Pirâmide de Chichén Itzá: o Templo de Kukulcán
A famosa pirâmide de Chichén Itzá é El Castillo, também conhecida como Templo de Kukulcán. Trata-se de uma pirâmide escalonada mesoamericana situada no centro da antiga cidade maia de Chichén Itzá, no estado de Iucatão, no sul do México. Construída pela civilização maia pré-colombiana entre os séculos VIII e XII d.C., é o monumento mais reconhecível das ruínas e um dos símbolos por excelência do mundo maia. Em 2007, foi eleita uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo numa votação à escala mundial, o que consolidou a sua fama internacional.
O que é El Castillo
El Castillo é uma pirâmide de planta quadrada com cerca de 30 metros de altura (sem contar o templo no topo) e aproximadamente 55 metros de lado na base. Foi erguida em honra de Kukulcán, a divindade maia da Serpente Emplumada de Iucatão, intimamente relacionada com o deus Quetzalcoatl da tradição mexica (asteca). O nome "El Castillo" ("o Castelo") foi-lhe dado pelos conquistadores espanhóis; a designação original ligava-a ao culto desta divindade.
A estrutura ergue-se sobre uma vasta esplanada e domina visualmente todo o conjunto arqueológico. No topo encontra-se um templo retangular, ao qual se acedia pelas escadarias monumentais que percorrem as quatro faces do edifício.
Um calendário em pedra
Um dos aspetos mais notáveis de El Castillo é o seu desenho profundamente astronómico e calendárico. A pirâmide funciona, na prática, como um calendário construído em pedra:
- 365 degraus: cada uma das quatro faces possui uma escadaria com 91 degraus. Quatro escadarias somam 364 degraus, aos quais se acrescenta o degrau de acesso ao templo superior, perfazendo 365 — o número de dias do ano solar.
- 18 terraços: a pirâmide tem nove níveis (ou plataformas) que, divididos ao meio pelas escadarias, formam 18 secções, correspondentes aos 18 meses de 20 dias do calendário maia (o chamado haab).
- 52 painéis: as faces apresentam painéis em relevo que evocam o ciclo de 52 anos da ronda calendárica maia.
Esta precisão revela o domínio matemático e astronómico dos antigos maias, que integraram o conhecimento do tempo na própria arquitetura sagrada.
O fenómeno da serpente nos equinócios
El Castillo é mundialmente célebre pelo espetáculo de luz e sombra que ocorre duas vezes por ano, nos equinócios da primavera e do outono (em torno de 20 de março e 22 de setembro). Ao fim da tarde, à medida que o Sol se põe, a luz incide nas arestas das plataformas e projeta na escadaria norte uma sequência de triângulos de sombra que desenham o corpo ondulante de uma serpente. Esse corpo une-se à grande cabeça de serpente esculpida em pedra na base da escadaria, criando a ilusão de Kukulcán a descer (na primavera) ou a subir (no outono) a pirâmide.
Este efeito, fruto de um planeamento arquitetónico e astronómico deliberado, continua a atrair milhares de visitantes em cada equinócio, sendo um dos motivos da enorme popularidade do monumento.
Pirâmides dentro da pirâmide
Tal como sucede noutros templos mesoamericanos, El Castillo não é uma construção única, mas o resultado de várias fases de edificação sobrepostas. Nos anos 1930, os arqueólogos descobriram que a pirâmide visível recobre uma estrutura mais antiga e de menores dimensões. Investigações posteriores revelaram indícios de uma terceira construção, ainda mais antiga, no interior das anteriores — uma verdadeira "pirâmide dentro da pirâmide".
Em 2015, estudos com imagem de resistividade elétrica identificaram a existência de um cenote (uma cavidade natural de calcário preenchida com água) por baixo da pirâmide, com cerca de 20 metros de profundidade. Esta descoberta tem dupla importância: por um lado, sugere que o local foi escolhido pelo seu significado religioso, já que os cenotes eram considerados portas para o mundo subterrâneo; por outro, levanta preocupações quanto à estabilidade da estrutura a longo prazo.
Investigação atual
A exploração de El Castillo prossegue em 2026 com recurso a tecnologias não invasivas, que permitem estudar o interior sem danificar o monumento, classificado como Património Mundial da UNESCO. Equipas internacionais preparam a aplicação da muografia — uma técnica de imagiologia que utiliza raios cósmicos (muões) para "radiografar" grandes estruturas — com o objetivo de detetar eventuais câmaras ocultas no interior da pirâmide. Estes métodos representam a fronteira atual da arqueologia aplicada aos monumentos maias.
Visitar Chichén Itzá
Chichén Itzá é um dos sítios arqueológicos mais visitados do México e encontra-se relativamente próximo de cidades como Mérida e Valladolid, bem como dos destinos turísticos da Riviera Maia. Por motivos de conservação e segurança, a subida à escadaria de El Castillo está interdita há vários anos, mas o monumento pode ser admirado e fotografado a partir da esplanada. O conjunto inclui ainda outras estruturas notáveis, como o Templo dos Guerreiros, o grande Jogo de Pelota e o observatório conhecido como El Caracol.
Perguntas frequentes
Como se chama a pirâmide famosa de Chichén Itzá?
Chama-se El Castillo, ou Templo de Kukulcán, dedicada à divindade maia da Serpente Emplumada. É a estrutura central e mais reconhecível do sítio arqueológico.
Porque é que a pirâmide tem 365 degraus?
Os 365 degraus (91 por face mais o degrau de acesso ao templo) correspondem aos dias do ano solar, refletindo o profundo conhecimento astronómico e calendárico dos maias.
O que acontece nos equinócios em El Castillo?
Ao fim da tarde dos equinócios da primavera e do outono, a luz solar projeta na escadaria uma sombra em forma de serpente que parece descer ou subir a pirâmide, unindo-se à cabeça de pedra na base.
É possível subir a pirâmide de Chichén Itzá?
Não. A subida à escadaria está interdita há vários anos por razões de conservação e segurança, mas o monumento pode ser observado de perto a partir da esplanada.
É verdade que existem pirâmides dentro de El Castillo?
Sim. A pirâmide visível recobre pelo menos uma estrutura mais antiga, havendo indícios de uma terceira ainda anterior, além de um cenote identificado por baixo da base em 2015.