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Grande Pirâmide de Gizé: quem a construiu e porquê

Publicado 11. dezembro 2024 Atualizado 24. junho 2026

Quem construiu a Grande Pirâmide de Gizé e qual a razão?

A Grande Pirâmide de Gizé, erguida há cerca de 4 500 anos na margem ocidental do Nilo, continua a ser a mais antiga das Sete Maravilhas do Mundo Antigo e a única que sobreviveu praticamente intacta até aos nossos dias. Durante séculos, a sua origem foi envolta em mistério e especulação. Hoje, graças a décadas de escavações arqueológicas, à descoberta de documentos únicos e ao recurso a tecnologias de imagiologia avançada, a ciência dispõe de uma resposta sólida: foi construída por ordem do faraó Quéops, da IV Dinastia do Antigo Egito, por uma força de trabalho organizada de trabalhadores egípcios.

O mandante: o faraó Quéops

Quéops — cujo nome em egípcio antigo era Khufu — foi o segundo faraó da IV Dinastia e reinou aproximadamente entre 2589 e 2566 a.C. Filho do faraó Esnefrú, que já havia construído as pirâmides de Médun e Dahchur, Quéops herdou uma tradição construtiva sofisticada e levou-a a uma escala sem precedentes.

A pirâmide foi concebida como túmulo real, em conformidade com a crença egípcia de que o corpo do faraó devia ser preservado para garantir a sua passagem para a vida eterna e a sua transformação em divindade solar. O complexo funerário incluía também um templo mortuário, uma calçada cerimonial e pirâmides secundárias para rainhas e familiares. A escolha do planalto de Gizé, com a sua base de calcário firme e a proximidade do Nilo, não foi acidental: a localização facilitava o transporte de materiais e conferia visibilidade simbólica à necrópole.

Quem construiu, de facto, a pirâmide

Durante muito tempo, circulou a ideia de que a pirâmide teria sido erguida por escravos, por vezes associados aos hebreus da narrativa bíblica do Êxodo. Esta hipótese foi definitivamente abandonada pela arqueologia. As evidências apontam para trabalhadores egípcios livres, especializados e organizados hierarquicamente, que recebiam alimentação, alojamento, cuidados médicos e, provavelmente, remuneração pelo seu trabalho.

Em 1990, descobriu-se acidentalmente, nas imediações das pirâmides, um cemitério de trabalhadores que não era o de nobres ou cortesãos. As suas sepulturas — mais simples, mas com cuidado na inumação — confirmam que se tratava de homens comuns ao serviço do Estado. As escavações subsequentes revelaram uma aldeia de trabalhadores com dormitórios, padarias industriais, armazéns de cerveja e instalações médicas. Estima-se que entre 20 000 a 30 000 pessoas trabalharam diretamente na construção em determinado período, com uma componente permanente de artesãos especializados e uma força rotativa de trabalhadores sazonais — possivelmente camponeses mobilizados durante as cheias anuais do Nilo, quando as terras agrícolas estavam inacessíveis.

O Diário de Merer: o testemunho escrito mais antigo

A prova documental mais direta sobre a construção da Grande Pirâmide surgiu em 2013, quando uma missão arqueológica francesa, dirigida por Pierre Tallet da Universidade de Sorbonne, descobriu em Wadi el-Jarf, junto ao Mar Vermelho, um conjunto de papiros com cerca de 4 500 anos de antiguidade — os mais antigos papiros jamais encontrados no Egito.

Entre eles estava o Diário de Merer, o registo pessoal de um inspetor chamado Merer, responsável por uma equipa de aproximadamente 200 homens. O documento descreve, com notável pormenor, as operações logísticas de transporte de blocos de calcário desde as pedreiras de Tura, na margem oposta do Nilo, até ao estaleiro de Gizé. Os trabalhadores utilizavam barcos ao longo de um sistema de canais, e os registos incluem referências a Ânkhkhâf, meio-irmão de Quéops e «chefe de todas as obras do rei», o que confirma a supervisão de alto nível diretamente ligada à família real.

O Diário de Merer foi decisivo porque transformou o que era inferência arqueológica em facto histórico documentado: a construção da pirâmide foi uma operação estatal coordenada, com gestão de pessoal, logística de abastecimento e controlo de qualidade, muito distante da imagem de multidões anónimas coagidas ao trabalho.

Como foi construída: métodos e materiais

A Grande Pirâmide foi construída com cerca de 2,3 milhões de blocos de pedra, com um peso médio de 2,5 toneladas cada, embora alguns ultrapassem as 80 toneladas. A maior parte dos blocos era de calcário local extraído no planalto de Gizé; o calcário de maior qualidade para o revestimento exterior provinha de Tura; e o granito das câmaras internas e dos blocos de fecho foi transportado desde Asuão, a cerca de 900 quilómetros.

O método de elevação dos blocos permanece um dos temas mais debatidos da arqueologia. A hipótese mais amplamente aceite envolve o uso de rampas — possivelmente em espiral em torno da estrutura ou em linha reta frontal — associadas a trenós e à lubrificação das superfícies com água ou lama. Em 2025, um estudo computacional publicado em arxiv propôs um modelo de rampas múltiplas integradas nas arestas da pirâmide, que explicaria a logística das fases finais da construção, as mais difíceis de reconstituir. O debate científico está em aberto.

Originalmente, a pirâmide atingia 146,5 metros de altura e era revestida por placas de calcário polido que refletiam a luz solar. A erosão e a reutilização das pedras ao longo dos séculos reduziram a altura atual para cerca de 138,5 metros e removeram quase todo o revestimento.

As descobertas mais recentes: o corredor oculto e o anúncio de 2026

A investigação científica sobre a Grande Pirâmide não está encerrada. Em 2023, o projeto ScanPyramids — que utiliza muografia (deteção de partículas subatómicas chamadas muões), imagiologia térmica e cartografia 3D — confirmou a existência de um corredor até então desconhecido de cerca de 9 metros por trás da face norte da pirâmide, imediatamente acima da entrada original.

Mais significativamente, o arqueólogo egípcio Zahi Hawass anunciou em finais de 2025 que uma equipa internacional localizou com precisão um corredor de 30 metros no interior da estrutura, acedido por robôs que limparam a passagem. O conteúdo do corredor permanecia não divulgado até à elaboração deste artigo, com Hawass a prometer uma revelação formal em 2026 que, segundo as suas palavras, «escreverá um novo capítulo na história dos faraós» e poderá conduzir a uma câmara funerária há muito perdida.

Perguntas frequentes

A Grande Pirâmide de Gizé foi construída por escravos?

Não. As evidências arqueológicas — incluindo um cemitério de trabalhadores, uma aldeia de construtores com infraestruturas de apoio e o Diário de Merer — confirmam que a pirâmide foi erguida por trabalhadores egípcios livres, organizados em equipas especializadas e apoiados pelo Estado egípcio com alimentação, alojamento e cuidados de saúde.

Quanto tempo demorou a construção da Grande Pirâmide?

Estima-se que a construção durou entre 10 a 20 anos, durante o reinado de Quéops (aproximadamente 2589–2566 a.C.). O Diário de Merer documenta operações logísticas nos anos finais da construção, mas não cobre todo o processo.

O que contêm as câmaras interiores da Grande Pirâmide?

A pirâmide tem três câmaras conhecidas: a Câmara Subterrânea (inacabada), a Câmara da Rainha e a Câmara do Rei, onde se encontra um sarcófago de granito vazio. Em 2026, está prevista a revelação de uma nova câmara ou corredor localizado com tecnologia de muografia, cujo conteúdo ainda não foi divulgado publicamente.

Qual era o propósito da Grande Pirâmide?

A pirâmide foi concebida como túmulo real do faraó Quéops, em conformidade com a crença egípcia de que a preservação do corpo garantia a vida eterna do soberano e a sua transformação em divindade. O complexo funerário completo incluía templos, uma calçada cerimonial e pirâmides menores para familiares.

Qual é o documento histórico mais importante sobre a construção da pirâmide?

O Diário de Merer, descoberto em 2013 em Wadi el-Jarf, é o documento escrito mais antigo do Egito (c. 4 500 anos) e descreve diretamente o transporte de blocos de calcário para a construção da pirâmide de Quéops. É a única fonte primária contemporânea que documenta o processo construtivo.

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