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Bagdade: capital do Iraque e a sua importância histórica

Publicado 23. maio 2026 Atualizado 25. junho 2026

Qual é a capital do Iraque e qual sua importância histórica?

Bagdade é a capital e maior cidade do Iraque, situada às margens do rio Tigre, no coração da antiga Mesopotâmia. Com uma população estimada em cerca de 8 milhões de habitantes em 2026 — aproximadamente 22% da população total do país —, é também uma das cidades mais populosas do Médio Oriente e do mundo árabe. Fundada no século VIII, Bagdade foi durante séculos o centro intelectual, cultural e político da civilização islâmica, uma herança que continua a marcar profundamente a identidade da cidade e do Iraque contemporâneo.

Fundação e o esplendor do Califado Abássida

A cidade foi fundada em 762 d.C. pelo califa abássida al-Mansur, que a concebeu como capital do seu império. Escolheu um local estratégico entre os rios Tigre e Eufrates, numa região de solos férteis e cruzamento de rotas comerciais entre a Pérsia, a Índia e o Mediterrâneo. A planta original era circular — daí a designação árabe Madinat al-Salam, «Cidade da Paz» — e refletia uma conceção simbólica do poder califal no centro do mundo.

Nos séculos seguintes, Bagdade cresceu de forma extraordinária. Durante os reinados dos califas Harun al-Rashid (786–809) e al-Ma'mun (813–833), a cidade atingiu o seu auge, tornando-se a maior metrópole do planeta, com uma população estimada que terá ultrapassado um milhão de habitantes. Era um centro de trocas comerciais de âmbito mundial e um polo de atração para sábios, poetas, médicos, matemáticos e filósofos provenientes das mais diversas tradições culturais.

A Casa da Sabedoria e a Idade de Ouro do Islão

O símbolo maior deste período é a Casa da Sabedoria (Bayt al-Hikma), uma academia pública e biblioteca fundada no final do século VIII. Sob o patrocínio califal, eruditos muçulmanos, cristãos e judeus colaboraram na tradução de textos gregos, persas e indianos para árabe, preservando e expandindo o conhecimento clássico em áreas como a matemática, astronomia, medicina, filosofia e alquimia. Foi neste contexto que figuras como al-Khwarizmi — pai da álgebra — desenvolveram contributos que viriam a transformar a ciência ocidental séculos mais tarde.

Este período, designado habitualmente como a Idade de Ouro do Islão (séculos VIII a XIII), teve em Bagdade o seu epicentro. A cidade era simultaneamente um mercado de ideias e de mercadorias, onde o intercâmbio multicultural era uma realidade quotidiana. A sua reputação como «Centro do Saber» atravessou fronteiras e influenciou civilizações de forma duradoura.

A conquista mongol e a decadência medieval

O apogeu de Bagdade foi interrompido de forma catastrófica em 1258, quando as forças mongolas lideradas por Hülegü Khan, neto de Gengis Khan, sitiaram e destruíram a cidade. A Casa da Sabedoria foi incendiada, a sua biblioteca lançada ao Tigre — conta a tradição que as águas ficaram negras de tinta —, e o último califa abássida foi executado. O massacre que se seguiu dizimou grande parte da população e destruiu séculos de infraestruturas urbanas e culturais.

A cidade nunca recuperou plenamente o seu estatuto anterior. Nos séculos seguintes, passou por períodos de domínio il-cânida, timúrida e turcomano, antes de ser integrada no Império Otomano em 1534, sob o sultão Solimão, o Magnífico. Durante mais de três séculos, Bagdade foi uma capital provincial, administrada a partir de Constantinopla, e a sua importância política e cultural permaneceu diminuída em relação ao seu passado glorioso.

O século XX: capital de um novo Estado

A derrota do Império Otomano na Primeira Guerra Mundial marcou o início de uma nova fase. Em 1920, a Sociedade das Nações atribuiu o mandato sobre o território do Iraque à Grã-Bretanha, que escolheu Bagdade como capital administrativa. Os britânicos investiram em infraestruturas, serviços públicos e instituições de ensino, modernizando parcialmente a cidade. Em 1932, o Iraque tornou-se formalmente independente, e Bagdade consolidou-se como capital do novo Estado soberano.

Ao longo das décadas de 1950 a 1970, a cidade expandiu-se rapidamente, impulsionada pelas receitas petrolíferas e por políticas de urbanização ambiciosas. Avenidas largas, museus, universidades e edifícios modernos transformaram a paisagem urbana. O regime do Partido Baath, que chegou ao poder definitivamente em 1968 sob a liderança de Ahmed Hassan al-Bakr e depois de Saddam Hussein (a partir de 1979), marcou profundamente a cidade com uma arquitetura monumentalista ao serviço da propaganda estatal.

Guerras, ocupação e reconstrução

As últimas décadas do século XX e o início do século XXI trouxeram uma sucessão de conflitos devastadores. A Guerra Irão-Iraque (1980–1988) e a Guerra do Golfo de 1991, desencadeada pela invasão do Kuwait, deixaram marcas profundas na cidade e no país. Em 2003, a invasão liderada pelos Estados Unidos derrubou o regime de Saddam Hussein, mas abriu um longo período de instabilidade, insurgência sectária e violência que atingiu duramente Bagdade. Bairros inteiros foram etnicamente homogeneizados à força durante a guerra civil de 2006–2007, e a capital tornou-se palco de atentados com centenas de vítimas.

A derrota territorial do Estado Islâmico (ISIL/Daesh), proclamada em 2017, permitiu o início de uma fase de estabilização relativa. Desde então, o Iraque e a comunidade internacional têm investido em esforços de reconstrução, embora o país continue a enfrentar desafios severos: deslocação interna, habitação destruída e instabilidade regional. Em 2026, o Iraque enfrenta novas tensões geopolíticas resultantes do conflito entre os Estados Unidos e o Irão, cujas repercussões se fazem sentir no território iraquiano, incluindo na região de Bagdade.

Bagdade hoje

Apesar das adversidades, Bagdade mantém a sua centralidade como coração político, económico e cultural do Iraque. É a sede do governo federal, do parlamento e das principais instituições do Estado. Concentra igualmente as principais universidades, museus — entre os quais o Museu Nacional do Iraque, detentor de uma das mais importantes coleções de antiguidades mesopotâmicas do mundo — e centros financeiros do país, incluindo o Banco Central do Iraque.

A sua localização geográfica, no centro da Mesopotâmia histórica — a terra entre o Tigre e o Eufrates onde surgiram algumas das primeiras civilizações humanas —, confere-lhe uma profundidade histórica sem paralelo. A cidade é, simultaneamente, um arquivo vivo de mais de cinco mil anos de história humana e uma metrópole em permanente transformação, a tentar reconciliar o peso do seu passado com as exigências do presente.

Perguntas frequentes

Qual é a capital do Iraque?

A capital do Iraque é Bagdade (em árabe: بغداد, Baġdād). É também a maior cidade do país, com cerca de 8 milhões de habitantes em 2026.

Quando foi fundada Bagdade?

Bagdade foi fundada em 762 d.C. pelo califa abássida al-Mansur, que a concebeu como capital circular do Califado Abássida, às margens do rio Tigre.

O que foi a Casa da Sabedoria de Bagdade?

A Casa da Sabedoria (Bayt al-Hikma) foi uma academia pública e biblioteca fundada no final do século VIII em Bagdade. Ali, eruditos de várias religiões e culturas traduziram e expandiram o conhecimento clássico em matemática, astronomia, medicina e filosofia. Foi destruída pelos mongóis em 1258.

Por que é que Bagdade perdeu a sua importância histórica?

O declínio de Bagdade deveu-se sobretudo à conquista mongola de 1258, quando Hülegü Khan destruiu a cidade, massacrou a população e incendiou a Casa da Sabedoria. Nos séculos seguintes, a cidade passou a ser uma capital provincial do Império Otomano, sem recuperar o seu antigo estatuto de centro mundial do saber.

Qual é a importância de Bagdade atualmente?

Em 2026, Bagdade é o centro político, económico e cultural do Iraque: sede do governo e do parlamento, principal polo financeiro e universitário do país, e detentora de um dos mais ricos patrimónios arqueológicos e museológicos do mundo árabe.

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