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Hatshepsut: quem foi e porque se tornou faraó do Egito

Publicado 11. dezembro 2024 Atualizado 26. junho 2026

Quem foi Hatshepsut e por que se tornou faraó do Egito?

Hatshepsut (cujo nome significa, aproximadamente, "a principal das nobres damas") foi uma rainha e faraó do Antigo Egito que governou durante a XVIII dinastia, no período conhecido como Império Novo, por volta de 1479 a 1458 a.C. É frequentemente apontada como a primeira mulher a exercer o poder faraónico em pleno e a reinar com sucesso duradouro — não como mera consorte, mas com todos os títulos, insígnias e prerrogativas reservados ao soberano. O seu reinado, marcado pela prosperidade, por grandes obras arquitetónicas e por uma intensa atividade comercial, continua em 2026 a ser objeto de investigação ativa, sobretudo no que toca à destruição dos seus monumentos após a morte.

Origem e família

Hatshepsut era filha do faraó Tutmés I e da sua grande esposa real, Ahmés. Pertencia, portanto, ao ramo principal da família real, o que lhe conferia uma legitimidade dinástica considerável. Casou com o seu meio-irmão, Tutmés II, filho de Tutmés I com uma esposa secundária. Deste casamento nasceu uma filha, Neferure, mas não um herdeiro varão.

Quando Tutmés II morreu, ainda relativamente jovem, o trono coube a Tutmés III, filho do faraó com uma concubina chamada Iset. O futuro faraó era, porém, uma criança muito pequena — segundo várias fontes, teria cerca de dois anos —, incapaz de governar. Foi este o contexto que abriu caminho à ascensão de Hatshepsut.

De regente a faraó

Numa primeira fase, Hatshepsut assumiu o papel tradicional de regente, governando em nome do enteado menor e gerindo os assuntos de Estado até que este atingisse a maioridade. Esta função era socialmente aceitável: outras rainhas tinham exercido regências em momentos de transição. O que tornou Hatshepsut excecional foi o passo seguinte.

Por volta do sétimo ano da regência, alterou as regras e fez-se coroar faraó de pleno direito, adotando a titulatura real completa. A partir desse momento, Tutmés III passou a ser co-regente, embora subordinado: nunca foi destituído e foi sempre reconhecido como soberano associado, mas, na prática, foi Hatshepsut quem deteve o poder efetivo durante cerca de duas décadas.

As razões exatas para esta tomada do título faraónico permanecem em debate entre os egiptólogos. Não há indícios de uma usurpação violenta, uma vez que o legítimo herdeiro continuou vivo e formalmente associado ao trono. Entre as explicações avançadas contam-se a vontade de consolidar a estabilidade dinástica num momento de fragilidade, a sua própria ambição política e a forte legitimidade que lhe vinha de ser filha de um faraó. Seja qual for o motivo, Hatshepsut construiu cuidadosamente uma justificação ideológica para o seu poder.

A legitimação do poder de uma mulher

Governar como faraó num cargo concebido em termos masculinos exigiu uma estratégia de imagem sofisticada. Hatshepsut mandou inscrever os seus títulos reais usando, em muitos casos, a forma gramatical feminina, assumindo abertamente a sua condição de mulher; ao mesmo tempo, fez-se representar na estatuária e nos relevos com os atributos clássicos do soberano masculino — o toucado, o kilt real e a barba postiça cerimonial.

Recorreu também à propaganda religiosa. Promoveu a narrativa do seu "nascimento divino", segundo a qual o deus Amon seria o seu verdadeiro pai, legitimando assim o seu direito ao trono por vontade dos deuses. Esta combinação de afirmação feminina explícita e iconografia masculina tradicional revela a engenhosidade política com que enfrentou um papel sem precedentes claros.

Realizações do reinado

O reinado de Hatshepsut é recordado como um período de paz e prosperidade. Entre os seus feitos mais notáveis destacam-se:

  • A expedição ao País de Punt: uma célebre missão comercial que trouxe ouro, marfim, animais exóticos e, sobretudo, árvores de mirra e incenso, episódio imortalizado nos relevos do seu templo.
  • Grandes programas de construção: ergueu e restaurou numerosos monumentos, incluindo obeliscos no templo de Karnak, em Tebas.
  • O templo funerário de Deir el-Bahari: a sua obra-prima arquitetónica, um templo de terraços encostado à falésia, considerado uma das construções mais elegantes do Antigo Egito.

Estas realizações contribuíram para enriquecer o Egito e reforçar o prestígio do Estado, deixando um legado material que ainda hoje impressiona.

Morte e a destruição dos monumentos

Hatshepsut morreu por volta de 1458 a.C. e Tutmés III assumiu então o poder em pleno, vindo a tornar-se um dos maiores faraós guerreiros da história egípcia. Anos depois, muitas representações de Hatshepsut foram apagadas dos monumentos e várias das suas estátuas foram partidas e enterradas — facto que, durante décadas, foi interpretado como uma vingança pessoal de Tutmés III ou como uma tentativa de eliminar a memória de uma mulher que ousara reinar.

Esta leitura tem vindo a ser revista. Investigação divulgada em 2025, baseada em registos de escavação inéditos e em arquivos das campanhas do Metropolitan Museum of Art em Deir el-Bahari nos anos 1920, sugere que a destruição não terá sido sobretudo um ato de ódio. Parte dos danos corresponderia antes a uma prática ritual de "desativação" das estátuas — um procedimento aplicado a outros faraós — e ao reaproveitamento pragmático da matéria-prima em construções próximas. A motivação política não é totalmente descartada, mas o quadro afigura-se hoje mais complexo do que a simples damnatio memoriae movida por rancor.

Em paralelo, equipas internacionais apresentaram em 2025 uma reconstrução digital do rosto de Hatshepsut, e prosseguem os estudos sobre objetos a ela associados, como vasos de alabastro com dedicatórias ao irmão e ao marido. Estes trabalhos confirmam que, em 2026, Hatshepsut continua a ser uma das figuras mais investigadas do Egito antigo.

Perguntas frequentes

Hatshepsut foi mesmo a primeira mulher faraó?

Houve outras mulheres a deter poder no Egito antes dela, mas Hatshepsut é geralmente considerada a primeira a assumir formalmente o título e as funções de faraó em pleno, com um reinado longo e bem-sucedido.

Porque é representada com barba?

A barba postiça cerimonial era um símbolo tradicional do poder faraónico, associado ao cargo e não ao sexo. Hatshepsut usou esta iconografia masculina para se afirmar como soberana, ainda que noutros contextos assumisse a forma feminina nos seus títulos.

Qual a relação entre Hatshepsut e Tutmés III?

Tutmés III era seu enteado e sobrinho, filho do seu marido Tutmés II com outra esposa. Hatshepsut começou por ser sua regente e depois co-regente como faraó; após a morte dela, Tutmés III reinou sozinho.

Foi Tutmés III quem destruiu as estátuas dela por vingança?

Era a explicação tradicional, mas investigação recente, de 2025, indica que grande parte dos danos resultou de uma prática ritual de "desativação" e do reaproveitamento de materiais, e não apenas de um ato de ódio pessoal.

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