saúde cardiovascular

A relação entre o consumo regular de romã e a saúde do sistema cardiovascular é uma das mais documentadas na literatura científica. Ensaios clínicos randomizados e meta-análises observaram, em participantes que consumiram sumo de romã de forma regular:

  • Redução da pressão arterial sistólica e diastólica;
  • Diminuição dos níveis de LDL oxidado, uma forma particularmente aterogénica do colesterol;
  • Redução de marcadores inflamatórios associados ao risco cardiovascular, como a proteína C-reativa;
  • Melhoria da função endotelial, favorecendo a elasticidade dos vasos sanguíneos.

Estes efeitos são atribuídos à combinação entre as propriedades antioxidantes dos polifenóis e a sua ação inibitória sobre a oxidação lipídica, um passo fundamental na formação das placas ateroscleróticas.

Sistema imunitário e envelhecimento

Um dos avanços mais relevantes publicados em 2025 diz respeito ao papel da urolitina A — metabolito derivado do ácido elágico da romã — na reversão de marcadores de envelhecimento imunitário. Um ensaio clínico de fase I, publicado na revista Nature Aging em novembro de 2025, envolveu 50 adultos de meia-idade saudáveis que receberam uma dose diária de urolitina A durante quatro semanas. Os resultados mostraram uma expansão significativa das células T naïve CD8+, células imunitárias versáteis que tendem a diminuir com a idade, bem como marcadores de menor exaustão celular e maior capacidade proliferativa. Simultaneamente, reduziram-se os marcadores de stress oxidativo e de inflamação crónica de baixo grau — processo também conhecido por inflammaging.

O mecanismo subjacente envolve a estimulação da mitofagia — um processo de reciclagem e renovação das mitocôndrias dentro das células —, o que pode contribuir para uma função imunitária mais jovem em adultos mais velhos. Os investigadores apontam esta descoberta como promissora para futuras aplicações em doenças infecciosas, cancro e envelhecimento.

Saúde cognitiva e neuroproteção

A investigação sobre o impacto da romã na saúde do cérebro tem revelado resultados encorajadores, embora grande parte dos estudos tenha sido realizada em modelos animais. Verificou-se que o extrato da casca da romã é capaz de inibir a actividade da enzima acetilcolinesterase em até 77%, uma enzima cujo excesso de atividade está associado ao declínio cognitivo característico da doença de Alzheimer. Em modelos animais, os animais tratados com compostos da romã apresentaram níveis mais elevados de factores neurotróficos — substâncias que promovem a sobrevivência dos neurónios — e uma redução das placas amiloides, um dos marcadores patológicos do Alzheimer.

Em contexto humano, alguns estudos controlados reportaram melhorias de cerca de 28% em testes de memória e cognição após quatro semanas de suplementação. Embora sejam necessários mais ensaios clínicos de larga escala, os dados existentes justificam o interesse continuado nesta área.

Controlo do açúcar no sangue e metabolismo

A romã poderá ter um papel favorável na regulação da glicemia. Uma meta-análise publicada em 2025 identificou melhorias na glicemia em jejum, nos níveis de insulina e na resistência à insulina (medida pelo índice HOMA-IR) em participantes que consumiram romã ou os seus derivados, embora não se tenha verificado efeito significativo sobre a hemoglobina glicada (HbA1c). Outro estudo, publicado na revista Current Developments in Nutrition, indicou que o sumo de romã é capaz de influenciar positivamente os níveis de açúcar no sangue em apenas 15 minutos após o consumo.

Estes resultados são parcialmente explicados pela capacidade dos polifenóis da romã em inibir certas enzimas digestivas — como a α-glucosidase — que regulam a absorção de glicose no intestino, retardando a sua entrada na corrente sanguínea.

Saúde digestiva e microbiota intestinal

A romã apresenta um teor considerável de fibra alimentar, com efeitos benéficos no trânsito intestinal e na prevenção da obstipação. Mais recentemente, investigadores têm-se debruçado sobre o impacto dos polifenóis da romã na microbiota intestinal. Um estudo publicado na revista Molecules em 2025 demonstrou, em modelo in vitro, que o extrato de romã tem o potencial de modular a composição da microbiota, favorecendo bactérias benéficas e podendo reduzir a permeabilidade intestinal, um factor implicado em várias patologias inflamatórias e metabólicas.

Potencial anticancerígeno

Uma revisão publicada na revista Food Science & Nutrition em 2025 sistematizou as evidências sobre o papel da romã na prevenção e adjuvância terapêutica do cancro. Os compostos da romã foram associados à modificação de múltiplas vias de sinalização celular envolvidas na inflamação, transformação celular, proliferação anómala, angiogénese e metastização. Embora a investigação seja maioritariamente pré-clínica ou baseada em modelos celulares, os resultados têm motivado ensaios clínicos em diferentes tipos de cancro, incluindo o da próstata e o da mama. Não é possível, com os dados actuais, afirmar que a romã previne ou trata o cancro — apenas que alguns dos seus compostos interferem com mecanismos moleculares relevantes.

Como consumir a romã

A romã pode ser consumida em bago (a parte comestível da semente, designada arilo), em sumo fresco, em extrato concentrado ou em suplemento alimentar. O sumo integral conserva grande parte dos polifenóis, ao contrário do sumo comercial pasteurizado, que pode perder parte dos compostos bioativos durante o processamento. A polpa e a casca também são utilizadas em extratos de uso cosmético e farmacêutico. Em Portugal, a colheita ocorre tipicamente entre setembro e novembro, tornando o outono a estação de eleição para o consumo fresco deste fruto.

Não existem doses diárias recomendadas oficialmente estabelecidas para a romã como alimento funcional. Os estudos clínicos têm utilizado entre 250 ml e 500 ml de sumo por dia, ou doses equivalentes em extrato padronizado. Em doses alimentares habituais, a romã não apresenta efeitos adversos conhecidos para a generalidade da população, embora possa interagir com anticoagulantes e alguns medicamentos metabolizados pelo fígado, pelo que pessoas sob medicação crónica devem consultar um profissional de saúde.

Perguntas frequentes

A romã ajuda a baixar a pressão arterial?

Vários ensaios clínicos randomizados documentaram reduções modestas mas estatisticamente significativas da pressão arterial sistólica e diastólica em participantes que consumiram sumo de romã regularmente. Os efeitos são atribuídos aos polifenóis da fruta, em particular às punicalaginas e ao ácido elágico, que melhoram a função endotelial e têm ação anti-inflamatória. Ainda assim, a romã não substitui a medicação anti-hipertensora quando esta está indicada.

A romã é boa para a memória?

Estudos em modelos animais indicam que os compostos da romã podem reduzir marcadores associados à doença de Alzheimer e proteger os neurónios. Em humanos, alguns estudos controlados registaram melhorias em testes de memória após quatro semanas de suplementação. A investigação ainda não é suficiente para afirmações definitivas, mas os dados são promissores.

A romã tem muito açúcar?

A romã contém açúcares naturais, mas apresenta um índice glicémico relativamente moderado para um fruto, em parte devido à presença de fibra e de compostos que retardam a absorção da glicose. Estudos indicam que o seu consumo pode ter um efeito favorável na regulação da glicemia em jejum, embora pessoas com diabetes devam consultar um nutricionista sobre a quantidade adequada.

O sumo de romã pode interagir com medicamentos?

Sim. A romã pode inibir enzimas do citocromo P450 no fígado, responsáveis pelo metabolismo de vários fármacos, incluindo alguns anticoagulantes como a varfarina e certos medicamentos para o colesterol. Quem toma medicação crónica deve consultar um médico ou farmacêutico antes de consumir sumo de romã em grandes quantidades ou suplementos de extrato de romã.

Qual a diferença entre comer a romã inteira e beber o sumo?

Consumir os arilos inteiros preserva a fibra alimentar, que é praticamente eliminada no processo de extração do sumo. O sumo, por sua vez, concentra os polifenóis solúveis e pode ser mais prático para obter doses elevadas de compostos bioativos. O sumo fresco e não pasteurizado tende a conservar melhor as propriedades antioxidantes do que os produtos comerciais processados termicamente.

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