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História da Siemens: da Alemanha de 1847 a 2026

Publicado 22. julho 2025 Atualizado 28. junho 2026

Qual é a história da marca Siemens na Alemanha? Descubra!

A Siemens é uma das marcas industriais mais antigas e influentes do mundo e um dos maiores símbolos da engenharia alemã. Fundada em Berlim em 1847, atravessou quase dois séculos de história — a revolução do telégrafo, a eletrificação das cidades, duas guerras mundiais, a reconstrução do pós-guerra e, mais recentemente, a transformação digital e a inteligência artificial. Sediada atualmente em Munique, mantém-se em 2026 como um dos pilares da economia alemã e europeia. Este artigo percorre a evolução da empresa, desde a pequena oficina de telégrafos até ao atual conglomerado tecnológico.

A fundação em 1847: o telégrafo de ponteiro

A história começa a 1 de outubro de 1847, em Berlim, com a criação da Telegraphen-Bauanstalt von Siemens & Halske. Os fundadores foram o engenheiro e inventor Werner von Siemens (1816-1892) e o mecânico de precisão Johann Georg Halske. A inovação que lançou a empresa foi o telégrafo de ponteiro de Werner von Siemens: em vez de recorrer ao código Morse, o aparelho usava uma agulha que indicava diretamente as letras, tornando a comunicação mais simples e fiável.

Werner von Siemens foi muito mais do que um empresário. Considerado um dos pais da eletrotecnia, é creditado com invenções e desenvolvimentos como o dínamo (gerador elétrico), o elétrico (tram), o trólei e o elevador elétrico. Recebeu o título de nobreza ("von") em 1888. A empresa que criou tornou-se rapidamente um motor da industrialização alemã.

Expansão internacional no século XIX

A Siemens cedo deixou de ser um negócio puramente alemão. Em 1850, Carl Wilhelm Siemens — irmão mais novo de Werner, mais tarde conhecido em Inglaterra como Sir William Siemens — começou a representar a empresa em Londres, agência que se tornou sucursal em 1858. Outro irmão, Carl von Siemens, expandiu os negócios para a Rússia.

Um dos feitos mais emblemáticos do período foi a conclusão, em 1870, da linha telegráfica indo-europeia, com mais de 11 000 quilómetros a ligar Londres a Calcutá. A empresa participou ainda na instalação de cabos submarinos transatlânticos. No final do século XIX, a Siemens consolidava-se como líder mundial em eletrotecnia, telecomunicações e equipamento elétrico.

Crescimento, fusões e a era da eletrificação

A viragem do século XX trouxe forte expansão na produção de energia, iluminação, transportes elétricos e equipamento médico. Em 1903 nasceu a Siemens-Schuckertwerke, dedicada à engenharia de potência, e a marca tornou-se presença habitual na eletrificação de cidades, caminhos de ferro e indústrias por toda a Europa. A Siemens também entrou no domínio do diagnóstico médico, área que viria a ganhar enorme relevância décadas mais tarde.

O período do nacional-socialismo (1933-1945)

O capítulo mais sombrio da história da empresa coincide com o regime nazi. Como líder da indústria elétrica alemã, a Siemens beneficiou do rearmamento e da economia de guerra, com receitas em crescimento contínuo a partir de 1934 e um pico durante os anos do conflito.

Este crescimento esteve ligado ao recurso ao trabalho forçado. Estima-se que, entre 1940 e 1945, pelo menos 80 000 trabalhadores forçados tenham passado pelas instalações da Siemens, incluindo civis de territórios ocupados, prisioneiros de guerra, judeus, sinti e roma e, na fase final da guerra, prisioneiros de campos de concentração. Num subcampo do campo de concentração feminino de Ravensbrück, milhares de mulheres produziram bobinas e componentes elétricos em condições brutais. A própria empresa reconhece hoje publicamente esta responsabilidade histórica. Em 1998, a Siemens contribuiu para um fundo de compensação às vítimas do trabalho escravo do período nazi.

A reconstrução do pós-guerra e a criação da Siemens AG

Com o colapso militar e económico da Alemanha em abril de 1945, todas as fábricas da Siemens em Berlim foram encerradas. A divisão da cidade e do país levou a empresa a transferir progressivamente o seu centro de gravidade para o ocidente, sobretudo para Munique e Erlangen, na Baviera.

A reconstrução culminou num marco organizativo decisivo: em 1966, a fusão da Siemens & Halske, da Siemens-Schuckertwerke e da Siemens-Reiniger-Werke deu origem à Siemens AG, a sociedade anónima que perdura até hoje. Nas décadas seguintes, a empresa tornou-se um conglomerado global presente em energia, transportes, telecomunicações, informática, automação industrial e tecnologia médica.

A reorganização do século XXI: foco e cisões

Nas últimas duas décadas, a Siemens deixou de ser o conglomerado disperso de outrora para se concentrar em tecnologia industrial e digital. Esta estratégia traduziu-se em grandes cisões (spin-offs) de áreas de negócio que passaram a ser empresas autónomas e cotadas em bolsa:

  • Siemens Healthineers — a área de tecnologia médica, sediada em Erlangen, foi colocada em bolsa em 2018 e emprega mais de 70 000 pessoas.
  • Siemens Energy — a divisão de energia (gás e eletricidade) foi separada em 2020, com as suas ações a iniciarem negociação na Bolsa de Frankfurt a 28 de setembro desse ano.

Em novembro de 2025, a Siemens anunciou ainda a intenção de reduzir a sua participação maioritária na Siemens Healthineers (cerca de 67%), avançando para a desconsolidação e a transferência de parte das ações para os acionistas. Estes movimentos refletem a aposta clara da empresa nas suas áreas centrais.

A Siemens em 2026: a "One Tech Company"

Em 2026, a Siemens organiza-se sobretudo em torno de três grandes negócios — Digital Industries (automação e software industrial), Smart Infrastructure (edifícios e redes inteligentes) e mobilidade (Siemens Mobility) — sob a estratégia "One Tech Company", que visa integrar tecnologias e inteligência artificial de forma transversal a todo o grupo.

A liderança cabe a Roland Busch, presidente e CEO, cujo contrato foi prolongado pelo conselho de supervisão. Os resultados do início do exercício de 2026 confirmam um bom momento: no primeiro trimestre, as encomendas subiram 10% (para 21,4 mil milhões de euros) e a receita comparável cresceu 8% (para 19,1 mil milhões de euros). A forte procura ligada à inteligência artificial e aos centros de dados — segmento cuja receita cresceu cerca de 35% — levou a empresa a rever em alta as suas perspetivas para o ano. A Siemens continua, assim, a afirmar-se como uma das marcas mais valiosas e estratégicas da Alemanha.

Perguntas frequentes

Quem fundou a Siemens e em que ano?

A Siemens foi fundada a 1 de outubro de 1847, em Berlim, por Werner von Siemens e Johann Georg Halske, com o nome Telegraphen-Bauanstalt von Siemens & Halske. A primeira grande inovação foi o telégrafo de ponteiro.

Onde fica a sede da Siemens?

A Siemens AG tem sede em Munique, na Baviera, embora tenha nascido em Berlim. A mudança do centro de operações para o sul da Alemanha consolidou-se sobretudo no pós-guerra.

O que são a Siemens Energy e a Siemens Healthineers?

São empresas que nasceram de cisões da Siemens AG. A Siemens Healthineers (tecnologia médica) foi cotada em 2018 e a Siemens Energy (energia) foi separada em 2020. Ambas são hoje sociedades autónomas cotadas em bolsa.

Qual foi o papel da Siemens durante o regime nazi?

Durante o nacional-socialismo (1933-1945), a Siemens beneficiou do rearmamento e recorreu a trabalho forçado, com pelo menos 80 000 trabalhadores forçados entre 1940 e 1945. Em 1998, contribuiu para um fundo de compensação às vítimas.

Quem dirige a Siemens em 2026?

Em 2026, o presidente e CEO da Siemens AG é Roland Busch, que conduz a estratégia "One Tech Company", centrada na automação, na infraestrutura inteligente e na integração da inteligência artificial.

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