História do Barém: De Dilmun ao reino moderno
O Barém é um pequeno arquipélago situado no golfo Pérsico, ao largo da costa oriental da Arábia Saudita, à qual está ligado pela Ponte do Rei Fahd. Apesar da sua dimensão reduzida, ocupa um lugar invulgarmente relevante na história do Médio Oriente: foi o coração de uma das mais antigas civilizações comerciais do mundo, esteve sob domínio de impérios sucessivos e foi o primeiro país árabe a descobrir petróleo. A sua história resume-se, em grande medida, à de um ponto de passagem estratégico entre a Mesopotâmia, a Pérsia e o Índico, hoje transformado num reino moderno governado pela dinastia Al-Khalifa.
Dilmun: a civilização antiga
As raízes do Barém remontam à civilização de Dilmun, que floresceu sensivelmente entre 3000 a.C. e 600 a.C. e abrangia o atual Barém, partes do Kuwait e da costa oriental da Arábia. Dilmun era célebre pelas suas nascentes de água doce, pela terra fértil e pela posição privilegiada nas rotas marítimas que ligavam a Mesopotâmia ao vale do Indo. Funcionou como um entreposto essencial, sobretudo no comércio do cobre, e ocupou lugar de destaque na mitologia suméria, sendo descrita como uma terra pura e abençoada.
O sítio arqueológico de Qal'at al-Bahrain, classificado como Património Mundial da UNESCO, terá sido a capital de Dilmun e contém vestígios de ocupação humana ao longo de milénios. Os numerosos túmulos funerários espalhados pela ilha testemunham igualmente a densidade e a importância desta cultura no III e II milénios a.C.
Da Antiguidade Clássica à chegada do Islão
Com o declínio de Dilmun e a queda da Babilónia, em 538 a.C., a região passou a ser conhecida pelos gregos como Tylos, durante o período helenístico. Entre os séculos VI e III a.C., o Barém integrou-se no Império Aqueménida, de matriz persa, ficando sob a sua órbita política e cultural.
A grande transformação chegou no século VII d.C., com a expansão do Islão. O Barém aderiu cedo à nova religião e tornou-se um centro de comércio e de erudição islâmica, ligando culturas em torno da Península Arábica. Ao longo da Idade Média, a ilha conheceu domínios diversos, incluindo períodos de autonomia e a influência de movimentos como os carmatas, sublinhando o seu papel persistente como nó de trocas regionais.
Portugueses e persas
No início do século XVI, a localização estratégica do Barém atraiu uma nova potência marítima: Portugal. Empenhados em controlar as rotas do comércio no oceano Índico, os portugueses conquistaram o arquipélago em 1521 e ali edificaram fortificações, entre as quais o próprio forte de Qal'at al-Bahrain ganhou contornos europeus. O domínio português durou cerca de 80 anos, até que uma força conjunta persa-árabe expulsou os ocupantes, dando início a um longo período de influência persa que marcou a paisagem cultural local.
A dinastia Al-Khalifa e a era das pérolas
O ano de 1783 representa um marco decisivo: a família Al-Khalifa, de origem árabe, estabeleceu o seu domínio sobre o Barém, fundando a dinastia que ainda hoje governa o país. Durante o século XIX, a economia bareinita assentou sobretudo na pesca de pérolas. As pérolas do Barém eram reputadas em todo o mundo pela sua qualidade e brilho, fazendo da ilha um centro global deste comércio até ao colapso provocado, nos anos 1930, pelas pérolas de cultivo japonesas.
Ao longo do século XIX, o Barém aproximou-se progressivamente do Reino Unido, assinando uma série de tratados que, na prática, o converteram num protetorado britânico. Londres assegurava a defesa e as relações externas, enquanto os Al-Khalifa mantinham a administração interna.
Petróleo e independência
Em 1932, o Barém tornou-se o primeiro país árabe a descobrir petróleo, acontecimento que reorientou por completo a sua economia e antecipou a transformação que viria a abranger toda a região do Golfo. As receitas petrolíferas financiaram a modernização das infraestruturas, da educação e da saúde.
A decisão britânica de retirar as suas forças do Golfo, anunciada em 1968, abriu caminho à independência. Depois de ponderada a possibilidade de integrar uma federação com o Catar e os futuros Emirados Árabes Unidos, o Barém optou por seguir um rumo próprio. Declarou a independência a 15 de agosto de 1971 e tornou-se formalmente o Estado do Barém a 16 de dezembro do mesmo ano, pondo termo ao estatuto de protetorado.
O reino moderno e os desafios contemporâneos
Em 2002, o país adotou uma nova Constituição e passou a designar-se Reino do Barém, com Hamad bin Isa Al-Khalifa a assumir o título de rei. O sistema político combina uma monarquia com amplos poderes e um parlamento bicameral, cuja câmara baixa — o Conselho dos Representantes, com 40 membros — é eleita por sufrágio, ainda que o monarca conserve a autoridade de nomear o governo e de legislar por decreto.
Em 2011, no contexto da chamada Primavera Árabe, o Barém foi palco de uma vasta contestação popular, encabeçada sobretudo pela maioria xiita face a um governo dominado pela minoria sunita Al-Khalifa. Os protestos foram reprimidos com o apoio de uma intervenção militar saudita, e um relatório independente concluiu, nesse mesmo ano, que tinha havido uso excessivo da força e casos de tortura sob custódia das forças de segurança. As tensões entre comunidades continuam a moldar a vida política do país.
No plano externo, o Barém assinou, em setembro de 2020, os Acordos de Abraão, normalizando relações com Israel. Em 2026, o reino mantém-se sob a chefia do rei Hamad bin Isa Al-Khalifa, com o príncipe herdeiro Salman bin Hamad Al-Khalifa a exercer as funções de primeiro-ministro e a liderar os esforços de diversificação económica para reduzir a dependência do petróleo. Estão previstas eleições legislativas para o final de 2026, num período igualmente marcado por preocupações de segurança regional.
Perguntas frequentes
Qual foi a civilização antiga que existiu no Barém?
O Barém foi o centro da civilização de Dilmun, que floresceu sensivelmente entre 3000 a.C. e 600 a.C. e funcionou como importante entreposto comercial entre a Mesopotâmia e o vale do Indo, sobretudo no comércio do cobre.
Quando é que o Barém se tornou independente?
O Barém declarou a independência do Reino Unido a 15 de agosto de 1971 e tornou-se formalmente o Estado do Barém a 16 de dezembro de 1971, terminando o seu estatuto de protetorado britânico.
Que dinastia governa o Barém?
O país é governado desde 1783 pela dinastia Al-Khalifa. Em 2026, o chefe de Estado é o rei Hamad bin Isa Al-Khalifa, sendo o príncipe herdeiro Salman bin Hamad Al-Khalifa o primeiro-ministro.
Porque é que 1932 é uma data importante na história do Barém?
Em 1932, o Barém tornou-se o primeiro país árabe a descobrir petróleo, o que transformou profundamente a sua economia, até então assente na pesca de pérolas, e financiou a modernização do país.