História da Namíbia: resumo em passos simples
A Namíbia é um país do sudoeste de África, banhado pelo oceano Atlântico e marcado por uma das histórias coloniais mais tardias e dolorosas do continente. Conquistou a independência apenas em 1990, sendo um dos últimos territórios africanos a libertar-se do domínio estrangeiro. A sua trajetória combina povos antigos, colonização alemã, um genocídio reconhecido como o primeiro do século XX, décadas de administração sul-africana sob o regime do apartheid e uma longa luta armada de libertação. Em 2026, o país é governado pela sua primeira presidente mulher. Apresenta-se de seguida um resumo organizado por etapas.
1. Os povos originários
Muito antes da chegada dos europeus, o território era habitado por povos como os San (bosquímanos), considerados dos mais antigos habitantes da região, e os Khoikhoi, dedicados ao pastoreio. A partir do século XVII e XVIII, grupos de língua banta, com destaque para os Ovambo e os Herero, fixaram-se sobretudo no norte e no centro, dedicando-se à agricultura e à criação de gado. O deserto do Namibe, um dos mais antigos do mundo, e o clima árido moldaram modos de vida assentes na mobilidade e na adaptação a um meio difícil.
2. A colonização alemã (1884-1915)
Em 1884, no contexto da Conferência de Berlim e da partilha de África, a Alemanha proclamou o território como sua colónia, com o nome de África do Sudoeste Alemã. A administração colonial confiscou terras e gado, gerando forte resistência local. Entre 1904 e 1908, a repressão das revoltas dos Herero e dos Nama atingiu proporções extremas: dezenas de milhares de pessoas foram mortas, deportadas para o deserto ou internadas em campos de concentração. Estes acontecimentos são hoje amplamente reconhecidos como o primeiro genocídio do século XX, tema que continua a marcar as relações entre a Namíbia e a Alemanha.
3. Sob administração sul-africana
Durante a Primeira Guerra Mundial, em 1915, tropas da África do Sul ocuparam o território. Após a guerra, a Sociedade das Nações atribuiu à África do Sul um mandato para administrar a região. Pretória, porém, tratou o território quase como uma extensão do seu próprio país e, sobretudo a partir de 1948, estendeu-lhe as leis segregacionistas do apartheid. A Organização das Nações Unidas (ONU) recusou reconhecer a anexação e, num parecer de 1971, o Tribunal Internacional de Justiça declarou ilegal a presença sul-africana no território.
4. A luta pela independência
Em 1960 foi fundada a SWAPO (Organização do Povo do Sudoeste Africano), liderada por Sam Nujoma, que se tornou o principal movimento de libertação. A partir de 1966, o seu braço armado iniciou a luta de guerrilha contra as forças sul-africanas, num conflito que se prolongou por mais de duas décadas e se cruzou com a guerra civil da vizinha Angola e com a Guerra Fria. A ONU reconheceu a SWAPO como representante legítimo do povo namibiano e, em 1978, a Resolução 435 do Conselho de Segurança definiu o plano para uma transição supervisionada. A retirada das forças sul-africanas e cubanas de Angola, negociada em 1988, abriu finalmente caminho à solução.
5. A independência em 1990
Em novembro de 1989, realizaram-se eleições para uma Assembleia Constituinte, certificadas como livres e justas pela ONU, nas quais a SWAPO obteve cerca de 57% dos votos. Foi adotada uma constituição democrática e, a 21 de março de 1990, a Namíbia tornou-se oficialmente independente. Sam Nujoma assumiu o cargo de primeiro presidente do país. Em 1994, a Namíbia recuperou ainda o enclave portuário de Walvis Bay, até então sob controlo sul-africano.
6. A Namíbia independente até 2026
Desde a independência, a SWAPO manteve-se no poder, num quadro de estabilidade política relativa e alternância pacífica de líderes. Sam Nujoma governou até 2005, seguindo-se Hifikepunye Pohamba (2005-2015) e Hage Geingob (2015-2024), que faleceu no exercício do cargo em fevereiro de 2024. O vice-presidente Nangolo Mbumba assumiu interinamente a chefia do Estado. Em 2025, deu-se um marco histórico: Netumbo Nandi-Ndaitwah, eleita com 58,7% dos votos, tomou posse a 21 de março de 2025 como a primeira mulher a presidir à Namíbia. Em 2026, mantém-se em funções, com prioridades centradas na criação de emprego e na introdução do ensino superior público gratuito. O fundador do país, Sam Nujoma, faleceu em fevereiro de 2025, aos 95 anos.
Hoje, a Namíbia destaca-se pela riqueza em recursos minerais (diamantes, urânio), pelo turismo associado aos seus desertos e fauna, e pelo seu papel como uma das democracias mais estáveis de África, embora persistam desafios como a desigualdade e o desemprego.
Perguntas frequentes
Quando é que a Namíbia se tornou independente?
A Namíbia conquistou a independência a 21 de março de 1990, pondo fim à administração sul-africana. Foi um dos últimos países africanos a libertar-se do domínio estrangeiro.
Que país colonizou a Namíbia?
O território foi colonizado pela Alemanha a partir de 1884, com o nome de África do Sudoeste Alemã. Depois da Primeira Guerra Mundial, passou a ser administrado pela África do Sul.
Quem foi o primeiro presidente da Namíbia?
Sam Nujoma, líder histórico da SWAPO, foi o primeiro presidente, em funções de 1990 a 2005. É considerado o "pai da nação" e faleceu em fevereiro de 2025.
Quem governa a Namíbia em 2026?
Em 2026, a presidente é Netumbo Nandi-Ndaitwah, que tomou posse em março de 2025 e se tornou a primeira mulher a chefiar o Estado namibiano.